Heitor Coutinho deve ganhar retrospectiva


01. Retrato da escultora Mary Vieira. Óleo sobre madeira.
02. Caixa com o título "Grande Cidade". Executada em madeira de jacarandá, cristal e outros materiais.

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Heitor Coutinho, artista plástico integrante da primeira turma do mestre Alberto da Veiga Guignard, faleceu no domingo passado em seu apartamento, localizado no bairro Santo Antonio, onde residiu nos últimos dois anos.

Filho de Januário Coutinho e da professora Djanira Seixas Coutinho, o artista integrou a primeira turma da então chamada Escolinha do Parque (atualmente, Fundação Escola Guignard da UEMG), tendo, como companheiros, Amilcar de Castro, Petrônio Bax, Marília Andrés e Marília Gianetti Torres, entre outros. De 1944 a 1946, foi um dos mais destacados alunos do mestre Guignard, depois de ter iniciado seus estudos em 1941, com o professor Cantagalli, da Escola de Belas Artes de Bolonha, Itália. Atuou bastante tempo no setor de arte gráfica e de arquitetura de interiores, tendo executado inúmeras obras no eixo Rio/Belo Horizonte, como exemplos: a Feira Permanente de Amostras de Belo Horizonte (1947), Exposição da Industria e Comércio de Juiz de Fora (1948), redecorações do Palácio da Liberdade e a decoração do Palácio das Mangabeiras, bem como o Hospital Felécio Rocho.

A pedido de Oscar Niemeyer, criou o vitral da Igreja São Daniel, em Manguinhos. Entre os prêmios conquistados por ele, estão os de duas Bienais de São Paulo, do Salão Nacional da Prefeitura de Belo Horizonte e um prêmio de viagem à Europa pelo Salão Nacional de Belas Artes do Rio. Nos últimos anos, destacou-se como criador de esculturas e objetos, sendo, ao lado de Farnese de Andrade, um dos pioneiros no gênero - objetos - no Brasil. O crítico de arte paulista Walter Domingues, que sempre acompanhou toda a trajetória do artista, está preparando mostra retrospectiva a ser realizada em breve, com apoio do Banco do Brasil e da Petrobras.

A propósito, além de obras dos acervos de museus do Rio, São Paulo e Belo Horizonte, ele vai tenta obter empréstimo da Coleção Helena Rubinstein de Nova Iorque. A missa de sétimo dia vai ser no próximo sábado, em local e horário a serem confirmados pela família e pela Escola Guignard.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

01.06.2005