Calendário de inverno


FOTOS: DIVULGAÇÃO

1 - Quadrado sobre quadrado à la Mondrian, de Rodrigo de Castro
2 - Portrait de Guimarães Rosa por Rômulo Goulart
3 - “Travessia”, de Wallison Gontijo
4 - “Cidade Mágica”, de Yara Tupinambá



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A mostra individual de pinturas de Rodrigo de Castro inaugura calendário do segundo semestre da Galeria de Arte Lemos de Sá, amanhã, às 19 horas. No mesmo dia, a partir das 18h30, teremos coletiva de Renan Xavier, Rômulo Goulart e Wallison Gontijo, sob o título “O Sertão é o Mundo”, em mais um evento dentro das comemorações do centenário de nascimento do mineiro de Cordisburgo, Guimarães Rosa. E, desde o fim de semana, é destaque também exposição de Yara Tupinambá, na Galeria de Fundação Cultural Oscar Araripe, em Tiradentes. Destaque maior em termos de artes na semana, Rodrigo de Castro, mineiro de Belo Horizonte, mas vive e cria em São Paulo, reaparece, como faz de dois em dois anos, numa mostra individual, que resulta no que há de mais recente de sua nova safra de pinturas. Filho do desenhista e escultor Amílcar de Castro, Rodrigo, não tem nada a ver com os diferentes suportes usados e abusados pelo pai. Não tem nada de abstracionismo geométrico, nada de neo-concreto e muito menos de qualquer outro integrante do núcleo paulista ou carioca do movimento citado. Rodrigo de Castro está mais para o eixo dos que exploram o quadrado sobre o quadrado à la Mondrian, ou seja, com um pintura bem estruturada, cujos paços estanques ora demarcados por linhas ora por volumes, em nível de quadrados, sendo que as cores quentes e neutras dão o tom ou o mote principal. De maneira prática e objetiva, Taisa Palhares sob título “Padrões & Limites”, sintetiza muito bem o artista e a obra: “A pintura de Rodrigo de Castro possui característica bem marcantes. O formato quadrangular, associado a formas geométricas exatas, que constroem seu espaço, dão uma identidade inconfundível a sua pintura. A persistência dessa linguagem, cuja elaboração parece sugerir um exercício cuidadoso e demorado de reflexão (como se o artista retomasse a cada tela movimentos deixados em aberto em outras) dá ao conjunto uma unidade que se afasta da noção de evolução para se aproximar de idéia de relações de correspondência. Neste sentido, fica difícil apontar, nas telas apresentadas nesta exposição, um traço particular a romper o percurso da obra. A contrário, trata-se em primeiro lugar de identificar a persistência como sua qualidade principal”.


O Sertão é o Mundo

A junção de três individuais, na Galeria de Artes do Sesc-MG, resulta na tríplice mostra de Renan Xavier, Rômulo Goulart e Wallison Gontijo, que tem como mote comemorar os 100 anos de nascimento de Guimarães Rosa. Renan, autodidata e há 15 anos na pintura, apresenta 10 telas em óleo sobre tela, com enfoque nos personagens e cenas de Grande Sertão Veredas, numa proposta ilustrativa-narrativa, próxima do naif. Por sua vez, Rômulo Goulart iniciou seus estudos na Fundação Escola Guignard, e atualmente cursa artes visuais na UFMG, com habilitação em cinema de animação. Goulart busca leituras e releituras de paisagens figurativas, através de interpretações pictóricas acadêmica, mas também busca liberdade de criação e pesquisa no contexto da arte. Wallison Gontijo, formado pela Escola Guignard, expõe três séries distintas: “Série sobre a Jagunçagem”, “Série sobre a Travessia” e “Série Idéia do Pacto”, que correspondem a propostas que provocam diálogos e reflexões acerca do pensamento Roseano. Cada série é composta de um trabalho de 160 x 80 cm, ladeado para outros de formatos 40x40 cm. Gontijo, que é também geógrafo, e em 2005 apresentou as exposições “Desleituras Geográficas”, no Instituto de Geociências na UFMG e Conquest, na Galeria da Escola Guignard, também ministra oficina de arte na educação para empresas públicas e privadas. Na enxurrada de eventos relacionados com o centenário de Rosa, o trio se sobressai pelos elementos pesquisa e originalidade...


Yara itinerante

A multimídia Yara Tupinambá, com a abertura de sua individual na Fundação Oscar Araripe, no sábado, em Tiradentes, encerra a itinerância de sua mostra, com sabor de coletiva, que, mais uma vez, engloba a fauna e a flora, o barroco, o artesanato. É tudo aquilo relacionado com as Minas Gerais, que “são muitas” e, como sempre, bem sintetizada, em suas várias fases, suportes e técnicas, o que não surpreende em se tratando de uma conceituada artista. Estamos no início do segundo semestre e esta corresponde a sua sexta individual até agora realizada. Yara, não pára...



Individual de Rodrigo de Castro.
Vernissage, amanhã, na Galeria Lemos de Sá (Rua Paraíba, 651), de 19 às 22 horas. Em cartaz até o dia 30. Visitas das 10 às 19 horas, de segunda a sexta feira, e aos sábados, das 10 às 13 horas.

Coletiva O Sertão é o Mundo. Tríplice mostra na Galeria de Artes do Sesc-MG (Rua Tupinambás 956, 1º andar). Em cartaz até 8 de agosto. Visitas de segunda à sexta-feira, das 12h30 às 18h30.

Individual de Yara Tupinanbá. Fundação Oscar Araripe. Centro Histórico de Tiradentes (Rua da Câmara 98). Em cartaz até o final do mês. Visitas diariamente, das 10 às 18 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

07.07.2008