No livro e em cores

FAIXAS emblemáticas de César Romero: cores exuberantes, também analisadas na publicação que o artista lança em Belo Horizonte (Fotos Beto Oliveira/CR)

César Romero, um dos mais conceituados artistas contemporâneos da Bahia, tem vernissage e lançamento de livro amanhã em Belo Horizonte, na galeria Agnus Dei.
A inspiração de Romero vem do popular, como é típico no Nordeste. Ele registra as feiras de artesanato, as festas de rua e outras manifestações.
O artista oferece uma fonte inesgotável de pesquisa, que explode nas telas em cores exuberantes e nos desenhos recheados de símbolos e signos religiosos e festivos da cultura afro-brasileira.
Único artista nordestino a ganhar o prêmio “Mário Pedrosa", da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), este baiano, que é dublê de artista plástico e médico, inaugura, às 20 horas de amanhã, sua individual sob o título “Cromutações".
É a primeira vez que Romero expõe individualmente na cidade. Ele que, da mesma forma que Volpi, parte do popular para alcançar o erudito. No mesmo dia do vernissage, o artista lança o livro “César Romero - A Escritura do Brasil", de autoria do crítico paulista Jaocb Klinowitz, que estará presente no lançamento _ e na quarta-feira, a partir de 19 horas, participa, junto com Romero, de debate aberto ao público.
No catálogo da exposição e no livro a ser lançado, assim se expressa o crítico Jacob Klintowitz: “A característica mais notável no trabalho de César Romero é a sua capacidade de se apropriar dos símbolos da religiosidade e da criatividade popular, do fluxo inconsciente do povo brasileiro, e transformá-los numa partitura musical erudita, onde as formas adquirem uma fisionomia de informação vasta, e a estrutura cromática brasileira vai surgindo lentamente, de maneira extremamente sutil".
Klintowitz diz ainda: “Esse trabalho de Romero se diferencia da absoluta maioria que é feito entre nós, porque ele procura, antes de qualquer outra coisa, um referencial que está imerso e emerge da cultura brasileira".
Por sua vez, Nydia Negromonte, 38 anos, artista plástica nascida em Lima, no Peru, naturalizada brasileira, é a atração do momento na Galeria de Arte Manoel Macedo. Há quatro anos sem expor em Belo Horizonte, Nydia apresenta o que há de mais recente de suas propostas.
Bacharel em Artes pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, especializada em desenho e com pós-graduação pela Faculdad de Bellas Artes da Universidade de Barcelona, ela acaba de participar da Feira Internacional de Arte Contemporânea, em Madri, exposição individual em Barcelona, além de mostras no eixo Rio-São Paulo e presença destacada quando da reabertura do Museu de Arte do Paraná.
Entre as sete obras expostas na Manoel Macedo está “Deriva", que participou da exposição de rebertura do Novo Museu, em Curitiba. O trabalho corresponde a 14 mólulos verticais, e cada um desses foi construído a partir da sobreposição e colagem de 40 folhas de papel-arroz, recortadas em formas de ovóides.
Tal procedimento permite uma lenta sedimentação de um volume sobre o papel montado, produzindo uma pequena protuberância na sua superfície. Esses “corpos-interstícios" gravitam em grupos, como se estivessem em expansão ou em busca de um possível novo espaço ou centro. A ordenação serial do suporte na parede reforça a sensação de movimento, de sucessivos encontros e disjunções entre as respectivas protuberâncias.

César Romero _ Na Agnus Dei Galeria (Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes), a partir de amanhã. Visitas de 10 às 18 horas, de segunda a sexta, e aos sábados, de 9 às 13 horas. Até 15 de maio.
Nydia Negromonte _ Na Galeria de Arte Manoel Macedo (Rua Lima Duarte, 158, Carlos Prates). Até o dia 30.

Morgan da Motta
12.04.2004