Quina, a mais nova galeria da cidade





FOTOS: DIVULGAÇÃO/MM


Trabalhos do designer Fernando Chamarelli (1) e Dimas Forchetti (2)




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A junção de duas individuais de Dimas Forchetti e Fernando Chamarelli resulta na exposição “Contemplação”, na mais nova galeria da cidade que fica no mezzanino do Edificio Malleta esquina da Rua da Bahia. Seus proprietários Ayrton Mendonça e Rodriguo Furtini graduados em artes visuais e designer em termos de desenvolvimento de produtos reservam novidades em termos de escritório e galeria de arte num único espaço, por exemplo, realçando praticidade e beleza funcional no espaço conjugado. Além disso, saltam aos olhos o “pé direito” que proporciona propostas em display dos mais variados suportes.


Quem é quem

A dupla mostra tem como mote olhares vazios, sentimentos errados, ilusão demais, realidade de menos, religiosidade e descrença. Esses são os sentimentos que mais são mostrados em “Contemplação”.Usando e abusando do comportamento humano, a atmosfera das propostas passeia pelos contraponto da realidade emocional, ou seja, como o homem lida com o certo e o errado? Como ele encara o pecado e a vivência entre um mundo contemporâneo que na maioria das vezes mistura o real e o ilusório? Enfim, a idéia é que as obras criem um ambiente “auto-questioonatório” para o expectador. A mistura de texturas e técnicas imita a realiade contraditória do homem e chama atenção para a proximidade desses questionamentos sobre realidade emocional, estando assim mais perto do que a pessoa possa imaginar.
Fernando Chamarelli é designer gráfico, formado pela UNESP, Ilustrador e artista plástico autodidata. Começou desenhando hqs, caricaturas e retratos realistas. Mais tarde, envolveu-s com tatuagem e street art. Sua arte mescla diferentes linguagens, que conheceu e, talvez por esse motivo, passou a admirar os trabalhos de artistas bem diferentes, com as caricaturas de Loredano, as pinturas de Escher, Klimt e Magritte, os tattoos de Anil Gupta, os graffitis dos Gêmeos e os desenhos de Roger Cruz e Jim Lee entre outros.Atualmente, Chamarelli trabalha e vive em Bauru (SP), em um ambiente multicultural e cheio contrastes, o que, consequentemente, é refletido em seus trabalhos.Daí, como num mosaico, elementos geométricos, formas orgânicas e linhas harmônicas unem símbolos, lendas, filosofias, costume e religiões de civilizações antigas-modernas.

Por sua vez, o paulista Dimas Forchetti iniciou sua carreira muito cedo. Seus pais, seus maiores incentivadores, sempre o presenteava com cadernos, para que os rabiscos, que ocupavam grande parte de sua infância, fossem registrados. Nascido na capital de São Paulo, uma cidade mais do que caótica teve grande influência em seus trabalhos, no qual Dimas abusa da introspecção, da melancolia, da solidão e contemplação do que convém e ironiza o medo ds pessoas em pecar e serem julgada. Em sua criação utiliza desde caneta esferográfica, nanquim, caneta poska e acrílica, trabalhando sempre com poucas e econômicas cores. O grafite, a xilogravura, o comportamento humano e a religião foram e continuam sendo grandes influenciadores em seu trabalho, que tem referências como os artistas Jeremy Fisch, Mike Giant, Plablo Picasso, Botero, Mary Macgee, Alexone, Jean Spezial e até Tarsila do Amaral, entrre outros.

O resultado da montagem – última chamada, última semana (last-call) – agrada, porque não costumam ser vistas com tanta freqüência..Sem dúvida, caracterizadas por um tom que paira nos limites dos comic (leia-se histórias em quadrinhos ou figuração narrativa e ao mesmo tempo surrealizantes. Por outro lado, as imagens no geral trazem situações dosadas de humor e ironia.Afinal, a dupla de jovens paulistas deixa marcas, ou seja, daqueles que não se encaixam em um único grupo ou estilo.(leia-se tendência).


Margareth Mee: Imperdível

Sob a curadoria de Sylvia de Botton Brautigam, “Margareth Mee – 100 Anos de Vida e Obra” tem última chamada de hoje até domingo, nas galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima, na Fundação Palácio das Artes. Esta exposição – já apresentada em 2009 na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro – marca o centenário de Margareth Mee, reunindo um panorama da vida e da obra desta incansável pesquisadora e inigualável artista, que, com decicação, tanto amou e divulgou a beleza e a riqueza do Brasil. Maiores detalhes na nossa home page www.morganmotta.com através de matéria que publicamos às vésperas do vernissage no dia 1º de março. Visitas no Palácio das Artes de terça-feira a sábado, das 9:30 às 21 horas, domingo, de 16 às 21 horas. Por fim, a dupla Chamarelli-Forchetti, de amanhã, terça a sexta das 10 às 13 horas e das 14 às 18 horas, no sábado, último dia de 14 às 18 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


05.04.2010