Quixote e figuras de sonho

FOTOS: DIVULGAÇÃO-OC/FARIDAUN

1 - Obra de Flávia Taglialegna : determinada e ousada iniciativa no universo da abstração, com resultados sempre harmônicos

2 - Figuras barrocas de Thelma Quevedo: “apesar de toda angústia, trazem flores nos cabelos”

3 - Dom Quixote, mote da série atual de Oceano Cavalcante, que usa sucata, bijuterias e peças inusitadas como fivelas



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR Minas Gerais) iniciou seu calendário 2009 com a mostra individual do artista Oceano Cavalcante, denominada “Arte Sustentável de Sonhar”. Composta de 50 esculturas, elaboradas com materiais recicláveis, são na sua maioria inspiradas no viajante Dom Quixote de La Mancha.

O paraibano Cavalcante chegou em Belo Horizonte em 1980 para trabalhar como enfermeiro. Há dois anos, colocou em prática um sonho antigo: preservar o meio ambiente com arte.
“Grande parte dos resíduos que utilizo é encontrada nas ruas, como pet e papelão”, explica.
“Transformo o resíduo em matéria-prima para criar trabalhos relacionados com arte-reciclagem”, ressalta o artista, que reside no bairro Santa Efigênia, na região Leste da capital mineira.
Da pet revestida com papelão, surgem os contornos de um cavalo. Já os detalhes do Dom Quixote, mote principal da série atual, são oriundos de sucatas, bijuterias e peça inusitadas, como fivelas e tampas de fogão achados ao acaso.
Além dos personagem criado por Miguel de Cervantes outra fonte de inspiração do artista é o dia-a-dia com a família e a religiosidade. Enfim, das 50 peças em exposição, 15 retratam santos e oratórios.
No calendário do CMRR, a próxima atração está confirmada para abril. O agendamento de escolas deve ser feito pelo telefone 3465-1226.
A individual de Oceano Cavalcante fica em cartaz até o fim do mes, na Rua Belém, 40, bairro Esplanada.
Em outra exposição, a criativa e irrequieta Thelma Quevedo parte para três mostras simultâneas em Belo Horizonte e em Ouro Preto.
São dois solos na galeria da Cidade Industrial e na galeria paralela na Casa dos Contos de Ouro Preto, bem como uma coletiva na Grande Galeria também da Casa dos Contos.
Essa última exposição é promoção do seu ateliê dos tempos de aluna e sob curadoria de Glauco Moraes.
Começando pelas individuais, a galeria Cemig na Cidade Industrial, reúne a série Mulheres Grávidas da Somália, com figuras gordas quase barrocas e pés até certo ponto grandes, inchadas e quase disformes que, apesar de toda angústia, toda apreensão em tempos de guerra, mesmo assim trazem flores nos cabelos.Por outro lado, as figuras de mulheres descalças e esguias à primeira vista, saltam aos olhos detalhes de suas preferências em termos de cor, forma e sensualidade.
Ninguem melhor do que ela para enxergar e explorar o lado sensual, de maneira velada e poética.
Mudando de assunto, também numa outra galeria paralela além da que a Thelma expõe, está em cartaz a individual da artista Flávia Taglialegna.
Thelma Quevedo pode ser vista até o final do mês, na Galeria da Cemig, na Rua Tamoios da Agência da Cidade Industrial de segunda a sexta feira, das 8 às 17 horas com um conjunto de 13 pinturas.
Quanto às individuais ou mostras solos de Thelma e Flávida, que entraram em carrtaz no fim de semana, na Casa dos Contos em Ouro Prefeto, ficam em cartaz até o dia 6 de maio, à Rua São José, 12, em Ouro Preto.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


06.04.2009