O lar do mestre


01 - *FACHADA e vista interna do futuro Museu Inimá de Paula, e pintura "O Onde da Ausência", de Elton Lúcio
02 - Inimá de Paula
03 - Museu Inimá de Paula - Antigo prédio do Clube

(FOTOS / SAUL VILELLA/EL)*

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O fato mais importante ocorrido no decorrer deste ano foi a assinatura, semana passada, de convênio do orgão gestor do governo estadual e a Fundação Inimá de Paula que, após longa negociação, consegue a sede definitiva. Trata-se do prédio tombado do antigo Clube Belo Horizonte, na confluência de Rua da Bahia com Álvares Cabral, em frente daquele monumento dedicado ao compositor mineiro Rômulo Paes, autor da marchinha "Que vida é esta, subir Bahia, descer Floresta". De acordo com o diretor-presidente da Fundação Inimá de Paula, o empresário e colecionador Mauro Tunes, o projeto de Saul Vilela, virtualmente concebido, oferece mil e uma oportunidades, na linha do que se fez mais recentemente no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, no Museu Guggenheim de Bilbao e na Tate Modern de Londres. Saul Villela esboça o que vem a ser a parte principal do Museu Centro Fundação Inimá de Paula, com seu acervo e demais espaços, casos das galerias para mostras contemporâneas e temporárias, teatro-auditório com todos os recursos audiovisuais possíveis e imagináves espaços para oficinas ou workshops... Enfim, um centro de vanguarda, pulsante, dinâmico, como convém. Por sem prédio tombado, nenhuma modificação pode ser realizada na parte exterior, mas, internamente, tudo é possível. A inauguração deve ocorrer no segundo semestre e, quando da aprovação definitiva, voltaremos ao assunto na condição de membro do Conselho Curador, ao lado dos historiadores e críticos de arte José Roberto Teixeira Leite e Guiomar Lobato, sob presidência do colecionador Delcyr Antônio da Costa. Mesmo que relativamente recente - 50 anos -, a história dos museus de arte de Belo Horizonte pode ser dividida em duas fases distintas. A primeira iria das adaptações de locais como o antigo Casino da Pampulha (MAP - Museu de Arte da Pampulha) e da antiga Pagadoria do Estado (Museu Mineiro). A segunda fase começa com a recém-inaugurada Casa Fiat de Cultura e seu excepcional recorte da Arte Italiana vinda do núcleo inicial do acervo do MASP, fundado em 1947 por Assis Chateaubriand, com a consultoria de Pietro Maria Bardi, crítico de arte e especialista maior em arte européia. O Museu Inimá pode ser incluído nessa segunda fase história. Quanto às mostras em cartaz na capital, vale conferir a individual de Elton Lúcio, sob o título "O Onde da Ausência", que tem vernissage amanhã, de 20 às 22 horas, na Galeria do BDMG Cultural (Rua Bernardo Guimarães, 12600), onde fica de segunda a sexta, no horário comercial, até o dia 31. Elton Lúcio, 34 anos, mineiro de Belo Horizonte, bacharel em Artes Plásticas pela Fundação Escola Guignard, apresenta 14 obras em diferentes formatos, retratando ambientes, ruas e avenidas conhecidas de Belo Horizonte, explicitando "o conflito do indivíduo contemporâneo". A respeito da fase atual, assim se expressa o expositor: "Por meio da pintura, registro reflexões que faço sobre o mundo que nos rodeia, utilizando o tempo e o espaço exterior. Os meus olhos, filtros de minh'alma, procuram por pretextos, vias que levarão a criar un novo universo, um lugar não verbal". De fato, trata-se de intervenções e apropriações que, não se sabe se consciente ou inconscientemente, ele eleva ao nível do conceitual.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

06.03.2006