Intervenção no Rola-Moça

Leandro Gabriel no cenário que apresenta 22 esculturas de porte médio para o Parque do Rola Moça, doadas por ele. Fragmentos de bordados antigos cria trabalhos que oscilam entre o 'paneaux' e a instalação. Tapete-Instalação de Valdelice, no Centro Cultural da UFMG (FOTOS MÁRIO NEVES E DIVULGAÇÃO)

O Parque do Rola Moça abriga, desde o fim de semana, esculturas do artista Leandro Gabriel, que doou um grupo de 22 propostas, que permanecerão lá em caráter definitivo como parte do acervo do conhecido Parque. Situado na região sul de Belo Horizonte, abrangendo as cidade de Belo Horizonte, Ibirité, Brumadinho e Nova Lima, ocupa uma área de 3.941 hectares. O parque tem como mantenedores o Instituto Estadual da Floresta, a Copasa, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e Zeladoria do Planeta Ong. Já o jardim, onde estão dispostas as esculturas doadas, ocupa uma área de 100 metros quadrados, espaço ideal para o conjunto que corresponde uma série da fase E.Ts. (leia-se extraterrestres). Trata-se de uma doação sui generis, principalmente por ter sido feito por um jovem artista que ainda não atingiu os 30 anos de idade.

Formado em Educação Artística pela Fundação Escola Guignard e pós graduado em Arte Educação pelo centro de Pesquisa de Minas Gerais (Cepemg), Leandro foi revelado para a crítica especializada depois de integrar o Resumo HOJE, promoção do HOJE EM DIA sob nossa curadoria, bem como a coletiva 'Tridimensional na Arte Contemporânea' (todas edições) do evento aqui em Belo Horizonte, no Museu de Arte Moderna de Brasília e Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP).
As esculturas, elaboradas a partir de sucata de ferro e chapas de várias espessuras, são cortadas e moldadas, depois soldadas de acordo com os formatos desenhados previamente pelo artista. Por outro lado, as esculturas de Leandro Gabriel sempre sugeriram um 'ambiente', uma atmosfera particular em torno de si, mais explícito quando o artista trabalha com a acumulação ordenada das peças. Qualquer que seja a leitura do espectador, ninguém escapa à sensação de estar diante de formas vivas, donas de uma individualidade e movimento peculiares, ainda que faça parte de um todo. Daí, a razão da escolha do Parque Rola Moça para serem colocadas em display. O Parque do Rola Moça fica próximo do Barreiro. Interessados em visitá-lo deverão entrar em contato com Ivone (fone 3277-5975), que indicará ônibus via Barreiro (Via do Minério, Praça da Febem-Parque Rola Moça).


Coletiva

Mostra coletiva englobando o prédio do Centro Cultural e o seu entorno com a Praça da Estação entra em sua última semana é parte integrante de curso dado por Solange Pessoa. Nele, merecem destaques as propostas de Valdelice Neves (instalação e fotografias), bem como instalação-paneaux de Beth Lírio. A proposta de Valdelice Neves tem como base uma pesquisa sobre os tapetes de rua que são apresentados nas procissões de Corpus Christi.
Originários da Europa, Liege-Bélgica, meados de 1240, chegando ao Brasil em 1549 - trazido apelo Padre Manoel da Nóbrega - sendo realizado o primeiro na Bahia, no 1º Governo Geral do Brasil com Tomé de Souza. Difundidos depois em vários estados brasileiros, inclusive no interior de Minas Gerais, onde a artista viveu por 20 anos, acumulando experiências anteriores na criação e execução dos tapetes para as festas religiosas.
Realizados e pesquisados em 1979 a 1994, foi a partir daí que, como um fio condutor, que Valdelice partiu para as releituras e transformações em nível de instalação. Utilizando-se de serragem e marmorite coloridos, pó de mármore, cal, pétalas de flores, borra e palha do café e arroz acrescidos de pó de pneu, numa espécie de trabalho coletiva, alcança resultados excepcionais. Por ser uma proposta perecível, ela registra em vídeo e fotos. A propósito, lado a lado com seus tapetes ela apresenta fotos de detalhes interiores do prédio do Centro Cultural e do seu entorno com a Praça da Estação.
Por outro lado, na mesma coletiva, Beth Lírio com seus 'paneaux' desdobrados em instalações, surpreende com seus recortes sobre lençóis ou lonas de pequenos e coloridos fragmentos de bordados antigos que, recortados, costurados e apropriados alcançam algo próximo de proposta de um Antônio Bispo, ou então; bordados similares de um Leonilson. Enfim, nesta coletiva que une a escultura, a fotografia e apropriações de vários objetos (incluso os bordados antigos); os demais privilegiam situações urbanas, percorrendo o prédio do Centro Cultural da UFMG e seu entorno principal: a Praça da Estação.

Coletiva de Releituras. No Centro Cultural da UFMG e seu entorno, pode ser visitada no Centro Cultural da UFMG (Avenida santos Dumont, 174, esquina de Praça da Estação), até a próxima sexta feira, das 9 às 20 horas de segunda a sexta e, no sábado, das 10 às 16 horas.

Morgan da Motta
04.08.2003