O brio das imagens

Elevação ao conceitual, de Daniel Coury (FOTO EUGÊNIO MORAES)

A galeria Quadrum abriga mostra individual do fotógrafo, publicitário, e agora artista plástico Daniel Coury. O fotógrafo mineiro, que se dedica, há anos, à fotografia publicitária e a registrar trabalhos da maioria de artistas plásticos para catálogos, agora mudou de lado.
Seu processo criativo visa antes de tudo a pesquisa de imagens de objetos achados ao acaso ou fragmentos desses objetos. O fotógrafo estabelece com sua matéria-prima um pacto que o livra da banalidade do cotidiano e recupera a dignidade. Assim, porções de pó de café e guimbas de cigarros são elevados à arte conceitual.
Sem dúvida, a partir de agora, Coury está preparado para participar de qualquer bienal internacional ou mostras de arte contemporânea relacionadas com as novas mídias.
Por sua vez, o professor e artista Carlos Wolney apresenta o que há de mais recente de sua produção, na Galeria do Minas Tênis Clube II. Suas propostas não possuem um único eixo, mas um desdobramento em 14 pinturas e 12 desenhos.
Wolney iniciou sua carreira na Escola Guignard, na década de 60. Ao longo de sua trajetória, dedicou-se ao magistério da arte, ministrando cursos de pintura, gravura, desenho e outras técnicas, na Guignard e ALAP (Atelier Livre de Artes Plásticas) - escola fundada por ele e outros artistas na década 70, na Fundação e Arte de Ouro Preto e na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
Para ele, que se dedica a projetos de pintura e desenho em seu ateliê particular, “pintura é cor; no meu trabalho, casa e árvores abrigam as cores que tenho em mente. Busco uma combinação que possa dar uma harmonia, seja em cores básicas, como o amarelo, o azul e o vermelho, ou nos contrastes e misturas".
Em seus quadros, a forma ocupa quase toda a tela e abriga cores que, de acordo com o artista, correspondem à paixão de sua alma. Eu penso a cor como qualidade, uso a cor para dar qualidade à forma. A cor é, para mim, mais importante que a forma, revela o artista.
O último registro da semana é para Severino Iabá, que no final dos anos 60 e nos primeiros cinco anos da década 70, ofereceu intervenções urbanas elevadas em nível conceitual. Agora, numa espécie de revival, depois da “Via Crucis da Fome e da Miséria", destaque no último Resumo HOJE, ele acaba de mostrar o resultado de um trabalho de criação coletiva, com elaboração de flores de papel, “Pra não dizer que não falei das flores". Cinqüenta mil flores, que ocupavam mais de mil metros quadrados do gramado da Praça das Águas, no Parque das Mangabeiras, foram recolhidas por estudantes de escolas públicas, artistas e todos aqueles interessados pela proposta.
No próximo sábado, dia 21, no site http:www.manifestofldoresartes.hpg.com.br., uma síntese do trabalho estará à disposição dos interessados. Para contatos com o artista Iabá e informações sobre suas próximas ações, basta acessar manifestofloresartes@bol.com.br., também a partir de sábado.
A próxima intervenção, a ser confirmada, será no Parque Municipal, em torno do coreto e do gramado que fica entre o Parque e os fundos do Grande Teatro Palácio das Artes.

Daniel Coury _ Fotografias. Na Galeria Quadrum (Avenida Prudente de Morais). De segunda a sexta, de 12 às 19 horas; aos sábados, de 10 às 14 horas. Até o dia 28. Carlos Wolney _ Pinturas e desenhos recentes. Na galeria de arte do Minas Tênis II (Avenida Bandeirantes, 2323, Serra). Visitas de 12 às 22 horas. Até 20 de julho.

Morgan da Motta
16.06.2003