Hermes e Gerchman


FOTOS: DIVULGAÇÃO


MESA, Formiga, Mesa Provençal e Armário (1, 2, 3, 4) do catálogo Hermes, e serigrafia (5) de Rubens Gerchman




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

De agora em diante, não vai ser necessário se deslocar até o fim da Avenida Cristiano Machado (bairro Floramar), a fim de ver o que há de mais recente da tradicional Marcenaria Hermes, do artesão Hermes Souza Costa. A fim de facilitar o acesso dos clientes e demais interessados, sob a denominação “hermesebanesteria”, um show-room foi instalado na Rua do Ouro, na Serra.
Atuando há mais de 40 anos no mercado nacional e, recentemente, no internacional, ele e o filho estudante de Arquitetura, Fabrício Costa, são os responsáveis pelo design dos móveis. As peças produzidas trazem a maestria das formas inovadoras, técnicas particulares de execução e a riqueza da matéria prima.
Descendentes de portugueses e italianos, os Souza Costa, resultantes de várias gerações de artesãos, alcançam o design através de linguagem própria e inventividade. Bastante conhecidos dos mais variados públicos através de edições da Casa Cor em Belo Horizonte e no eixo Rio-São Paulo. As fotos que ilustram a matéria, do catálogo da empresa, dão uma verdadeira dimensão dos produtos pela beleza, funcionalidade e contemporaneidade.
Mudando de conversa, eis um adeus a Rubens Gerchman. Falecido no início da semana, em São Paulo, um dos pioneiros da vanguarda brasileira dos anos 60 e dos desdobramentos da arte contemporânea, ele deixa um grande vazio. Gerchman morreu aos 66 anos, dos quais se dedicou às artes visuais desde os 15. Nosso primeiro contato com ele foi na Grande Galeria da Reitoria da UFMG, no início das década 60, quando a crítica Mari’Stela Tristão era curadora do espaço que, antes do surgimento do Museu da Pampulha e da Grande Galeria do Palácio das Artes, era onde os grandes programas vanguardistas e contemporâneos aconteciam.
Depois, no início da década 70, no seu ateliê em Nova Iorque, onde tomamos conhecimento pela primeira vez de arte e ecologia, e ouvimos falar repetidamente de poluição, se preferem. Aqui, abro um parênteses: ele, que ao lado de Antônio Dias, Roberto Magalhães e Hélio Oiticica, era o mais conceituado nome da vanguarda carioca, e se prontificou a nos receber no dia seguinte da solicitação, ao contrário de Hélio Oiticica, estrelíssimo e temperamental, que só nos atendeu ao retornar da Europa.
O criador do parangolé, que vivia no miolo do Bairro boêmio e intelectual do Village, próximo do gueto gay da Christofer Street, ao saber que havíamos visitado e escrito sobre o Gerchman antes dele, quase nos enxotou daquele encontro que seria um drink, seguido de entrevista e arrematado com almoço num daqueles famosos dinners do Greenwich Village.
Depois de um grande período, ano passado reatamos o contato e a amizade, depois de individual no Murilo Cunha Escritório de Arte, aqui em BH. Agora fica sua obra, em pinturas, desenhos, objetos em acervos como o do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e do MAM de São Paulo, sem contar acervos particulares do Rio, de São Paulo e incluso o casal colecionador Regina-Delcyr Antonio da Costa, aqui em Belo Horizonte, que tem obras da série “Desaparecidos” e serigrafia da famosa Lindonéia, do subúrbio do Rio de Janeiro, espécie de monalisa cabocla.
As séries das Misses, dos jogadores de futebol, das propostas tridimensionais no estilo box-form, justificam o título de um dos principais nomes da vanguarda brasileira.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

04.02.2008