Spray com talento





FOTOS: DIVULGAÇÃO/MM





Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A junção de duas individuais, dos artistas plásticos Alexandre Rodrigues e Daniel Bilac amanhã, na Galeria de Arte Copasa, resulta na duplamostra “Eu não sou feito de ouro”.Por sua vez, a coletiva “Onde a água encontra a Terra” que tem abertura na sexta-feira no Centro de Arte Contemporânea e Fotografia da Fundação Clóvis Salgado (antiga galeria centro do Unibanco em Belo Horizonte), sob a curadoria de Paulo Herkenhoff, do trio que trafega pela fotografia: a norte-americana Carol Armstrong e dos brasileiros FernandoAzevedo e Leonardo Kossoy. E, encerrando as intervenções e instalações de Severino Iabá, criadas e apresentadas dia primeiro demaio, em Brasília. Vamos lá. Interessados emlidar commateriais considerados semvalor para se expressarem, Daniel Bilac, por exemplo, fazdesenhos empapéis velhos, desgastados e pedaços de cadernetas antigas. Já Alexandre Rodrigues (cujo trabalho em spray sobre parede ilustra esta página), que mistura aosdesenhos colagens e materiais cotidianos como molho inglês, vinagre, limão e até café têm vernissage a partir das 19 horas de amanhã, terça-feira, na Galeria de Arte Copasa. Enfim, são projetos e ideias registrados em pequenos cadernos e folhas soltas de papel. A simplicidade é o ponto principal de nossa obra. Ao usar materiais ordinários, criamos contradições nos sistemas de valor”, explica Daniel. A realidade é maleável. É o sentimento que determina nossa percepção do mundo e o valor que damos ao que vemos” completa Alexandre. Há semelhanças nas propostasvdadupla.Osdois fazemvusovdasvpalavras. Alexandre escreve frases, textos, reflexões a respeito domundo evda vida. Daniel escreve letras, palavras, frases curtas. São aberturas para o universo poético que lhes interessa mostrar. Por fim, Daniel Bilac é de Belo Horizonte, tem 23 anos e estuda Artes Visuais na EBA da UFMG, enquanto que Alexandre Rodrigues tem 29 anos e é formado em Artes Plásticas pela Escola Guignard da UEMG. Fica em cartaz na Galeria Copasa até o dia 30, à Rua Mar de Espanha, 5225 – SantoAntonio, com visitas das 8 às 19horas incluso aos sábados e domingos. O Centro de Arte Contemporânea e Fotografia da Fundação Clóvis Salgado abriga a partir de sexta, dia 7,a coletiva “Onde aÁgua encontra a Terra”, com imagens registradas pela fotógrafa norte-americana Carlos Armstrong e fotografias dos brasileiros Fernando Azevedoe Leonardo Kassoy. Com curadoria de Paulo Herkenhoff, o evento discute uma nova perspectiva para a abordagem da fotografia. As 53 obras estabelecem nexos da presençada água na fronteira com a terra, marcantes na produção de cada um deles. Rio, mar, oceano, chuva, piscina ou poça. Praia, muro, ilha, ponte, represa, piscina ou calçada. Visa antes de tudo, dar sentido a cada imagem e ao conjunto delas, passando pela filosofia, pela literatura e pela história da arte. O projeto da coletiva surgiu no início de 2007, quando Fernando Azevedo, Leonardo Kossoy e Carol Armstron se reuniram em Nova Iorque para discutir uma exposição que também se desdobrasse em uma discussão das relações entre imageme teoria da cultura. De caráter itinerante, já passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo antes de chegar a Belo Horizonte. Carol nasceu em Nova Jersey e é professora de história da arte da Universidade de Yale (USA). Já Fernando Azevedo nasceu no Rio e é mestre em filosofia pela Universidade de Nova Iorque.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


03.05.2010