Toque feminino

01 - O Óleo sobre tela de Niura Bellavinha (foto Daniel Coury)
02 - Faça Você Mesmo - Luvas de renda, Mara Martins
03 - Sem Título - Série Nuas de Cristina Salgado
04 - Emilia IV - Camille Kachani


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Niura Bellavinha retorna a Minas depois de incursões e do êxito duradouro no eixo Rio-São Paulo e no exterior. Queridinha de nove entre dez críticos de arte, ela retorna de maneira triunfal às suas raízes, em nome de trajetória prolífica, tanto na prática da pintura como nas pesquisas, sem se desligar totalmente de sua mídia principal: a pintura, às vezes migrando para a arte conceitual.

Niura Machado Bellavinha nasceu em Belo Horizonte, em 1962. Especializou-se em pintura, escultura e litografia na Fundação Escola Guignard. Estudou Antropologia e Estética e freqüentou os cursos de gravura da UFMG. Também cursou o ateliê livre de Amílcar de Castro. Em 1985, mudou-se para o exterior, onde fez vários cursos, como o da Parsons School of Design de Nova Iorque. Em 1989, foi orientada à pintura por Iberê Camargo.
Os megapainéis de Niura, alguns com três metros, causam impacto. É uma obra que reflete sua obsessão por experimentar continuamente, explorando os limites da pintura. Na mostra há uma única instalação, na fachada da galeria, utilizando-se de água e fumaças, explorando o conceitualismo de maneira brilhante, sem cair no banal.

Outro destaque das galerias belo-horizontinas remonta aos anos 60 e o filme “Os Cafajestes", em que Norma Bengel apresenta o primeiro nu frontal nas telas. Trata-se da coletiva do quarteto Camille Kachani, Cristina Salgado, Mara Martins e Victor Arruda.
Camille Kachani e Cristina Salgado expoem seus personagens de maneira até certo ponto velados. O mesmo não se pode falar de Mara Martins e Victor Salgado, que dão vazão a propostas em torno do sexo explícito.

Cristina trafega nos limites ou na fronteira entre escultura e objeto e até certo ponto assemblages, com seus seios e sapatos versus corpos-assemblages e mais sapatos.

Camille revela o velado, transformando-o em explítico, através da superposição de uma lupa sobre pequenos e eróticos detalhes.

Mara, com seus livros-objetos em porcelana, visualiza seus prazeres e frustrações amorosas. O Kama Sutra praticamente fica no chinelo.

Victor Arruda, com sua pintura vigorosa e expressionista, explicita o sexo numa série e o encobre ou deixa velado em outra, e a virtude fica no meio...

Niura Bellavinha _ Na Manoel Macedo Galeria de Arte (Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates). De segunda a sexta, de 9 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até o dia 16. Camille Kachani, Cristina Salgado, Mara Martins e Victor Arruda _ Na Galeria Murilo Castro (Rua Benvinda de Carvalho, 60, Anchieta). De segunda a sexta, de 10 às 20 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até o dia 12.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

04.07.2005