À espera de Marc Chagall

BH recebe obras do artista que também está na mostra "A França no MAC", em SP


FOTOS: DIVULGAÇÃO DOS ARTISTAS

Ilustrações de obras do acervo do MAC USP: 1-Primavera de Marc Chagall e 2-Vaso Azul de Fernand Léger. Há possibilidades de Primavera de Chagall ser mostrado na Casa Fiat se houver acordo em termos de seguro.



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Pois é, no ano do Brasil na França em Paris, estive lá por duas vezes. Em contrapartida desde o mês de abril, muitos eventos já foram realizados principalmente em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Outros tantos estão sendo realizados desde junho e muitos outros virão da agosto a dezembro.Num paralelo ao aconteceu lá e no que está acontecendo aqui, sem dúvida, existe um saldo positivo, em nível de artes visuais, cinema e do áudio visual no geral.Enfim, aqueles shows de axé music e outros derivados baianos, exposições medianas e sofríveis e aquela “estórias” de cachês estratosféricos para artistas baianos e mínimos para não baianos...que até diplomatas e outras figuras do Itamaraty (leia-se) Ministério das Relações exteriores tão discretos e reticentes chegaram a nos falar que mais parecia o ano da Bahia na França do que do Brasil.Afinal de contas, o Ministro da Cultura não era o baiano Gilberto – ele são muitos unidos e bairristas... - desde os primórdios do Jorge Amado.

Destaques maiores

Sem dúvida, excelente oportunidade para pessoas que desejam adquirir obras de arte, pois em leilões, na maioria das vezes o valor que a obra é arrematada, é sempre abaixo do seu valor real do mercado. Enfim, sem o ranço dos leilões beneficentes que, o que predomina é a vaidade em vez do interesse pela obra em si.
Presente no acervo a ser leiloadas, 150 obras num conjunto de cinco coleções particulares brasileiras, com destaque para uma coleção particular de Belo Horizonte, outras do Rio de Janeiro, do Distrito Federal e até da colecionadora Marina Cardoso de Goiás que, ao contrário dos demais não se importa de ter seu nome citado. Sabe como é: disputas e brigas familiares, discrição em nível de herança(as) e incluso estórias de ex-mulheres...Entre os "best-sellers", conceituados nomes do nosso modernismo e da nossa arte contemporânea, tais como: Portinari, Tarsila do Amaral, Djanira, Di Cavalcanti, Bandeira, Lygia Clark, Anita Malfatti,Bianco, Milton Da Costa, Visconti, Iberê Camargo e Inimá de Paula.E ainda: Orlando Teruz, Mira Chendel, Siron Franco, Sérgio Telles, Rubens Gerchman, Mario Zanini, Bruno Giorgi, Eduardo Sued, Reynaldo Fonseca, Scliar, Marcier e até Marc Chagal, Artur Piza, Artur Barrio e até Fachinetti e Bernardelli.
Local: Hotel Cesar Business, à Avenida Luis Paulo Franco, 421 - Belvedere, ao lado do BH Shopping - terça feira dia 23, a partir das 21 horas.

De saída o 21 de abril com a Banda de Calais e Bibi Ferreira interpretando Piaf fazendo contraponto com exposição no Museu Inconfidência e Festival de Cinema Francês em Ouro Preto, sendo que aqui, no Palácio das artes tivemos também nossa versão do cinema e diretores franceses. Atualmente, Semana de Artes Digitais Alternativas movimenta o Palácio das Artes nas galerias Mari'Stela Tristão e Arlinda Corrêa Lima, bem como o Conservatório da UFMG, Teatro Klaus Vianna e Galeria Oi Futuro.Por sua vez, em São Paulo uma década de videoarte francesa na coleção do Museu de Arte Moderna de Paris deu o tom no Paço das Artes e no Museu de Imagem e do Som (MIS). Duas mostras extraordinárias foram realizadas na Pinacoteca do Estado e no Museu de Arte Contemporânea da USP. A primeira, Fernand Léger, conhecido pelo uso criativo de cores e formas, que foi uma das figuras centrais do cubismo, ao lado de Picasso e
Georges Braque. Embora muito amigo da Tarsila do Amaral e nunca tenha pisado aqui, sua ligação com o País foi tema da primeira mostra que a Pinacoteca realizou por conta do Ano da França no Brasil.Entre pinturas, desenhos e até tapeçarias, Vaso Azul, que integra o acervo do MAC USP, sem dúvida um dos destaques maiores.No Museu de Arte Contemporânea do Campus da Universidade de São Paulo, a coletiva França no MAC, recheada com quase 40 obras do acervo que não costumam ser vistas com freqüência pelo público.Além de pintores franceses, propostas de artistas que viveram no país.Entre as preciosidades exibidas telas de Pablo Picasso, Henri Matisse, Wassily Kandisnky e Marc Chagall.A propósito, Primavera de Marc Chagal, destaque entre as jóias do acervo, tem chance de ser vista na dupla mostra Dois Mestres em Exibição Marc Chagall e Auguste Rodin.Ao que parece, em função do reduzido espaço expositório com climatização, poderá ser reduzida ou desdobrada em duas...com curadoria do crítico e pesquisador Fábio Magalhães.Quanto ao auto-retrato de Chagall, também do acervo do MAC as possibilidades de sua vinda são remotas.Primavera, virá se houver consenso em termos de seguro(os).Sabia, quando daquela mostra italiana realizada na Casa Fiat, um bom acervo de Futuristas só veio depois de exaustivas negociações com os mineiros organizadores.Com o curador Fábio que é conceituado e tem larga experiência em curadorias espero que as negociações sejam mais fáceis e civilizadas...Caso contrário, somente em raras exposições em Sampa ou no exterior.Sabia? Tem obras do mais rico – MAC USP – do Brasil e da América Latina – que são requisitadas até com 5 anos de antecedência como por exemplo, o único auto-retrato de Modigliani e outros notáveis.

Fala-se que além de Rodin-Chagall na Casa Fiat entre agosto e setembro, que teremos também tapeçarias Gobelins no Museu de Artes e Ofícios, conhecido museu da Praça da Estação... Finalmente, para aqueles que estão seguindo em São Paulo no período das férias de julho e depois, recomendamos com entusiasmo, no MAC do Ibirapuera que fica no terceiro andar do Prédio da Bienal no Parque do mesmo nome: Arte Frágil, Resistências, com trabalhos de artistas franceses, brasileiros e até dois mineiros, que se dedicam à reflexão sobre o meio ambiente, A curadoria conjunta é do sociólogo e crítico francês Jacques Leenhardt, responsável pela parte francesa, sendo que Lisbeth Rebollo Gonçalves, diretora do MAC, selecionou a parte dos brasileiros. Voltaremos ao assunto, no entanto, os destaques maiores são Franz Krajberg, com um conjunto de 13 megas esculturas e trilha sonora do artista Erik Samakh, um áudio da Floresta da Tijuca captado nos anos 90.Os mineiros presentes são José Bento e Laura Belém.Uma instalação de Brígida Baltar, artista que tem a natureza presente em sua obra, participa com Quando fui carpa e virei dragão, uma instalação e o excepcional fotógrafo Caio Resewitx, que se expressa por meio da fotografia, leva ao espaço paisagens alteradas pelo homem.Numa das últimas bienais internacionais de Veneza, ele “salvou a pátria” com suas fotografias. Voltaremos ao assunto da coletiva Arte Frágil fica em cartaz até dia 9 de agosto, com visitas de terça a domingo das 10 às 19 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


06.07.2009