Cor e Cosmo



01. Óleo, massa e carvão s. madeira s. Tela de Marcos Duchen
02. Pintura de Inspiração Cósmica de Mônica Mendes
03. Escultura objeto de Chico Baumecker

Foto: 2, 3 por Daniel Mansur

VISUAIS Exposições realçam o abstrato e os elementos filtrados da natureza


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A galeria de Arte do BDMG Cultural dá seqüência ao calendário 2006, com a individual do multimídia Marcus Duchen, a ser inaugurada amanhã. Sob o título "Cosmicidades", o arquiteto e artista plástico apresenta o resultado de longo período de reflexões sobre a forma de expressar-se em termos da representação abstrata. São, na sua maioria, propostas criadas em óleo, massa e carvão sobre madeira, convidando o público para uma viagem de intropecção e, ao mesmo tempo, de subversão. Sua fase atual situa-se nos limites do compreensível e do abstrato.

Por outro lado, trata-se de convite à dicotomia de luzes e sombras, formas e impressões. O jornalista, escritor e historiador Frederico Mendonça de Oliveira assim escreve sobre o que há de mais recente criado por Duchen: "Marcus maneja um admirável convívio de oposições. A luz ocorre, simples e aflorando eventual, de graves e dominantes profundidades. O discurso flui com leveza através de amplos campos de quase negação da cor. Impõe-se uma dança torturada de imóveis essências e de sutis liberações". Paulistano de 32 anos, Duchen formou-se em 1991, na Escola Panamericana de Arte de São Paulo, onde ingressou com apenas 17 anos.

Dois anos mais tarde, mudou-se para Alfenas , no sul de Minas, onde mantém seu ateliê. Ele é professor de História da Arte na Fundação Educacional de Machado. Outra atração é a junção de duas mostras, as individuais de Mônica Mendes e Chico Baumecker, na Galeria Lemos de Sá. Marido e mulher, graduaram-se em Artes Plásticas pela Fundação Escola Guignard em 2000 e 2001, com pós-graduação em pesquisa no campo das artes plásticas, na mesma escola. Os resultados apresentados na mostra vêm do próprio ato de pintar, ou seja, a sobreposição de camadas. Mônica trabalha com situações aglutinantes; por exemplo, a decantação da matéria, a depuração, a extração do que há de mais essencial em cada um desses processos. Chico Baumecker tem história pontuada por sua formação na escola Técnica da Universidade Federal de Minas Gerais e a passagem pela Fuma, onde cursou Desenvolvimento de Produtos e Artes Visuais e Artes Gráficas.

Ele trafega por propostas que pairam nos limites da escultura e do objeto de parede, procurando na madeira os veios que conduzem o olhar e constroem a forma, através de vazados e compactos relevos. Fechando o cardápio da semana, Toshiko Ishii, referência maior em termos de cerâmica no Brasil, tem lançamento de seu livro "A Poética de Toshiko Ishii", amanhã, no Minas Tênis Clube, onde estará em display a síntese de toda sua trajetória. Ano passado, uma retrospectiva de Ishii foi destaque na Grande Galeria do Centro Cultural Usiminas, em Ipatinga. Recomendamos, com entusiasmo, a mostra e o livro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

03.04.2006