Trem das cores


FOTOS: DIVULGAÇÃO/ANDRÉ BURIAN/DIVULGAÇÃO

Nanquim sobre papel do artista plástico Marcelino Peixoto, na mostra do BDMG Cultural (1), e (2) e (3) Duas propostas de Fernando Cardoso, que podem ser admiradas na Quadrum



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Mestre em artes visuais, Marcelino Peixoto expõe a partir de amanhã, na Galeria de Arte do BDMG Cultural. Trata-se do primeiro entre os seis artistas selecionados para mostrarem seus trabalhos através do programa de seleção de mostras BDMG. A série de desenhos “Riscos Contínuos” representa uma das faces de pesquisas realizadas pelo expositor, em que ele trabalha com a linha, suas possibilidades e fronteiras.
Uma tensão entre expressão e projeto é o que o autor diz encontrar no processo de elaboração, quando o risco é vivido, pensado pela mão e tateado pelo pensamento. Os desenhos de Peixoto, que é natural de Alvarenga Minas, têm como foco os adensamentos e acumulações. À respeito de sua fase atual, assim se expressa o artista: “À medida em que risco o papel, espacialidades em repouso são postas em movimento. A linha, no seu acúmulo sucessivo, faz emergir um projeto que se transforma ao longo de sua execução”. Enfim, ao que parece, foi por isso que ele optou por trabalhar com o nanquim. Afinal, o traço feito não pode ser apagado, e, assim, é impossível deletar um erro...
Já em cartaz na cidade, mais especificamente na Quadrum, está a exposição de Fernando Cardoso, uma das referências das neovanguardas mineiras. A mostra é basicamente composta por aquarelas, pinturas e fotografias. Suas pinturas mais recentes abordam, sem medo ou arremedo de qualquer orientação surrealista, um universo onde não há fronteiras entre o real e o imaginário, nem entre o belo e o grotesco, onde a idéia de perversão é sadia, ao passo que a inocência revela-se como pura crueldade.
Saltam aos olhos os bebês idosos, as criaturas sem espécie ou gênero definido, a desleitura desinibida de fontes que vão de brinquedos infantis a imagens da História da Arte e - por que não? - um certo ar cínico de aristocracia mendiga que, na maioria das vezes, corresponde ao olhar de figuras comicamente desoladas.
Paralelamente, apresenta safra recente de fotografias de cães abandonados que, por incrível que pareça, têm um ar de “cachorros de madames”. Próximo pit stop do artista vai ser no MAM do Rio de Janeiro, onde realizará, naquela cidade, sua primeira individual, depois de integrar inúmeras coletivas na “Cidade Maravilhosa” (apesar das balas perdidas, ônibus queimados...).
Voltando às aquarelas de Fernando, são quase todas criadas sobre cambraia de linho e linho que, com o suporte do vidro e pelas transparências, alcançam excepcionais resultados, visualmente falando.

Marcelino Peixoto - Vernissage para convidados amanhã, das 20 às 22 horas, no BDMG Cultural (Rua Bernardo Guimarães, 1.600). A mostra pode ser visitada de 4 a 27 de abril, das 9 às 18 horas (exceto aos sábados e domingos).

Fernando Cardoso - Individual. Até o dia 13, na Quadrum Galeria de Arte (Avenida Prudente de Morais, 78, Cidade Jardim). Visitas de segunda a sexta, de 12 às 19 horas. Aos sábados, das 10 às 14 horas.



Adriana Drummond e uma de suas experimentações (4), e (5) Pintura, quase objeto, de Luciano Ribeiro, exposta em Tiradentes


2X1
“Cascas e Facas” corresponde à junção de duas individuais, as dos artistas Adriana Drummond e Luciano Ribeiro. A dupla mostra está em cartaz na Galeria do Sobrado Ramalho - IPHAN, na cidade histórica de Tiradentes. A série “Cascas”, apresentada por Adriana, corresponde ao traço firme e delicado de uma artista que vive o apogeu de uma metamorfose. Enfim, um momento incrível na trajetória da artista, onde desliga-se de antigos conceitos e se abre a novas referências. O universo feminino nunca foi tão presente na obra da artista. A série “Cascas” também mostra um forte apelo com relação às questões ambientais, em especial, a manufatura do couro e fragmentos de tecidos.
Por sua vez, a série “Facas” (apresentada por Luciano Ribeiro no 38º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba, São Paulo, em 2006) agora invade as paredes da Galeria do Sobrado dos Ramalho. Aço de corte e vinco sobre madeira são elementos fundamentais para a concepção da forma em qualquer trabalho que exige um corte especial. Na proposta de Ribeiro, esses elementos comuns receberam um tratamento pictórico que os torna especiais. Enfim, ele propõe um diálogo intenso entre a obra e o artista, um diálogo permeado por uma rica relação de troca entre as estruturas de madeira que ofereceram suporte para obra.
Cada uma carregada com suas histórias diversas e particulares, que remetem às lembranças de pessoas, lugares e momentos marcantes em sua trajetória como artista, como homem que produz e se alimenta da arte. Acréscimos pictóricos através de pinturas e pigmentos executam o resultado final.

“Cascas e Facas” - A dupla mostra de Luciano Ribeiro e Adriana Drummond está em cartaz na Galeria Sobrado Ramalho - Iphan (Rua da Câmara, 124, Tiradentes). Visitas das 9 às 19 horas, diariamente.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

02.04.2007