Flores de Lótus

LITOGRAFIAS de Lótus Lobo, sobre papel e cartão (Foto Daniel Coury/Telemar)
Morgan da Motta (*)
Crítico/Artes visuais

Tríplice mostra de gravuras tem vernissage amanhã, na galeria Leo Bahia, e a estrela maior é Lótus Lobo, com suas propostas recorrentes ao movimento da pop-art dos anos 70; ou seja, no período em que ela as criou.
Enquanto Andy Warhol explorava a sopa Campbel e imagens repetidas e sobrepostas, Lótus Lobo, a grande dama da gravura mineira, se apropriava de logomarcas _ latas de manteiga, de leite, queijos, requeijão e até de fubá.
Ela está participando da mostra com dois trabalhos de grandes dimensões. Um painel medindo 1,80 x 1,80 centímetros, realizado em 1986, e um outro, medindo l,50 x 70 centímetros, correspondente à série “Maculaturas", que são litografias realizadas sobre folhas de flandres.
A artista mineira revolucionou a história da gravura brasileira na década de 70, ao revelar o imaginário da cultura popular de Minas Gerais e aproximar-se do repertório pop, afirmando o caráter emblemático, o suporte e as superposições das imagens. A recriação desses rótulos, através de repetições, de superposições, da transformação das cores e das formas litográficas, constitui a maior inovação artística de Lotus Lobo. Daí, a importância desta mostra, que tem sabor de retrospectiva.
Por sua vez, Laerte Ramos e Leya Mira Brander, gravadores da nova geração, são presenças raras no cenário da arte contemporânea brasileira.
Ramos participa da exposição com cinco trabalhos que fazem parte de um conjunto de 20 jogos, referentes às 19 zonas estabelecidas no mapeamento da cidade de São Paulo (cidade onde ele nasceu, em 1978). Essas zonas recebem um número; a zona “0" foi acrescentada e apresenta as nuvens que representam o espaço ocupado pelo ar. As outras simbolizam áreas industriais, residenciais e de lazer. São todos trabalhos de serigrafia sobre madeira, de 2,2 x 4,4 centímetros cada.
Leya Mira Brander, também de São Paulo (onde nasceu, em 1976) apresenta 15 gravuras em metal, em técnicas como água-forte e ponta seca, que são baseadas na recombinação infinita de pequenas matrizes. Imagens e textos remetem ao seu cotidiano e constituem um diário de sensações e idéias em que um sentimento reaparece combinado com outro, formando uma estampa única.
Em outra exposição, na galeria Telemar, O uberabense Fernando Flávio Rodrigues e o carioca (radicado em Juiz de Fora) Petrillo são os destaques.
Participando, desde 1979, de mostras de artes plásticas no Brasil e no exterior, Fernando Flávio Rodrigues desenvolve trabalho que remete ao universo do espanhol Juan Miró, com cores fortes e traços que formam figuras à beira do surrealismo.
Petrillo oferece intenso trabalho de investigação pictórica, onde materiais distintos aglutinam-se, transfigurando a matéria plástica em poesia.
O artista explica que “o processo de criação do trabalho consiste na apropriação de diversos materiais, como terra, tóxicos, metais, vernizes, pigmentos, papéis e tecidos. Tendo como ponto de referência a abstração, a pintura ganha força na transformação e diluição de matéria física em poesia".

Lótus Lobo, Laerte Ramos e Leya Mira Brander - Na Leo Bahia Arte Contemporânea (Avenida Raja Gabaglia, 4875, Santa Lúcia). De segunda a sexta, de 12 às 20 horas, e aos sábados, de 10 às 13 horas. Até o dia 30. Fernando Flávio e Petrillo _ Na Galeria Telemar (Afonso Pena, 4001, Mangabeiras). Diariamente, de 8 às 20 horas. Somente hoje e amanhã.

Morgan da Motta
05.05.2003