De pai para filha



FOTOS: GUSTAVO DE OLIVEIRA


Talento em família: acrílica sobre madeira (1) de Letícia Guimarães e, abaixo, escultura em madeira (2) do mestre Paulo Coelho, em cartaz na mostra de aniversário de fundação da galeria Agnus Dei




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A junção de duas individuais, com esculturas e objetos de Paulo Coelho e pinturas de Letícia Guimarães _ leia-se pai e filha _ resulta na mostra de aniversário de fundação da galeria Agnus Dei. São obras inéditas dos dois expositores que trafegam pela arte contemporânea.

Paulo Coelho, engenheiro, desde sua aposentadoria cria esculturas, objetos e instalações, com fortes influências dos seus conhecimentos em nível de engenharia. São obras inéditas que trafegam pelo tridimensional, utilizando-se de materiais insólitos, de resíduos industriais-vegetais e mármore a ferro e madeira prensada. Letícia Guimarães apresenta pinturas de diferentes formatos, ora explorando o geométrico ou então o expressionismo abstrato. A dupla exposição, de caráter itinerante, posteriormente será exibida em Amsterdã e Londres. Letícia, da mesma forma que o pai, mapeia diferentes fases da produção, dialogando de maneira prática e objetiva com o espaço e as propostas do seu companheiro de dupla mostra. A exposição fica em cartaz até o dia 7 de novembro, na Agnus Dei (Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes). Visitas de 9 às 18 horas, de segunda a sexta, e aos sábados, de 9 às 13 horas. Recomendamos com entusiasmo. Mudando de conversa: O Vale do Jequitinhonha passa a maioria parte do ano sob um sol escaldante que retorce árvores e seca as folhas. As cachoeiras passam maior parte do tempo com as pedras expostas, com água apenas nos poços. Os rios se transformam em filetes de água, quando não secam completamente. Tal cenário é mote para as artistas Lira Marques e Zefa de Araçuaí, que se utilizam da argila como principal matéria-prima. Lira, além de cantora e de trabalhar na preservação musical regional, iniciou sua carreira de ceramista nos anos 1970, ao retratar as esperanças e os desesperos do povo diante da seca. Zefa, 84 anos, sergipana de nascimento, diz que se aposentou porque seus braços e suas mãos já não têm força para arrancar da madeira suas fortes figurações. A abertura da dupla mostra de Lira Marques e Zefa de Araçuaí acontece nesta-quinta às 18h30, na Galeria de Artes do Sesc (Rua Tupinambás, 956, Centro). Outras propostas delas e de artistas da região do Vale podem ser conferidas aos sábados e domingos, no Centro de Artesanato Mineiro, no Palácio das Artes, como parte integrante da Feira de Arte e Artesanato.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


02.11.2009