A volta de Lazzarini


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“JB Lazzarini - Igual, mas Diferente" é o título da mostra individual do artista, que apresenta, na galeria Momo, 22 trabalhos em acrílica sobre tela, todos produzidos este ano.

Trata-se de proposta bastante homogênea e consistente, onde telas se fundem umas com as outras, cada qual preservando suas características próprias. A cor é elemento essencial.

As composições recheadas de formas geométricas contam uma história _ história colorida, que passa por bandeirinhas, montanhas, árvores e casas, povoadas por pássaros, bois, gatos, caras e o que mais for possível encontrar ou descobrir nos espaços estanques que sugerem embaralhamento à primeira vista. Há nesta história algo que nos convida a viajar em seus labirintos de retas e curvas, num passeio do olhar, da procura.
Em dezembro último, JB Lazzarini realizou a exposição “Grande Sertão Veredas", inspirada na obra de Guimarães Rosa, na Galeria Sandra Rezende, em Vitória. Ele também realizou o cenário para o show especial de fim de ano do músico Célio Balona, que comemorou os 20 anos da Rede Minas. Além disso, produziu a pintura da capa do CD do grupo Zé da Guiomar Samba e Bossa, a ser lançado brevemente em Belo Horizonte.

Revelado no Resumo HOJE, promoção do jornal HOJE EM DIA sob nossa curadoria, o artista, sem se desligar de sua tendência pop do início da carreira, apresenta desdobrar coerente que paira nos limites da pop art, fazendo contraponto com composições geometrizantes.

Enfim, ele parte do popular e alcança o erudito.
Por sua vez, Cláudio Rodrigues, natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul (onde nasceu em 1955 e graduou-se no Curso de Desenho Industrial da Universidade Federal), em sua nova individual apresenta 15 pinturas em acrílica sobre telas de tamanhos variados. Ele retrata figuras humanas, na maioria das vezes mulheres, sempre com tendências expressionistas.

São mulheres e mais mulheres na visão do artista, nas telas maiores quase que retratos, partindo do expressionismo e alcançando figuras ligeiramente cubistas.

No catálogo, assim se expressa Nini Barontini: “Meu primeiro contato com as obras de Cláudio Rodrigues foi em 2001, e confesso minha surpresa ao me deparar com uma linguagem lúcida, sensível, altamente comunicativa e rica de significado. Suas figuras femininas, com imensos olhos contemplativos, nos envolvem e nos chamam a participar de maneira ativa e poética, com uma sensibilidade enorme, das coisas comuns do dia-a-dia. As paisagens sempre vêm enriquecidas por figuras humanas que ou trabalham, descansam num por de sol, ou contemplam algo ao longe, mas sempre unidas entre si, quase como numa cumplicidade afetiva e calma que nos tranqüiliza e mergulha numa profusão de cores que vão do branco até os mais lindos azuis".

De Minas para São Paulo: na faixa dos alternativos, merece registro especial a individual no Espaço Cultural Maria Bonita, na capital paulista. A Maria Bonita tem como tradição acompanhar a evolução das artes plásticas. Ao longo do tempo, foi amadurecendo a idéia de como proporcionar a convivência entre arte e moda. Daí, no projeto da arquiteta mineira de Belo Horizonte Freusa Zechmeitster para a loja da Rua Oscar Freire, foi incluído um andar dedicado a exposições de arte.

A partir de 2004, o Espaço Maria Bonita iniciou programação regular de mostras de arte contemporânea. Lúcia Koch e Albano Afonso foram os artistas selecionados para dar início à programação do Espaço. A proposta da curadora Evangelina Seiler é convidar artistas para realizar exposições temporárias, concebidas especialmente para o local. Nesse processo, a sala de exposições é utilizada pelo artista como extensão de seu ambiente profissional.

No momento, Janaina Tschape, com suas propostas minimalistas e conceituais, sente-se à vontade no local, que lembra um ateliê.

JB Lazzarini _ Na Galeria Momo, no mezzanino da confeitaria do mesmo nome (Avenida do Contorno, 6081, Savassi). Diariamente, de 10 às 22 horas. Até 21 de abril. Cláudio Rodrigues _ Na Galeria Espaço Clean (Rua Alagoas, 438, Funcionários). Visitas de segunda a sexta-feira, de 9 às 19 horas, e aos sábados, de 8 às 12 horas. Até 16 de abril.


Morgan da Motta
28.03.2005