Leilão com arte e tradição


FOTOS: DIVULGAÇÃO/CRISTINA MONTHEIRO

Pintura (1) de Guignard e (2) Inimá de Paula, destaques do grande leilão de hoje; Tóten (3) de Gilberto Lustosa, e objeto (4) de Sônia Gomes



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Semana movimentada e cardápio variado: tem megaleilão hoje, pelos 35 anos do Palácio dos Leilões, mostras individuais no BDMG e no Espaço Cultural Mercure e, para encerrar, a premiação ABCA para críticos, artistas plásticos, curadores e historiadores, em São Paulo, quinta-feira.

Hoje, a partir de 20 horas, teremos leilão no Palácio das Leilões, marcando o 35º aniversário desta entidade cultural nascida e criada em Belo Horizonte. Entre os destaques estão painel de Inimá de Paula avaliado em quase R$ 100 mil, óleo sobre tela de Alberto da Veiga Guignard, cujo lance inicial é R$ 185 mil, e raridades versus preciosidades como escultura de Franz Weissmann, objeto de Farnese Andrade, desenho aquarelado de Portinari, guache de Emeric Marcier, carvão de Alfredo Volpi e desenho de Tarsila do Amaral.
Criada em 2008, a Galeria de Arte Palácio dos Leilões, uma das mais conceituadas e tradicionais de Minas Gerais e do Brasil, conta ainda com duas outras sedes, em Ribeirão Preto e Salvador. Capitaneado pelo proprietário e leiloeiro Marco Antonio Ferreira e sua mulher Lucienne, o espaço conta com um senhor team em termos de apoio técnico e operacional.
Quanto às exposições, uma boa pedida começa amanhã, sob o título «Um Lugar». Trata-se da nova individual de Sônia Gomes, que oferece suportes variados em termos de torsões, assemblages, utilizando recursos como bordados, rendas, tecidos e outras vertentes, inclusas bolsas-objetos.
Utilizando-se de incontável diversidade de panos, linhas, cordas, botões e tudo que seja passível de se costurar-construir em aglomerações complexas, Sônia chega às colméias e aos panos, assim como aos objetos tridimensionais, as chamadas torsões, da mesma fonte.
Nascida em Caetanopólis, Minas, de mãe negra e pai branco, a artista é uma fusão de muitas lembranças. Com a morte da mãe, ela passa a viver com a família do pai. Para esse novo universo, traz a influência forte da avó, parteira e benzedeira. Da família branca, herda a ruminação dos guardados, das fotos, dos retratos de tecidos vindos da fábrica, dos afetos fragmentados.
Por sua vez, Gilberto Lustosa, arquiteto e escultor, é atração na Galeria do Espaço Cultural Mercure. Revelado através de edições do Resumo HOJE e do Tridimensional na Arte Contemporânea, sob nossa curadoria, ele conquista espaço em vôo solo, através de coletivas em Nova Iorque e individual em Montevidéu.
Na maioria das vezes, ele utiliza-se de chapas de aço, como nas esculturas criadas em aço oxidado da série “Totens”, nas quais faz incisões onde o vazado ou o oco sugerem um desenho “cavado” a maçarico. Por extensão, são de caráter minimalista.
Quanto aos seus móbiles ou instalações, vistas em edições da mostra “Tridimensional na Arte Contemporânea”, em São Paulo, Rio, Brasília e Ipatinga (Centro Cultural Usiminas-Grande GaleriaHideo Kobayashi), sempre coloridos numa tradição de Franz Weissmann, o que há de mais recente de sua safra deve ser visto no Museu Fundação Cultural Inimá de Paula, dois meses após sua inauguração, prevista para o dia 29. Ao contrário das chapas de aço naturais e oxidadas, o material eleito são os vergalhões que ganham diversas camadas de tintas coloridas ao final da execução.
Mudando de conversa. Iniciativa da Associação Brasileira de Críticos de Arte (Abca), os premiados do ano passado estarão recebendo seus troféus que correspondem a uma escultura de Nikolas Vlavianos, às 19h30 de quinta, no auditório do Sesc da Avenida Paulista, em São Paulo. Entre os premiados estão críticos, curadores, historiadores, entidades culturais variadas. A propósito, Priscila Freire, diretora do Museu da Pampulha, tem o único prêmio mineiro, pela seqüência da iniciativa em nível de contemporaneidade iniciada no final dos anos 60 e início da década 70, rendendo a coletiva “Neovanguardas”, pelos 50 anos de fundação do MAP.
Críticos mineiros foram premiados em edições anteriores: Maria do Carmo Arantes, Morgan da Motta, Pierre Santos, além da Fundação Inimá de Paula e a Editora C/Arte. A museóloga, gravadora, escritora e historiadora Conceição Piló, ex-diretora do MAP, foi premiada por sua trajetória em 2005.


Sônia Gomes -
Na Galeria de Arte do BDMG Cultural (Rua da Bahia, 1600, Lourdes). Visitas de segunda a sexta, de 9 às 18 horas. Até o dia 30.
Gilberto Lustosa - Na Galeria do Hotel Mercure, sob curadoria de Nilse Monteiro. Na Avenida do Contorno, 7315, diariamente, 24 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

07.04.2008