Vanguarda perde talento de Manoel Serpa

FOTO: ÁLBUM DE FAMÍLIA

Serpa: um dos mais criativos e experimentais da vanguarda mineira nas décadas de 1960 e 1970



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Manoel Augusto Serpa de Andrade, artisticamente Manoel Serpa, um dos mais criativos e experimentais da Vanguarda Mineira nas décadas de 1960 e 1970, morreu na sexta-feira em Guarapari, Espírito Santo, onde residia há aproximadamente dez anos, desde sua aposentadoria como professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.

Filho do “band-leader” Delê e da professora de pintura Lucy Serpa de Andrade, ele deixa viúva de seu primeiro casamento a artista plástica Selma Lobo Weissmann, além dos filhos Leonora Lobo W. Serpa, artista plástica, e o programador de programas Henrique L. Weissmann Serpa (Kiko Lobo).
Manoel Serpa também foi casado com Soraia Lages, restauradora, sua segunda esposa, e deixa a filha Manoela Lages Serpa de Andrade.
Presença obrigatória nos programas de arte de vanguarda e contemporânea em BH desde a década de 1960, Serpa teve participação ativa nas mostras de arte contemporânea do Museu de Arte da Pampulha.
O artista mineiro também foi figura destacada nas bienais de São Paulo e na mostra “Do Corpo à Terra”, que marcou a inauguração da Fundação Palácio das Artes.
Desenhista, pintor, videomaker, fotógrafo e cineasta, ele ganhou bolsa de estudos do governo da Finlândia, com sua proposta conceitual “Roma, Amor”.
Essa proposta desdobrou-se em vídeos e fotografias, um completo registro que integrou a coletiva “Neovanguardas de Minas”, no ano passado, no Museu de Arte da Pampulha.
Outra proposta bastante interessante foi o painel Tridimensional 1960-1997, a síntese da arte de vanguarda e contemporânea mineira, que esteve em três edições da coletiva “O Tridimensional na Arte Contemporânea”, sob nossa curadoria, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, no Museu de Arte Moderna de Brasília e na Grande Galeria da Telemar, em Belo Horizonte.
Multimídia, Manoel Serpa, que nasceu em Belo Horizonte, em 15 de setembro de 1945, morre aos 63 anos de idade, deixando rico acervo em galerias, museus nacionais e internacionais, sendo que sua companheira atual, Maysa, juntamente com seus filhos de dois outros casamentos, reuniram o que há de mais recente de sua produção, tudo aquilo criado em nível de pinturas, objetos, esculturas, fotografias e vídeos, bem como de artes gráficas, visando, antes de tudo, uma retrospectiva que vai permitir uma das mais completas visões de toda sua trajetória.
Sem dúvida, a morte de Manoel Serpa é uma grande perda para as artes mineiras e para os tantos amigos, que vão ter muita saudade da pessoa e do artista de relevo que ele sempre foi.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


05.05.2009