Projeto Gabinete de Arte

Oleo sobre tela de Leonora Weissmann, que está de volta em display no gabinete do prefeito: controvérsia é destaque maior na coletiva (FOTO DANIEL MANSUR).

O Projeto Gabinete de Arte, da Prefeitura Municipal, inicia sua 18ª edição recheado de mal-entendidos. Em seu segundo dia de exibição, um quadro da jovem artista Leonora Weissmann, selecionado pelo projeto, foi retirado da parede do gabinete do prefeito. Mas, com algumas conversas, pedidos de desculpas, a gafe foi preterida, os problemas resolvidos, o quadro foi recolocado no gabinete.
O projeto Gabinete de Arte foi criado com o objetivo de abrir espaço para os artistas mineiros; o local de trabalho do prefeito respiraria não apenas política, mas também arte. Com o propósito de misturar política e arte, o Projeto Gabinete de Arte tem abrigado trabalhos de nomes já consagrados e a talentos emergentes. A atual coletiva, sob a curadoria de Fernando Fiuza, tem como divisa a diversidade criativa nos mais variados níveis, ou seja, envolve artistas plásticos, músicos, escritores e até as (quase) sempre esquecidades modalidades da cerâmica e fotografia.
A artista Leonora Weissmann contou que o motivo da retirada - segundo a coordenadora do projeto, Clara Richardson -, foi porque o mega óleo sobre tela (quase um painel na linha hiperealista), não se adequava ao espaço. Além disso, havia a alegação de que a expressão forte e triste do rapaz sentado no sofá veja reprodução ao lado) estava desconcentrando o Prefeito e seus auxiliares mais próximos.
Uma versão não-oficial diz que o que incomoda(va) é o aspecto vanguardista da obra, considerando que a grande maioria que circula pelo gabinete é mais chegado a arte clássica ou acadêmica. O óleo sobre tela de Leonora Weissmann faz parte da série Retratos, que a artista vem elalborando nos últimos 12 meses, tendo três deles sido expostos no Prêmio Chamex de Arte Jovem, no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. A série apresenta seus personagens sentados, e, na maioiria das vêzes encarando os observadores. Não é polêmico, mas, pelo jeito, pode incomodar espectadores pouco afeitos a arte moderna e contemporânea.
No meio da confusão, a mãe da artista, a também artista e professora Selma Weissmann, protestou quando foi sugerida a substituição de uma outra obra de leitura mais suave ou conservadora. Já o pai, Manoel Augusto Serpa de Andrade, em sua homepage na internet (www.f2cultural.com.br), reagiu com indignação e ironia. Enquadra tudo e a todos os envolvidos no projeto, e publica o seguinte texto: “Como fica o curador perante aquele artista que precisa retirar sua obra de ua exposição já inaugurada oficialmente?; Como estará a nossa artista Leonora Weissmann, talento jovem, reconhecida nas artes plásticas mineira e brasileira, tendo inclusive integrado o módulo Talentos Emergentes, promoção do jornal HOJE EM DIA, no final da década 90, e a única mineira selecionada e premiada na mostra de arte contemporânea Chamex?" Serpa encerra dizendo: “sentimo-nos tristes e perplexos; no entanto, sabemos que ela percorrerá novos rumos, por ser tão jovem e dona de grande talento".
Na linha multiculturalista, fio condutor da proposta do curador Fernando Fiúza (artista plástico e fotógrafo) neste projeto, além das telas e esculturas de Leonora Weissmann, Paulo Laender, Léo Piló, lá estão também um poema de Murilo Antunes, fotografia de Inês Rabello, uma escultura similar a protótipo de João Diniz e uma peça em cerâmaica de Luciana Radichi. Paulo Laender participa com uma mega têmpera vinílica sobre chassi gessado.
Há diálogo entre as obras desses artistas e a proposta do curador Fiúza se realiza como um dos mais interessantes trabalhos em exposição. Apesar dos palpites infelizes e de demonstrações de insensibilidade com o trabalho dos artistas, a exposição merece ser vista e discutida.
A propósito, em relação ao quiprocó, o Prefeito Fernando Pimentel, desculpou-se pessoalmente junto a artista e seus familiares.

Mostra Gabinete de Arte - Na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Visitas precisam serem agendadas préviamente, com a sra. Clara Richardson, ou então, com o curador geral Fernando Fiuza. Eem cartaz até 30 de junho.


Morgan da Motta
14.06.2004