Passeio pela arte brasileira


FOTOS: DIVULGAÇÃO

1 - CALCINHAS e cuecas de malha de dimensões variadas, segundo Jorge Duarte, na Galeria Murilo de Castro.
2 - EM BUSCA do equilívrio, segundo Marly Pinheiro.
3 - PINTURA de Poteiro, que ilustra capa de “Um Passeio pela Arte Brasileira”.
4 - PINTURA de Maria Helena Lira.



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Depois da overdose de Hélio Oiticica na Bienal de São Paulo e nas galerias da outrora paulicéia desvairada, chegou a hora e a vez de “Vestiu um Parangolé e saiu por aí”, na Galeria Murilo Castro, com o trio Jorge, Edmilson e Marcos. Por sua vez, a Errol Flynn Galeria de Arte oferece itinerância do livro com exposição “Um passeio pela Arte Brasileira”, amplamente ilustrado com obras do cervo do dublê de colecionador e marchand Errol Flynn, que teve lançamento inicial em Brasília, há duas semanas passadas e será lnçado na próxima quarta-feira em BH, na sede de sua galeria. São os destaques maiores na semana. O livro “Um Passeio pela Arte Brasileira” reúne textos de jornalistas e críticos de várias tendências e gerações em 383 páginas ilustradas com reproduções de 87 conceituados artistas da arte moderna e contemporânea brasileira. São obras desde a década de 10, como, por exemplo, "Vaso de Flores" da modernista Anita Malfati, até obras deste ano. São notáveis de nosso modernismo, na sua maioria, fazendo “pendant” com conceituados nomes da arte contemporânea. Há dois núcleos: no primeiro, o foco volta-se para Anita Malafati, Alberto da Veiga Guignard, Amilcar de Castro, Chanina, Enrico Bianco, Fukuda, Inimá de Paula e Yara Tupinambá. O segundo segmento é composto pelo grupo formado por Antonio Poteiro, Carlos Bracher, Cláudio Tozzi, Fernando Luchesi, Fernando Pacheco, Marcos Benjamin, Miguel Gontijo, Mônica Barbi, Orlando Castano, Rubens Gerchmann, Siron Franco e Yutoka Toyota. Trata-se de um recorte que contextualiza o que há de mais representativo da arte contemporânea brasileira.

Na Murilo Castro
Desde o fim de semana, a Galeria Murilo Castro apresenta tríplice mostra de Edmilson Nunes, Marcos Cardoso e Jorge Duarte, que a partir dos “Parangolés” de Hélio Oiticica, fazem releituras em nível do trimensional e conceitual. O trio é composto por artistas que acreditam na arte como instrumento de conhecimento e transformação do mundo. Suas propostas são pequenas engrenagens que articulam com os movimentos da arte, através da precariedade dos materiais, tendo o estranhamento e a surpresa como alentos. Suas obras referem-se diretamente a uma realidade palpável, objetiva, de forte apelo popular, comprometidas com o “imaginário periférico” e suburbano, ao mesmo tempo que se afirmam como elementos de forte sofisticação intelectual. Será???


Em cartaz

Marly Pinheiro, com sua individual “Em Busca do Equlíbrio”, fica em cartaz até o dia 28, na galeria do bar e restaurante Terraço, da Livraria Leitura, no Pátio Savassi. Marly registra no catálogo: “A princípio eram borrões, sem rumos. Aos poucos fui procurando equilibrar minhas emoções, como um bêbado trôpego e sem direção. Senti então que a partir dos traços e linhas retas, estava começando a andar sobre um tênue arame tenso e esticado, cada vez mais sentindo a firmeza no meus pés, no entanto, de coração acelerado”. A artista conseguiu atingir criações neo-concretas que, sem exagero, se aproximam daquelas propostas que fizeram Lygia Clark o maior nome da vanguarda brasileira do final dos anos 50 e início dos anos 60. A coletiva “Presente Inteligente, mostra de Natal”, da Agnus Dei Galeria de Arte, foi outra mostra inaugurada no final de semana. São obras de mais de 50 artistas que integram o acervo da galeria, como Décio Noviello, Yara Tupinambá, Marcelo AB, Atílio Colnago, Carlos Wolney, César Romero, Wanessa Cruz, Mariza Trancoso, Hélio Siqueira, Erli Fantini e o sempre presente e incansáfvel Rui Santana. Até o dia 22, de 10 às 18 horas, de segunda a sexta, e das 10 às 12 horas aos sábados. Parte da renda com as vendas será revertida para as obras sociais. A Agnus Dei fica na rua Santa Catarina, 1155, Lourdes.. Individual de Marly Matos, “Ecos da Devastação” fica em cartaz até o dia 13, na Espaço Cultural da Cultura Inglesa (Rua Conde Linhares, 415, na Cidade Jardim). Trata-se da mais recente safra desta artista formada pela Funmdação Escola e EBA da UFMG. No catálogo, a artista Mônica Sartori escreveu: “Engana-se, entretanto, quem pensa que a devastação aí apontada seja sinônimo de esterilidade. Suas árvores formam florestas mágicas, gnômicas, cheias de espírito”. Finalmente, Maria Helena Lira, ex-aluna de pintura com os professores Pedro Augusto e Júlia Portes é a atração até dezembro, na galeria da Empada (Rua Levindo Lopes, 303 B, Savassi), com suas paisagens e registros de viagens onde as formas e desenhos vão mudando frente ao olhar do espectador. De segunda a sexta, das 9 às 19 horas, até o dia 18.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

04.12.2006