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SUPORTES da fotografia: criações de Fábio Carvalho (1), da dupla Nélio Rodrigues e André Fossati (2) e de Albano Afonso (Fotos Divulgação)

Duas mostras de arte fotográfica pretendem chamar a atenção do público em termos de novas tecnologias e tendências do fotojornalismo.
Na galeria Léo Bahia, Albano Afonso, Alex Cabral, Fábio Carvalho e Frederico Câmara estão em cartaz. O paulista Albano Afonso apresenta série inspirada na luz e no movimento, tão estudados ao longo da história da arte. Afonso faz com que o fotógrafo e sua câmara sejam protagonistas da obra, refletidos no espelho. O resultado é a desmistificação de seu processo de trabalho. Além disso, uma maneira inusual de compor auto-retratos.
O artista, cuja obra está exposta também em Madri, tem agendadas individuais no Porto (Portugal) e em São Paulo (Galeria Triângulo, que insiste em ser uma galeria vanguardista).
Alex Cabral, nascido em Santos, vive e trabalha em Curitiba. Ele se faz presente com série de 42 fotos de 10 x 15 centímetros cada, trafegando pelos objetos presentes em seu cotidiano, como grafismos, bustos de praças e até horizontes. Alex opta por fotografar os postes, que são objetos mais “anônimos" e que fazem parte do cotidiano de qualquer pessoa.
Todas as imagens passaram pelo mesmo processo: a câmara foi acoplada ao poste, de maneira que o fim do poste ficasse no centro do campo fotográfico. Assim, foram batidas duas fotos, uma com o foco no máximo, outra com o foco no mínimo. O copião negativo foi refilado e as duas fotos colocadas de modo que o encontro entre elas ocorresse na base do poste.
Fábio Carvalho, o best-seller do conjunto, vem se dedicando ao estudo e à prática das artes plásticas. Situação recorrente em suas obras são questões ligadas à passagem do tempo, memória e indícios e rastros deixados por indivíduos em seu cotidiano. Enfim, seu trabalho parte de imagens fotográficas, que muitas vezes fazem parte de seu arquivo pessoal.
Frederico Câmara, mineiro formado pela Escola de Belas artes da UFMG, vem complementando sua formação na Alemanha, Canadá e Estados Unidos. A última vez que apresentou suas propostas em Belo Horizonte foi em 2002, no Palácio das Artes, durante o lançamento do Projeto Rumos Visuais do Instituto Itaú de São Paulo.
Até meados de 1996, Câmara trabalhava com gravura, desenho e pintura. Com sua mudança para Nova Iorque, acabou adotando a fotografia para resolver problemas práticos, como falta de espaço, e para reformular seu processo criativo, em que buscava realizar processo mais significante, ideologicamente, e de acordo com as chamadas novas mídias. Daí, em suas fotografias podemos identificar questões relacionadas à pintura e escultura.
Ao contrário dos expositores comentados acima, propostas realizadas por artistas plásticos, os fotógrafos profissionais Nélio Rodrigues e André Fossaiti acompanharam as posses de Collor e Lula, do que resulta mostra no Minas II. Tratou-se dum desafio à equipe da 1º Plano Agência de Imagens, da qual Fossati é editor.
Fugindo do preto-e-branco, eles trazem, em “Imagens da Mudança", cenas deste trabalho de ângulos criativos. O conjunto deve resultar em livro e série de gravuras devidamente numeradas e assinadas.
Sem dúvida, trata-se do fotojornalismo elevado à categoria de obra de arte _ processo em curso há décadas, na Europa e nos Estados Unidos.

Albano Afonso, Alex Cabral, Fábio Carvalho e Frederico Câmara _ Na Léo Bahia Arte Contemporânea (Avenida Raja Gabaglia, 4875, Santa Lúcia). Visitas de segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até 5 de abril. Nélio Rodrigues e André Fossati _ Na Galeria Minas II (Avenida Bandeirantes, 2323, Serra). Visitas de 10 às 22 horas, inclusive aos sábados e domingos. Até o dia 27 de abril.

Morgan da Motta
31.03.2003