A metamorfose da arte


Estandarte-objeto, de Marcelo Brant (foto divulgação)

Dois espaços alternativos, os das galerias BDMG e Travessa, inauguram amanhã seus calendários de 2005.
No BDMG, a exposição intitulada “Metamorfoses" é a primeira individual, no Brasil, do escultor Geraldo Nascimento. Mineiro de São João del-Rei, 63 anos, Nascimento faz desta mostra um tributo à sua matéria-prima: a madeira. Realizadas paralelamente às obras mais conhecidas do escultor - formas orgânicas que se caracterizam pela sensualidade dos volumes, curvas e texturas e que têm como referência maior o corpo humano, surgiram as peças de madeira desses trabalhos.

Resultado do precário e perecível, as esculturas se transformam conforme o olhar e o toque do espectador, que é chamado a interagir com a obra. Instáveis, efêmeras, as propostas de tal série, como as outras do escultor, se revestem também de caráter lúdico.

As madeiras raras, como o jacarandá preto e a peroba do campo, utilizadas pelo artista em seus trabalhos, são obtidas em depósitos de material de demolição.
Geraldo Nascimento morou na França de 1965 a 1999, onde conviveu e trabalhou com vários e conceituados artistas, casos de Pierre de Grauw (escultor holandês) e Marie Pierre Deuen (escultora francesa). Em 1998, quando de sua primeira individual em Paris, na sede da Unesco, foi reconhecido pela crítica francesa. Em 2000, ao retornar ao Brasil, o escultor se instalou em Belo Horizonte, e tem participado de exposições coletivas.

Na Travessa, Marcelo Brant, também mineiro, de Diamantina, ostenta quinze anos de atividade em artes plásticas. Ele apresenta seus mais recentes trabalhos, inspirados nas festas católicas do interior do Estado, recriando estandartes religiosos com imagens clássicas em roupagem contemporânea, regional e universal.
Usando a força do ícone religioso associada à alegria das manifestações populares, Brant cria imagens de grande impacto visual, já conferidas no ano passado, na individual do Espaço Cultural Cemig. Sua procissão de objetos _ bandeiras de fé, na maioria das vezes _ vem embuída do espírito pop, elaborando propostas de cores fortes em técnica mista: colagem, pintura, costura e bordado constituem a base do trabalho.

A mostra de Marcelo Brant é composta de doze trabalhos que compõem seu cortejo místico, focado principalmente nas imagens de Maria e do Sagrado Coração de Jesus. São obras, temas e fases específicas, nas quais o artista se mostra à vontade, em um de seus universos preferidos.

Fechando o leque da novidades da semana: a escultora Ana Guitel Nigri acaba de retornar de Israel, onde realizou mostras individuais em Jerusalém e Tel Aviv.

Ela pretende levar seus símbolos e signos, associados aos temas da paz e da conscientização ecológica, às galerias de São Paulo e Rio de Janeiro. Suas propostas mais recentes estão no seu site “www.ana.minarts.com".

Algumas das esculturas e objetos apresentados em Israel estão no acervo da Galeria Agnus Dei. ( * Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br. Home Page:www.morganmotta.com).

Geraldo Nascimento _ Vernissage amanhã, na Galeria BDMG Cultural (Rua Bernardo Guimarães, 1600, Lourdes). De segunda a sexta-feira, de 10 às 18 horas. Até 8 de abril. Marcelo Brant _ Vernissage amanhã, na Galeria Travessa (Rua Pernambuco, 1286, Savassi). De segunda a sexta, de 12 às 22 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até o dia 31.


Morgan da Motta
14.03.2005