Dupla dinâmica


FOTO: JÚLIO HUBNER/REGINA MELLO

Escultura de Esthergila Menicucci e pinturas da Miguel Gontijo, em cartaz na galeria da Mannesmann



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A Galeria de Arte do Pic-Cidade apresenta, a partir de amanhã, a exposição individual de Eshtergilda, que considera o espaço expositivo como prolongamento direto do espaço de criação (leia-se Ateliê).

No catálogo, sob o título “Esthergilda, A Escultora”, assim escrevemos: A professora e artista plástica, Esthergilda Menicucci, marca a escultura figurativa, com um trabalho de alta força expressiva e individualidade, na qual utiliza materiais como barro, pó de ferro, bem como intervenções em nível de cimento e tintas automotivas.
Penso que as grandes transformações demandaram muita disciplina e experimentações, particularmente, quando vivenciou paralisia facial, inteiramente superada pelo exercício do fazer arte.
Além disso, sua opção pelo tridimensional (leia-se esculturas e objetos) resulta numa grande virada na carreira de quem trafegou pelo bidimensional por quase cinco décadas, antes de alcançar as esculturas em bronze que, até certo ponto, são recorrentes a um Rodin, o que não compromete e sim valoriza toda uma trajetória de meio século de atividades.
Atualmente, suas propostas tridimensionais figurativas, ora expressionistas ora surrealistas, coloca a artista em pé de igualdade com o notável núcleo de escultores brasileiros que exploram tal tendência, do qual Sonia Ebling é referência maior no Brasil. Sem dúvida, uma grande surpresa e um desdobramento em evolução, dosado de grande vitalidade e maestria.
A individual de Esthergilda , a ser inaugurada às 20 horas de amanhã, na galeria de arte do Pic-Cidade (Rua Cláudio Manoel, 1185, Funcionários), fica em cartaz até o dia 30, de 8 às 23 horas, de segunda a sexta.
Mudando de assunto. Enquanto o centro cultural V & M Brasil Centro de Cultura não é inaugurado, a galeria de arte Vallourec Manesmann, situada na avenida do Minério, portão 5, no conglomerado da empresa, continua realizando mostras no seu espaço. A propósito, foi inaugurado com uma resenha do acervo de um dos seus diretores, Manfred Leyerer. Na seqüência, apresenta individual de Miguel Gontijo, recorrente a Hieromynus Bosch, nos limites do sacro e profano, bem como do expressionismo e do surrealismo.
No catálogo, o professor e colecionador Paulo da Terra Caldeira sintetiza, de maneira objetiva, toda a trajetória e a obra do artista. “A inspiração e o processo de criação de Miguel Gontijo são sem parâmetros. O visitante, em suas exposições, deleita-sesimultaneamente com seus monstros, suas figuras dilaceradas, sua escritura de texto indecifráveis, suas apropriações contemporâneas de armas e materiais medievais, delimitação de marcas registradas, na maioria de produtos brasileiros que, agregados ao seu sarcasmo crítico e político, vêm encontrando número cada vez maior de admiradores. E, por tudo isso, sua pintura se torna universal”.
Mudando de assunto, A V & M do Brasil e a Fundação Sidertube, que participam do projeto de restauração do Cine Theatro Brasil, fundado em 1932, na Praça 7, como parte da revitalização do Centro de Belo Horizonte, já tem datas para às etapas da inauguração.
No final do ano, será inaugurado o Café. No decorrer de 2009, ou então, no principio de 2010, o projeto deverá ser todo concluído com seus teatros, lojas e galerias de arte. Sem dúvida, depois da restauração do antigo Clube Belo Horizonte atual Museu Fundação Inimá de Paula, será o maior acontecimento no gênero.
A mostra de Miguel Gontijo, “Círculo Vicioso”, pode ser visitada na Galeria Vallourec & Mannesmann até o final do mês, na Via do Minério Olinto Meireles, nº 65, portaria 5, no horário comercial, de segunda a sexta.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


01.09.2008