Nas asas (de aço) da inspiração


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Sérgio de Paula, diante de objeto em aço e uma de suas pinturas, e (3) “Lobo-Guará”, gravura em metal de Felipe Abranches



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Sérgio de Paula, dublê de arquiteto e artista plástico, reaparece cheio de novidades, depois de uns tempos fora dos circuitos comercial e artístico. Artista multimídia, egresso daquele notável núcleo da vanguarda mineira, quando ao lado de Manfredo Souza Netto, José Ronaldo Lima e Marcos Coelho Benjamin, ele pontificou salões, mostras contemporâneas e até uma meia dúzia de bienais internacionais. Agora, reaparece trafegando por diferentes técnicas e suportes.
Este mineiro de Belo Horizonte realiza uma convergência rara no cenário artístico mineiro e, por extensão brasileiro. Sua produção reúne esculturas, objetos e relevos que andam junto com a pintura. Sem dúvida, há mesmo uma ligação da fase artística atual com seus desenhos - figuração narrativa - do fechado núcleo de desenhistas dos anos 70, aquele grupo rebatizado por certos historiadores de “neovanguarda mineira”.
Partindo dos objetos e esculturas em aço inox, chega-se à sua pintura atual, que paira nos limites da pintura abstrata e geométrica, desdobramento natural dos seus excepcionais desenhos. Sua ausência na coletiva do MAP resultou numa grande lacuna.
Em outra mostra de destaque, o jovem Felipe Abranches transita pela gravura em metal sob o título “Artista Viajante II”, no Centro Cultural de São João del-Rei. Na mostra atual, reúne as quatro técnicas tradicionais de gravura: Metal, litografia, xilogravura e serigrafia.
O processo criativo do artista consiste em recolher imagens em suas viagens pelo interior do Estado e depois recortá-las e organizá-las com o objetivo de construir cenas narrativas que representem aspectos reais e imaginários da vida rural. A inserção de paisagens e elementos arquitetônicos nas gravuras é um procedimento recente em sua propostas, que no início retratavam predominantemente animais e figuras humanas.
Nas gravuras, saltam aos olhos o lobo-guará e o carcará, espécies características da fauna regional, sem contar mulas-sem-cabeça. Por sua vez, o tríptico “Chica Dona”, composto de três gravuras, faz alusão à diversidade geográfica, zoológica e étnica de Minas Gerais.
Fechando o leque da semana, Cláudio Luiz de Paula Santos, o incansável, com sua individual “Um Instante no Tempo”, tem vernissage amanhã, de 19 às 21 horas, na Galeria do Soleá Tablado Flamenco, na Savassi. Depois de suas pesquisas na pintura e no desenho, a mais nova experimentação do artista são desenhos digitais versus poemas. A partir de figuras humanas elaboradas pelo sistema da depuração ou desconstrução, ele alcança resultados bastante surpreendentes.
Cláudio Luiz usa e abusa dos recursos tecnológicos; no entanto, sem se desligar dos seus desenhos e de suas pinturas, metiê trilhado por várias décadas.


Sérgio de Paula - Na sede da Lar & Imóveis, entre o Mineirão e o Mineirinho (Alameda das Palmeiras, 717, Bairro São Luiz). Visitas de 9 às 19 horas, de segunda a sexta-feira. Até o dia 30.
Felipe Abranches - Gravuras. No Centro cultural da UFSJ (Praça Dr. Augusto das Chagas Viegas, 17, Largo do Carmo, São João del-Rei). Visitação de 8 às 20 horas.
Cláudio Luiz - Vernissage amanhã, na Galeria do Soleá Tablado Flamenco (Rua Sergipe, 1119 B, esquina com Rua Tomé de Souza, Savassi). Visitas de segunda a quinta, de 9 às 21 horas, e às sextas e sábados, de 14 às 21 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

05.05.2008