Campeões em cena

“Canção de Bodas", na visão de Sônia Ebling, um dos destaques (foto divulgação SE)

Não vai viajar? Não tem importância: a cidade está cheia de coisas interessantes, em termos de artes visuais. A seguir, dicas para conferir, nesta época em que BH anda em ritmo mais lento e fica mais interessante e menos estressante.

O calendário 2005 será inaugurado com “Retratos de Diamantina", do artista Décio Moreira, cartaz na galeria do Sesc-MG (Galeart), a partir de quarta-feira.

Há alguns anos, Moreira enfrentou acidente automobilístico que o obrigou a ficar numa cadeira de rodas por dois anos, além de ter perdido um olho. Até então, o funcionário público e técnico em conserto de tvs fazia apenas desenhos, despretenciosamente. Mas, para preencher aquele tempo em que não podia andar, ele decidiu pintar, retratando casarios e telhados de Diamantina.

Com ajuda de um vendedor de tintas, foi descobrindo as cores das casas, dos telhados e do céu. Daí, com o prazer de pintar aliado às lembranças de sua infância e juventude vividas na cidade, passou a colecionar fotos, livros, revistas, jornais..., enfim, qualquer informação sobre sua cidade natal, de onde retira toda sua inspiração.

“Eu tentei pintar outras coisas, outras cidades, mas o que mais gosto de pintar mesmo é só minha cidade: Diamantina" _ diz o entusiasmado pintor-revelação.

Hoje, com 33 anos de pintura e 73 anos de vida, o artista apresenta a série “Retratos de Diamantina", síntese da sua trajetória, reunindo propostas elaboradas de 1972 a 2005. Assim, pode ser conferida sua evolução em nível de pinturas.
Outra atração das galerias é a nova série de esculturas de Sônia Ebling, um dos nomes mais conceituados dentre os artistas brasileiros que trafegam pela escultura figurativa no Brasil. São, na sua maioria, esculturas em bronze de porte pequeno e umas poucas de tamanho médio.

Por sua vez, a Federação Mineira de Fubebol apresentou, dia 18, no Clube da Associação dos Empregados da Usiminas, ao lado da empresa, na Pampulha, as esculturas padronizadas que vão premiar todos os campeões e vices, consagrados pelas competições oficiais da entidade.
Os troféus criados pelo artista plastico mineiro Marcelo AB passarão a ser permanentes, dando identidade às principais competições promovidas pela Federação, que agora em 2005 completa 90 anos de existência _ trata-se de uma das mais antigas do Brasil.
Elaboradas em chapa de aço especial, cortada e dobrada, as esculturas-troféus, em forma de totem, têm 90 centímetros de altura por dez centímetros em cada um dos quatro lados, sugerindo uma taça formada por figuras que cabeceiam uma bola.

As peças, pela característica do aço, recebem ainda uma pátina natural na superfície, adquirindo a coloração marrom do minério de ferro existente em nossa Minas Gerais.

Marcelo AB, pintor e escultor, nasceu em Belo Horizonte e atua nas artes visuais desde 1959. Formou-se em Comunicação Social pela UFMG e aprendeu técnicas de desenho e pintura com o mestre Fei Davi, em Santos Dumont. Mais tarde, aprimorou-se em curso de extensão pela Fundação Escola Guignard.

Retratos de Diamantina
_ Mostra de Décio Moreira. A partir de quarta-feira, na Galeart (Rua Tupinambás, 956). De segunda a sexta-feira, de 12 às 18h30 horas. Até 28 de fevereiro. Sônia Ebling _ Na Galeria de Arte Errol Flynn (Rua Alagoas, Savassi). De segunda a sexta-feira, de 10 às 21 horas. Até 12 de fevereiro. Troféus da FMF - Estudos registrando o processo criativo podem ser apreciados na Rua Desembargador Afonso Lages, 245, Dona Clara. Outras informações pelo telefone 9992-7381.


Morgan da Motta
31.01.2005