Tradicional remoçado

Pintura-objeto da nova safra de Marcus Amaral (FOTO DIVULGAÇÃO)

O Centro de Cultura de Belo Horizonte abriga a exposição de máscaras “Personada". Criadas pelos artistas Cláudio Marcoh e Sandra Mariá, as peças foram criadas a partir da técnica em papel-marchê, se utilizando de materiais os mais variados.
“Personada" significa feitio de máscara, cuja etimologia é proveniente do vocábulo italiano maschera. No teatro, a utilização de máscaras vem sendo feita desde a Grécia Antiga, tanto para imitar o personagem representado quanto para servir de aparelho amplificador da voz.
Posteriormente, máscara passou a significar personagem, pessoa, que tem origem etimológica do latim persona. A idéia da exposição é proporcionar aos visitantes uma viagem lúdica, descortinando mitos internos e externos de cada um.
Das pequenas máscaras desdobradas às instalações, as obras vêm recheadas com materiais como terra, piaçava e tecidos. Sandra Mariá e Cláudio Marcoh surpreendem e inovam com esta técnica milenar. Ela é artista autodidata é professora de teatro em instituições de Belo Horizonte; integra o Grupo teatro híbrido Imaginário. Ele é ex-aluno do Teatro Universitário e participou de grupos teatrais como Parlendas Companhia teatral e Grupo teatro negro e atitude. Além disso, é coordenador do Projeto Mecenas Empreendedoras e e integra o espetáculo “Catamitos".
Paralelamente à exposição, curta-metragens dedicados aos “Povos Indígenas do Brasil" _ visando aprofundar a visão sobre estes povos sobreviventes ao massacre físico e cultural _ estarão sendo exibidos pelo CCBH.
A mostra integra o Projeto Mecenas Empreendedores, que propõe o marketing cultural, através de mecenato, via pequenas e microempresas.
Por sua vez, a galeria de arte Pic-Cidade, enquanto não inaugura seu calendário 2003, praticamente apresenta pintores que integraram o calendário do ano passado em coletiva, começando com “Noturnos de Ouro Preto", de Anderson Braga, passando por marinhas de Chanina, a flora surrealista de Gilberto Schaffer e “Visões D'África" de Lena Poinha.
Os destaques maiores são Lamartine Leite e Marcus Amaral. O primeiro, com suas releituras de obras de Picasso. As figuras humanas sempre fizeram parte da trajetória artística do Lamartine. Agora, com ironia e composições cubistas, ele usa e abusa das principais obras do mestre maior.
Já Marcus Amaral, mal encerrou sua individual no Pic-Cidade, agora emenda outra, com novidades em termos de técnica e tendência. Ele pesquisa matérias - como lâminas e alumínio - inusitadas, de que resultam recortes e formas agrupadas em nível de pintura-objeto e nos limites da pintura geométrica e do objeto box-form.
Participam também da coletiva: Heleno Nunes, com “Moça da Roça", também cubista, nos limites do popular e do erudito; Lincoln Ferreira, com esculturas e espirais; Luma Ramos, com “Ginasta", escultura figurativa, e Ribeiro de Sá, que trafega pela escola inglesa do século XIX.

“Máscaras" _ Mostra de Cláudio Marcoh e Sandra Mariah, no Centro Cultural Belo Horizonte (Rua da Bahia, 1149, Centro). Visitas de 9 às 18 horas, de segunda a sábado, e aos domingos, de 14 às 18 horas. Até dia 28. Pinturas _ Coletiva na galeria Pic-Cidade (Rua Cláudio Manoel, 1185, Funcionários). Visitas de 8 às 23 horas, de segunda a sábado. Até 9 de março.

Morgan da Motta
24.02.2003