Fidelidade ao abstrato



O artista e alguns exemplos de sua criação em acrílica sobre tela: trajetória recheada de prêmios e incursões internacionais (Fotos Dirceu Santos)

A Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, do Palácio das Artes, inaugura seu calendário 2003 com mostra individual que tem sabor de retrospectiva, do artista montes-clarense Carlos Muniz.
De caráter itinerante, a exposição já foi vista no Rio de Janeiro (Galeria Toulouse), em Brasília (Museu de Arte Moderna de Brasília) e Montes Claros (Centro Cultural Hermes de Paula).
Carlos Muniz, às vésperas de completar 50 anos, é dublê de artista e cirurgião plástico que tem praticamente 25 anos dedicados à pintura. Trata-se duma trajetória recheada de prêmios e participações no Exterior, e realçada pelas pesquisas e experimentações.
Entre suas premiações, destacam-se: IV Salão Nacional de Artes Plástica da Funarte (Rio de Janeiro), Salão Nacional de Arte Plásticas do Museu de Arte da Pampulha, em 1983 e 1984 (MAP-Belo Horizonte), III Salão Paulista de Arte Contemporânea da Fundação Bienal de São Paulo (1985) e Bienal Nacional de Santos (1995), mais exposições na Gallery Art 54, de Nova Iorque (1994), entre outras.
No catálogo da exposição itinerante, a respeito de Muniz assim se expressa o crítico de arte Pierre Santos: “Venho acompanhando com o máximo de interesse a trajetória artística de Carlos Muniz desde os anos 70; mais exatamente, desde o seu primeiro comparecimento em um salão de Belo Horizonte - e posso testemunhar a calma, a seriedade, a perseverança e a audácia com que vem enfrentando e solucionando os mais difíceis problemas pictóricos encontrados pela frente, sempre no objetivo de avançar um pouco mais, a cada etapa, rumo ao depuramento de sua linguagem.
Sob este aspecto, é interessante observar que todos os críticos, os quais até aqui escreveram sobre a pintura de Carlos Muniz, têm deixado claro nas entrelinhas a sugestão deste avanço, pois de certa forma todos detectaram a possibilidade. Todavia, nenhum deles chegou a formular esclarecimentos categóricos a este respeito, mesmo porque tal procedimento não estava em suas preocupações, mas sim importava-lhes uma definição episódica desta espécie de pintura, no momento mesmo de seus pareceres, já que se tratava de textos para catálogos de exposição".
Esta individual com sabor de retrospectiva proporciona uma rara oportunidade de confirmar os dotes técnicos e temáticos (leia-se tendências) do artista. Além disso, sua fidelidade à abstração geométrica e seus naturais desdobramentos em nível do neoconcreto e da arte minimalista estão presentes nas diferentes séries de trabalhos elaborados nos últimos cinco anos.
O conjunto a ser exibido no Palácio das Artes abrange propostas do período 1999 a 2002, e corresponde a recorte que permite fazer uma revisão de toda a trajetória do artista e sua obra.

Carlos Muniz _ A partir de quarta-feira, na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro). De terça a sábado, de 13 às 21 horas, e aos domingos, de 16 às 21 horas. Até o dia 23.

Morgan da Motta
03.02.2003