Pinturas em evidência


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Pintura (1) de Ruy Souza Filho, têmpera (2) de Daniel Bilac, esculturas (3) de Fátima Santiago e pintura “Minas são muitas” (4) de Yara Tupinambá



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O roteiro de Artes na Semana tem a dupla mostra de Ruy Souza Filho e Daniel Bilac, na Galeria BDMG Cultural, e a Coletiva no Espaço - galeria de arte - Cultural do Ouro Minas Palace, no programa paralelo do 1º Congresso Jurídico, programado para o período de 7 a 9. A primeira tem vernissage amanhã; a segunda - mostra relâmpago - será em apenas três dias, quinta, sexta e sábado.

A junção de duas individuais resulta na dupla mostra de Daniel e Ruy, que tem vernissage amanhã, de 20 às 22 horas. O primeiro reúne uma coletânea de pintura e as chamadas “quase pinturas” realizadas a partir da experimentação de procedimentos técnicos aglutinantes ou diversos que não objetivam criar uma narrativa direta para o olhar, no entanto, propor itinerários subjetivos pelos quais a imagem se constrói numa constante mescla de signos e símbolos que se criam e se decompõe na plasticidade do processo em si. Suas pinturas levam o espectador a refletir acerca da memória e da ficção das propostas, compostos por camadas, colagens e carimbos que deixam indícios de verdades e de uma usura diferente daquela realizada pelo tempo real.
Por sua vez, “Tudo que é Sólido”, de Ruy Souza Filho, visa, antes de tudo, apresentar uma nova leitura sobre a representação espacial e suas relações - luz, volume, cor, texturas, formas - e analíticas - em termos de perto, longe, cheio, vazio, orgânico ou sintético.
Através de pinturas atuais, o artista busca soluções composicionais que possibilitem conduzir o olhar do espectador e revelar o desenvolvimento da própria pintura, desfazendo o que foi feito, adicionando camadas sobre camadas, até encontrar a identificação do objeto e suas representações mais plausíveis.
Daniel Bilac nasceu em Belo Horizonte, em 1986, e está se graduando em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG. Ruy Souza Filho, nascido no Rio de Janeiro, atualmente trabalha como diretor de arte, ilustrador e editor de arte para empresas de comunicação e entretenimento em Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Ele concluiu bacharelado em pintura pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
Os trabalhos do dois artistas podem ser vistos na galeria de arte do BDMG Cultural, à Rua da Bahia 1600, aberta à visitação de 9 às 18 horas, exceto aos sábados e domingos, com entrada franca, até o dia 29.
Outra atração na cidade, inspirada em Tomás Antônio Gongaza, a curadora Haydée Muglia organiza a mostra coletiva paralela ao Congresso Jurídico Anamages/Aprobatum, no período de quinta a sábado, na galeria do Ouro Minas Palace Hotel.
Os artistas convidados e selecionados pela Haydée mostrarão Minas, buscando na tradição e essência mineira e na criação de nossa diversidade. Veremos desde a pintura de signos e símbolos mineiros, de Yara Tupinambá, ao aço de Minas nas esculturas de Fátima Santiago e Helena Neto, passando pelos cenários dos objetos criador por Willi de Carvalho, às caixas com santos de Maria José Medeiros, às celebradas esculturas de Maurino Araújo, aos bordados mineiros, na criação de Maria Amelia, às palmas de Sabará de Dirleia Peixoto, às figuras em cabaça criadas por Gina Caleghini.
São artistas de diferentes gerações que trafegam pela arte contemporânea mineira através de variados suportes.

A mostra coletiva e relâmpago pode ser apreciada de quinta a sábado no espaço expositivo do Hotel Ouro Minas Palace, na Avenida Cristiano Machado, de 10 às 22 horas, sob curadoria de Haydée Muglia.



(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


04.08.2008