Esculturas inéditas do mineiro Artur Pereira x São Francisco de Assis é destaque em leilão





FOTOS: DIVULGAÇÃO


1 – Obra de Alberto da Veiga Guignard em leilão no Palácio dos Leilões Galeria de Arte

2 – Escultura de Artur Pereira do acervo da colecionadora Celma Albuquerque

3 - Escultura de Artur Pereira do acervo da colecionadora Vilma Eid



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O calendário do segundo semestre apresenta-se movimentado e estimulante. Hoje (segunda-feira), à partir das 21 horas, teremos o primeiro mega-leilão do segundo semestre, numa iniciativa do Palácio dos Leilões Galeria de Arte, que faz homenagem a São Francisco de Assis, que é lembrado em seu aniversário de nascimento (5.7.). O jeito simples de São Francisco de Assis, mais conhecido como protetor da natureza e dos animais, sempre inspirou muitos artistas. E, ao mesmo tempo, colecionadores no mundo inteiro. Na data em que se lembra o aniversário de nascimento de um dos santos mais respeitados do cristianismo, o Palácio dos Leilões homenageia o santo e sua trajetória. No bater do martelo, pinturas de conceituados artistas, como Aldemir Martins, Clóvis Graciano, Enrico Bianco, Inos Corradin, entre outros, todas fazendo referência a passagens da vida humilde de São Francisco de Assis. No total serão colocadas em leilão 170 obras de arte, entre pinturas e esculturas. Também em “display” e no leilão raridades de Amílcar de Castro, Inimá de Paula, Henrique Bernadelli, Franz Weissmann e Manfredo Souzaneto. Por fim, se você não visitou a mostra de quarta até ontem, domingo, ainda há também de “checar” o site www.palaciodosleiloes.art.br. A propósito, imagens das propostas de São Francisco de Assis estão no catálogo das páginas 29 a 32. Sem dúvida, vale a pena prestigiar o primeiro evento em termos de leilão do segundo semestre, à Rua Gonçalves Dias, 1866, Lourdes.


Centro conteporâneo de arte e fotografia faz vernissage do escultor popular Artur Pereira

Sexta feira, dia 9 de julho, o Centro de Arte Contemporânea e Fotografia numa iniciativa conjunta da Fundação Clóvis Salgado e do Instituto Moreira Salles, vai abrigar a exposição Artur Pereira – Esculturas, que ficará em cartaz na antiga galeria Moreira Salles até o dia 29 de agosto. A mostra, que já passou pelos Centros Culturais do IMS em São Paulo, Rio de Janeiro e Poços de Caldas, é uma retrospectiva da obra do artista de Cachoeira do Brumado (Minas Gerais), falecido em 2003. Com organização do crítico de arte Rodrigo Naves e curadoria do artista plástico Ricardo Homen, visa antes de tudo, apresentar um recorte na obra de Pereira, com 58 esculturas. O público poderá ver e até fazer uma revisão de representativos trabalhos de vários momentos do artista, tanto do ponto de vista cronológico quanto em relação aos diferentes partidos formais adotados. Muitas das obras de Pereira, feitas em uma única peça de madeira, em geral no cedro, e esculpidas com poucos instrumentos, como o enxó, o serrote e o formão – encontram-se hoje fora do Brasil, pois foram compradas por estrangeiros que visitaram a região em que o artista viveu. Compõem a exposição obras pertencentes a colecionadores brasileiros, entre eles, Amílcar de Castro, Celma Albuquerque e Vilma Eid. As peças deste ícone da escultura popular brasileira também participaram de algumas mostras coletivas relevantes como Brésil, art populaires (Paris 1987) e Mostra do Redescobrimento (Fundação Bienal de São Paulo, 2000); Sobre seu trtabalho afirmou num depoimento: “Eu faço escultura porque gosto de fazê”. Artur Pereira (1920-2003) nasceu no pequeno vilarejo de Cachoeira do Brumado, distrito de Mariana, uma das mais importantes cidades mineiras do ciclo do ouro. O povoado tem uma longa tradição artesanal, ligada, sobretudo, à confecção de artefatos em pedra-sabão e de tapetes de pita. Desde pequeno, ele modelava pequenas figuras em barro, em geral para presépio. Mais tarde passou a esculpir em madeira, colando partes dos corpos (a braços, mãos, etc) a prática que abandoria por completo – pintando-os. Sua marca principal são figuras individuais, em geral bichos, esculturas compostas de vários animais e, por vezes, figuras humanas. Recomendamos com entusiasmo. Paralelamente à exposição, o Instituto Moreira Salles apresenta o catálogo, com textos de Rodrigo Naves, Ricardo Homen e do artista plástico José Alberto Nemer. Local: Avenida Afonso Pena, 737 – Centro, de terça a domingo, das 12 às 19 horas, sendo quintas feiras, das 12 às 21 horas. Entrada Franca.

P.S.: Para aqueles que irão a São Paulo 9 de 30 de junho a 5 de setembro, indicamos Autonomia Cibernética – emoção art.ficial 5.0 que faz parte da Bienal de Arte e Tecnologia, do Itaú Cultural.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


05.07.2010