Chile - a nova geração

Obras de Carlos Montes de Oca, Jorge Brantmayer, Matilde Perez, Lili Garafulic e Humberto Nilo: expoentes de arte contemporânea chilena (Foto / Divulgação MAC-USP)

A mostra “Traços da Razão" é, sem dúvida, uma rara chance de apreciar e entrar em contato com a arte contemporânea do Chile. Reúne pinturas, fotografias, objetos e produção digital de 21 nomes, tais como Andrés Vio, Carolina del Piano, Francisco de La Puenta, Osmael Frigerio e Segastian Eganã. Lili Garafulic, representada com esculturas em bronze e Matilde Perez, que trafega pela arte cinética, são veteranas e ícones da arte chilena entre a nova geração.
A mostra oferece-nos uma interessante aproximação à trajetória da arte contemporânea chilena, a partir da leitura crítico de Ernesto Munoz, seu curador. Experiente crítico de arte contemporânea, ex-diretor do MAC da capital chilena, ele articulou o percurso da mostra em sete módulos, pondo em evidência a vertente geométrica, o trabalho criador de artistas contemporâneos cuja produção tem na razão um eixo fundamental.
Assim, nos caminhos da coletiva, temos a possibilidade de ver e confrontar um conjunto de obras representativas de diferentes momentos e pesquisas. O visitante verá obras de pioneiros como Matilde Perez, que integrou o Grupo Retângulo (dedicado, nos anos de 1950, à abstração geométrica) e, na década seguinte, em estadia na França, aderiu às pesquisas da arte cinética, chegando a construções plásticas onde trabalhava a questão da percepção do movimento e da cor, criando depois seus objetos luminosos.
Estão presentes artistas que trabalham com a eletrônica e com a fotografia, nos quais se ressalta a ótica antropológica de Jorge Brantmayer ou a sócio-histórica (Francisco de La Puente), conforme destacou a presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, profª Lisbeth Rebollo Gonçalves, no catálogo. Montes de Oca comparece com suas 'carpas', que correspondem às tendas utilizadas em acampamentos, que fazem pressupor a presença de pessoas que não vemos, mas, no entanto, sabemos existir.
Permite ainda um contato igualmente com a obra de Humberto Nilo, Carola Del Piano, Matilde Huidobro, Catalina Parra, Loty Rosenfeld, Francisca Sutil, Carolina Edwards e Alicia Lorrain, com suas reflexões tanto estéticas, como simbólicas.

Hexagnus

Seis artistas resolveram unir seus trabalhos e mostrar algumas faces da arte mineira. Assim nasceu a exposição Hexagnus. O grupo é formado por Yara Tupinambá, Beatriz Abi-Acl, Décio Noviello, Marcelo AB, Marina Nazareth e Miguel Gontijo.
Para Yara Tupinambá, suas propostas reúnem alguns signos importantes da cultura mineira: 'O oratório, a flor que nasce no sertão agreste, as igrejas, os mastros e bandeirolas, as noite de São João. Marina Nazareth apresenta pinturas da série 'Memória do Mar', na qual coloca sua poética a serviço de estruturas rítmicas trabalhadas pela memória. Já Décio Noviello, conceituado vanguardista mineiro da década de 70, com sua linguagem pop apresenta trabalhos centrados em iconografia ligada à religiosidade popular. O uso de elementos gráficos barrocos, cores fortes e delimitadas ressalta a estrutura de rigor construtivo.
Por sua vez, Marcelo AB apresenta, em sua nova série “Fósseis", paisagens e figuras tendo como suporte a tela e a reutilização de madeira reciclada de caixotes industriais.'Fósseis são pedaços de vida, esboço de órgão que encontraram sua vida coerente no ápice de uma evolução que prepara o homem e seu recomeço e não ao fim', segundo AB. Finalmente, a série de pinturas denominada 'Eu expio, tu espias' de Miguel Gontijo, são reflexões sobre o homem e seu processo artístico. O artista empresta à tela seu próprio rosto e rouba corpos de outros personagens, como Duchamp, Durer, Mickey Mouse, Deus, etc tecendo comentários sobre seu comprometimento com a vida e a arte. Paira nos limites do surrealismo, em contraponto com situações sacro-profano e altamente erótico.Ao lado de um Fernando Pacheco, são os artistas da chamada geração intermediária mais conceituados da pintura contemporânea mineira e, por extensão, brasileira.

Traço de Razão. Coletiva de artistas chilenos no Museu de Arte Contemporânea da USP de São Paulo. (Rua da Reitoria, 160, Cidade Universitária. De terça à sexta, das 10 às 19 horas, e sábados e domingos, das 10 às 16 horas. Entrada franca. Até o dia 10 de agosto. Coletiva Hexagnus. Galeria Genesco Murta (Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1537, Centro) até o dia 31. De terça a sábado, das 13 às 20h30. Aos domingos das 16 às 20h30.

Morgan da Motta
28.07.2003