Margaret Mee e as flores





FOTOS: CLAUS MEYER/AGÊNCIA TYBA/JAIME ACIOLI


1 - A artista no Rio de Janeiro: desenhos refinados, feitos depois de viagens e da sutil observação da flora

2 - Neoregelia lactea. Agulhas Negras, Itatiaia, Rio de Janeiro, 1963. Aquarela e grafite sobre papel, da Coleção Instituto de Botânica, São Paulo.




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Hoje, primeiro dia de março, a semana começa recheada de atrações em termos de artes visuais: o destaque maior vai ser amanhã, terça-feira nas Galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima, no Palácio das Artes coma exposição de Margaret Mee, que tem apoio cultural da Associação Amigas da Cultura, comandada pela presidente Consuelo Bethônico Jacob. E hoje, segunda-feira teremos vernissage de Thelma Quevedo das 19 às 22 horas, na Galeria de Arte Gustavo Capanema, que inaugura o calendário 2010 da entidade. Finalmente, de quinta-feira desta semana até a próxima segunda-feira será a hora e a vez da exposição de obras que serão leiloadas no dia 9, uma terça-feira, pela Vitor Braga Rugendas Galeria de Arte. Vai ser o Grande Leilão de Verão 2010, o primeiro a ser realizado na cidade. Daí, vamos aos respectivos roteiros dos três principais eventos.

A mostra de Margaret Mee tem caráter itinerante e homenageia os 100 anos de nascimento da artista, apresentando cerca de 140 obras, de importantes coleções no Brasil, públicas e privadas (Instituto de Botânica de São Paulo, Sítio Roberto Burle Marx, Academia Brasileira de Ciência – RJ, na coleção Bradesco de arte brasileira e a coleção Marta e Paulo Kuczynski, entre outras).

Para a exposição foram selecionadas as obras mais emblemáticas de artista. En tre essas, 52 aquarelas dedicadas à espécie das Bromeliáceas parte da importante coleção do Instituto Botânica de São Paulo, Neoregelia lactea (Bromélias com folhas largas) e Aechmea femandae merecem destaque pela beleza e diversidade de formas e cores. Há ainda 18 obras da coleção Roberto BurleMarx, algumas de espécies classificadas pelo próprio e que levam seu nome, como Vellsia burle-marxii.

A artista também realizou desenhos inspirados na Caatinga brasileira. A mostra traz cinco trabalho que ilustram o livro da Academia Brasileira de Ciência sobre o tema, entre eles, uma espécie de cactos típico da região, e uma delicadas Dioclea grandiflora, com flores em tons lilás. Por outro lado, belíssima coleção de 23 pranchas somente da espécie da Orchdaceas, também faz parte desta exposição.

Sem dúvida, uma oportunidade única de admirar esta coleção, recentemente adquirida e trazida a público neste ano de 2010.

Pintada ao longo de quatro décadas, reflete o conhecimento e o domínio da técnica da artista. Ainda comoparte integrante do conjunto a maior prancha pintada por Margaret Mee, um belo tronco recoberto com orquídeas, bromélias enraizadas ladoa lado.

Objetos de viagens, como presentes recebidos das tribos indígenas, pequenos troncos que ela usava como referência pictórica, bússola e os pinceis utilizados por ela, completam a mostra, em diferentes vitrines.

Um DVD com cenas de Margaret Mee em sua décima quinta e última viagem ao Amazonas, em 1988, e trechos da entrevista à televisão americana concedida poucos dias antes de seu acidente e falecimento em Londres, em novembro de 1988, também vai ser apresentado trazendo a artista mais perto do público que vem apreciar sua arte e conhecer seu um pouco de sua vida.

Margaret Mee nasceu em Chesham, na Inglaterra, e a partir de 1947 passou a se dedicar à arte. Estudou arte na St.Martin’s School of Art, todas em Londres, diplomando-se em pintura e design em
1950. Chegou ao Brasil com seu marido, Greville Mee, em 1952. Em 1956 faz a primeira viagem das 15 que empreendeu pela f loresta amazônica, onde recolhe observações em diários e realizava desenhos e aquarelas e pinturas. Já no Brasil, trabalha como artista botânica para o Instituto de Botânica de São Paulo de
1960 a 1965, explorando a floresta brasileira, desenhando e pintando plantas e colecionando algumas espécies para posterior ilustração. Entre 1968 e 1988 viveu no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde tinha seu ateliê. Durante todo este tempo a artista enviava plantas que coletava em suas viagens para seu grande amigo e paisagista, Roberto Burle Marx, que as incluia em seu jardim.

Faleceu na Inglaterra, vítima de umacidente automobilístico em novembro de 1988. Um grupo de amigos e admiradores da artista criou a Fundação Bio-botânica Margaret Mee em 1989, com sede no Rio de Janeiro, visando antes de tudo divulgar a vida e a obra da grande artista e pioneira na questão ambientalista, além de apoiar botânicos e pesquisadores nos mais diversos projetos científicos.

Em 2009, oConselho Diretor decidiu passar para o instituto de pesquisa do Jardim Botânico do Rio a Fundação que passou a ser denominada Fundação Flora de Apoio a pesquisa.

Visitas a partir de quarta e até 11 de abril, no Palácio das Artes.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


01.03.2010