Vôo livre

Aeroporto Internacional ganha painel assinado pelo artista plástico Fernando Pacheco

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Hoje, a partir de 11 horas, os passageiros que transitarem pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, terão uma nova perspectiva do verbo viajar. Na área de desembarque internacional estará o painel de Fernando Pachedo. A pedido da Infraero, ele criou «Voar», que tem 16 metros de comprimento, 1,60 de altura e 25,6 metros quadrados de pintura sobre tela.
O trabalho é livre, desenvolvido dentro da linguagem e universo do pintor. O amarelo é a cor predominante; porém, a vibração de todas as cores utilizadas é de intensa energia.
Lúdico e rico, o painel é povoado pela figuração diversificada e composta por figuras humanas distintas. Cães, objetos múltiplos, piano... O mote principal é a viagem, simbolizada pelas pequenas malas pintadas, contendo inscrições.
Mineiro de São João del-Rei, nascido em 1949, autodidata no início da carreira, Pacheco freqüentou vários ateliês livres em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, antes de optar pela pintura. Ele participou do Atelier Livre Escola de Arte de Arlinda Corrêa Lima, uma referência na cidade, aluna do mestre Guignard e responsável por um espaço de criação livre e coletiva, depois de estágios na Alemanha.
Pacheco considera que seu projeto visa, «antes de tudo, humanizar o espaço físico do Aeroporto, que naturalmente é fechado em termos de regras, horários e sistemas comportamentais rígidos». Para ele, trata-se de «espaço pictórico e poético, aguçando a percepção, a criatividade, despertando sonhos, desejos e fantasias».
O desenho e a pintura sempre foram a base e ponto de partida da trajetória de Fernando Pacheco. Por outro lado, dentre os que integram o núcleo da chamada Geração Intermediária, ele é, sem dúvida, um dos mais conceituados nomes da arte contemporânea mineira e, por extensão, brasileira, detendo acervo representativo em nível de painéis em coleções particulares e, agora, em espaço público de grande visibilidade.
Do painel, saltam aos olhos a forma, a qualidade técnica aliada à temática expressionista, com ressaibos surrealistas. A idéia é abordar a aproximação de várias vertentes numa única proposta, monumental. Além disso, trata-se de apresentar conceito mais flexível da linguagem, a fim de atingir todos os públicos que trafegam pelo Aeroporto.
O painel que será incorporado ao acervo do Confins foi patrocinado pelo empresário e colecionador Ramaya Vallias, que assim se expressa: «É de extrena importância para a sensibilidade de uma empresa, sendo que torna-se na verdade uma obrigação».
Desde a década de 80, quando de sua inauguração, ao aeroporto de Confins foram incorporadas obras de Ricardo Carvão Levy, Amílcar de Castro e Álvaro Apocalypse, e somente agora a prática se repete.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

03.06.2006