Flores e ninhos

01. Intervenção de Severino Yabá no Parque das Mangabeiras
02. Clones de ninhos de João-congo
03. Estandarte de Maria Amélia (Foto Divulgação)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

"Manifesto das Flores" é um projeto de arte pública de inserção na dinâmica social, cultural e ambiental das cidades.
Idealizado em 1998, após uma apropriação por parte do artista plástico Severino Yabá com os moradores da Pedreira Prado Lopes, o projeto foi realizado durante o circuito Arena da Cultura de Belo Horizonte.
Em 2003, com o crescimento da violência nos grandes centros urbanos - inclusive nas escolas - e a invasão dos EUA no Iraque, Yabá articulou-se com artistas, estudantes, educadores e moradores da região metropolitana de Belo Horizonte, propondo, entre outras coisas, a realização de algumas apropriações e intervenções urbanas. Todo o processo foi construído e celebrado coletivamente com o plantio de cinqüenta mil flores de papel crepom branco nos gramados do Parque das Mangabeiras e Municipal, num manifesto contra a violência no Brasil e no Mundo. As finalizações dessas apropriações resultaram na instalação «Pra não dizer que não falei de flores», escolhida, em 2004, pela coletiva Resumo HOJE como a Exposição do Ano, sob nossa curadoria.
Dias 10 e 15, na cidade de Cordisburgo, Yabá ministra oficina sobre rosas em crepom com os moradores. Depois das atividades didáticas, eles realizam intervenções em cada cidade, produzindo coletivamente - trabalho de criação coletiva (work in progress), milhares de rosas para algunas apropriações e intervenções em diversos espaços públicos como praças, ruas, igrejas, museus, escolas, grutas e até cemitérios. Em Cordisburgo, essas apropriações terão a participação dos moradores, festejando a Semana Roseana, comemorativa ao cinqüentenário da primeira edição dos livros «Grande Sertão: Veredas» e «Corpo de Baile», de Guimarães Rosa. Dia 22, será vez do município de Gonzaga, também com a participação de seus moradores.
Por sua vez, dia 10, Valdelice Neves volta às intervenções ambientais em torno de suas pesquisas sobre o «Projeto Pássaro Amazônica João-Congo». Depois de suas apresentações nas praças Marília de Dirceu e das Mangabeiras, o painel foi parar na Suíça, onde permanece até o fim de julho, no Centro Cultural da Basiléia.
Toda a obra é fundamentada em pesquisa feita na Amazônia, entre 27 idas e vindas a Minas Gerais. João-congo, pássaro da família dos icterídeos, é um dos mais inteligentes da Amazônia. Em todas as árvores com ninhos de joão-congo há casas de marimbondos.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

05.06.2006