Entre o crochê e o computador


FOTOS: DIVULGAÇÃO/AAG/MAB

Exemplo do universo de arranjos coloridos de Maria Amélia Guimarães, criados com crochê, cetime pedras variadas

Detalhe de criação de Marcelo A.B., resultado do “olhar do artista através de imagens de segunda geração advindas do computador”



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Nesta quinta-feira, às 19 horas, vai ser lançado, no auditório da Escola Guignard, o livro-depoimento do artista plástico Marcelo A.B.. Paralelamente, teremos retrospectiva do artista e sessão de vídeo sobre o processo criativo do expositor, de acordo com o projeto Circuito Atelier da editora belo-horizontina C/Arte.

Visando antes de tudo, a compreensão do artista e de sua trajetória, serão apresentadas trinta propostas correspondentes a quatro décadas de sua produção.
Marcelo A.B., um dos grandes nomes da arte mineira recente, pode então ser apreciado através de seus conceitos em desenho, aquarela e pintura.
As criações resultam numa minirretrospectiva de que se destacam oito telas recentes, os últimos trabalhos desenvolvidos durante o Curso de Pós-Graduação na Guignard, que ele acaba de concluir.
A série, denominada “Arqueologia Urbana”, é desdobramento da série anterior, “Sítios Arqueológicos”, mas são trabalhos que demonstram total sintonia com relação ao processo criativo do artista mineiro.
São signos e símbolos recorrentes na paisagem das grandes cidades, como sinais de trânsito, vitrinas, metrôs, retrato do dia-a-dia de uma paisagem modificada pela cultura de massa.
Trata-se de pesquisa para uma nova fase de estudos em direção ao tema das relações entre o homem e a paisagem, o que, ao que parece, persegue Marcelo A.B. ao longo de 38 anos de atividades.
Enfim, essa nova série, “Arqueologia Urbana”, tem em seu processo de criação basicamente a fotografia e seus efeitos adquiridos através da manipulação digital e tecnológica.
A originalidade do trabalho é o resultado do olhar do artista através de imagens de segunda geração advindas do computador, dos ruídos tecnológicos digitais, como o pixel, gerado pela baixa da definição da imagem computadorizada, pelas imagens das câmeras vigilantes dos grandes centros que flagram cenas característica da “urbe” e imagens amareladas reproduzidas de jornais e revistas.
O livro-depoimento editado pela C/Arte foi conduzido pela professora em Semiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Vera Casa Nova.
Em tempo: o que é apresentado como arqueologia, considera-se como metáfora...
Afinal, por ser oriunda do curso de Letras, a senhora Casa Nova, que promete rápida palestra, põe rápida nisso, espero que tenha tempo suficiente para esclarecer mal-entendido usado de maneira mais ampla por ela.
Marcelo A.B., com lançamento do livro, video e mostra retrospectiva, é cartaz na quinta-feira, a partir de 19 horas no auditório da Escola Guignard, e corresponde ao destaque maior na semana.
Em tempo: a exposição fica ate o fim do mês, no mesmo horário da Escola, de segunda a sexta-feira, com visitação aberta ao público belo-horizontino.
Mudando de assunto, destaque também para objetos e livros, com curadoria do designer de moda Renato Loureiro, trazendo o universo de arranjos multicoloridos de Maria Amélia Guimarães, em cartaz na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães até o dia 19 de março.
Além disso, estandartes, almofadas, camisetas e painéis bordados com muita minúcia e maestria.
Para se ter uma ideia da grandeza do trabalho, em uma única peça da mostra é fácil encontrar detalhes em crochê, fitas, cetim e pedrarias variadas .
E para se ter também uma idéia da artista e sua trajetória, basta recorrer a uma das suas diversas declarações...
“Em minha arte é tudo bordado, feito com linha e agulha. E uso também material reciclado, como palito de picolé e selos de latas de refrigerante”, explica a artista mineira.
Maria Amélia é natural da cidade de Jequitinhonha. Sua parceria com Renato Loureiro já a levou na São Paulo Fashion Week, Minas Trend Preview e até àquela mostra-relâmpago Minas Cult.
Enfim, do currículo da Maria Amélia constam oito mostras individuas e 41 coletivas, incluso o painel Tridimensional na Arte Contemporânea, exposição sob nossa curadoria, no Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo, e no Museu da Usiminas – o Usicultura, na cidade de Ipatinga.
A mostra individual de Maria Amélia, pode ser visitada de segunda a sexta-feira, de 8 às 20 horas, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (Galeria Paulo Campos Guimarães, na Praça da Liberdade), prosseguindo até o dia 19 de março. Aos sábados apenas de 8 às 13 horas. Detalhe importante: a entrada é franca.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


02.03.2009