VISUAIS

Leandro Gabriel, Eymard Brandão & Carlos Carretero



FOTOS: DIVULGAÇÃO/SAMUEL MARTINS/DIVULGAÇÃO


1 - Leandro Gabriel e escultura de produção recente em cartaz na galeria da Biblioteca, Praça da Liberdade 21

2 - Proposta recente de Eymard Brandão em cartaz no Museu Puc-Minas

3 - Pintura de Carlos Carretero, talento ibero-brasileiro.



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa vai abrigar a exposição de escultura intitulada “Voltas, revoltas e mais voltas” do artista plástico Gabriel dia 6, onde fica em cartaz até o dia 31 de dezembro. A propósito, vernissage vai ser às 19 horas da segunda-feira. O desdobrar da produção das esculturas criadas pelo pós-graduado em Arte e Educação, nascido em 22 de janeiro de 1970 e natural de Belo Horizonte, pode ser dividida em três fases distintas: argila, madeira, e ferro. Atualmente, ele faz uso de sucatas de ferro (leia-se resíduos industriais) para criar o que há de mais recente de suas propostas.

Leandro surgiu para a arte contemporânea mineira e, por extensão brasileira, depois de integrar exposições coletivas sob nossa curadoria, exemplos, a coletiva do ResumoHOJE e, logo em seguida coletivas no Museu de Arte Moderna de Brasília e no Museu de Arte Contemporânea da USP, no Parque Ibirapuera em São Paulo. O que há de mais recente de toda sua produção discute visualidade versus espacialidade desdobradas em esculturas e incluso umas poucas instalações. Sem dúvida, ele é destaque entre aqueles artistas contemporâneos que trafegam pelo Tridimensional. Além do Resumo Hoje ele integrou todas às edições do Tridimensional na Arte Contemporânea, sob nossa curadoria, em Ipatinga, São Paulo e Brasília, sendo por duas vezes no Museu de Arte Contemporânea da Universidade – MAC USP – de São Paulo.
Recomendamos com entusiasmo o que há de mais recente, incluso a foto do trabalho que ilustra esta página.


Eymard Brandão no Museu Puc


O projeto Arte Em Resíduos, sem dúvida, um trabalho de pesquisa e desafio extremamente rico em possibilidades, lidando especificamente com novos materiais integrados às artes plásticas e suas respectivas funções sociais. Diga-se de passagem não somente para pinturas, desenhos, instalações e esculturas, mas em um sentido mais amplo, envolvendo diversos aspectos de nossa sociedade; como por exemplo, economia sustentável e ecologia. Este projeto é uma proposta da Fundação Estadual do Meio Ambiente e refirma o potencial dos resíduos de agregar valor, mostrando que é possível produzir a partir deles, inclusive obras de arte. Vemos então, o que era indesejável, descartável e discriminado por muito, adquirir novos valores. E assim, longe de incentivar a produção dos resíduos, o projeto busca antes de tudo, mostrar que este material, por ser tão valioso, não pode ser esquecido.

Com o apoio da Fapemig – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, os resíduos com os quais Brandão trabalhou foram cedidos pela Valourec & Mannesman do Brasil. Tais materiais disponibilizados pela siderúrgica são vários, desdobrando-se potencialmente em criatividade para diferentes áreas das artes e revelando-se novamente em matéria prima. Por exemplo, o grafite que conhecemos desde primeiros rabiscos da infância é mostrado em novas outras formas, da pedra ao pó, e livre da padronização que lápis comerciais oferecem novamente a pesquisa e a criatividade. Das propostas em técnica mista (desenhos e pinturas) dosadas de grande contemporaneidade de Eymard Brandão. Por fim, Eymard vai muito além da pesquisa em torno dos resíduos, ele cria e recria de maneira prática e objetiva com resultados bastante surpreendentes. De caráter itinerante fica em cartaz no Museu PUC Minas, Rua Dom José Gaspar, no Bairro Coração Eucarístico, até o dia 30 de janeiro de 2011. Vistas as terça, quartas e sextas das 8:30 às 17 horas. Aos sábados e feriados das 9 às 17 horas. Vale a pena ver de novo e recomendamos.


Carretero: 50 anos de pintura

No atelier-galeria Carlos Carretero, na rua Antônio Albuquerque, 290, Savassi, o que há de mais recente do pintor espanhol radicado em Belo Horizonte pode ser visto até o dia 23 de dezembro. No momento, está reapresentando suas diversas fases, transitando especialmente entre figuras e as paisagens como destaca a serie ora em display. Pinceladas largas oscilando entre os negros e vermelhos sobre tela branca, continua a ser referência maior no trabalho deste ibero-brasileiro. São paisagens ligeiramente construtivistas, cena de danças flamencas nas tavernas, a bailarina, o guitarrista, tudo relacionado com suas raízes, inclusive vários Quixotes e Sanchos. Por outro lado, há colagens e recortes que sobressaem, de acordo com a vigorosa tradição espanhola. Filho do pintor Angel Carretero, que viveu várias décadas em Belo Horizonte de quem sofreu fortes influências, bem como do ex-Conservador Chefe do Museu do Prado de Madri, Perez Rúbio, outro excepcional pintor espanhol que aqui e no Rio-viveu por vários anos antes de retornar ao seu país onde veio a falecer. Visitas de segunda a sexta das 10 às 20 horas, e, aos sábados das 10 às 14 horas. Vale a pena a ver de novo no seu próprio atelier-galeria em plena Savassi.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco - Paris.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mails: contato@morganmotta.com e mmotta@morganmotta.com

Aguardem Twitter em fins de dezembro ou início de janeiro


03.12.2010