Novos talentos da arte brasileira

O Trabalho de Miguel Gontijo, destaque do Prêmio Chamex (FOTO ROBERTO CLICK)

Não são poucos os que dizem que a pintura morreu, mas a pintura nunca esteve tão viva como no “Novos Talentos da Arte Brasileira _ Prêmio Chamex de Arte Jovem", no qual a mineira Leonora Weissmann, lançamento do Resumo HOJE, foi destaque.
Além do mais, a Bienal Internacional de São Paulo promete uma grande resenha de pintores, brasileiros e principalmente estrangeiros, e as galerias comerciais e culturais do circuito Minas-São Paulo-Rio, ao que parece, cansadas das instalações, estão priorizando a produção de jovens pintores.

Acabo de receber o catálogo do Prêmio Chamex de Arte Jovem, realizado em São Paulo no final do ano passado, com inscrição de mais de 600 obras, premiando seis propostas. O patrocínio desse prêmio faz parte da política sustentável da Internacional Paper, maior empresa de papéis e produtos florestais do mundo, que, nos seus 44 anos de história no Brasil, optou por desenvolver ações nas áreas de meio ambiente, educação e saúde, reconhecidas como a trilogia do futuro.

A parceria entre a empresa privada e o Museu Fundação Tomie Ohtake, sem dúvida, permitiu rastrear a sensibilidade e a expressão do jovem brasileiro, principalmente na pintura, fotografia e na esquecida gravura.

Além de Leonora Weissmann, nosso lançamento no Resumo HOJE no final da década 90, o catálogo realça fotografias de Denise Gadelha, performance videográfica de Milena Szafir e videoinstalação de Vera Uberti, bem como fotografias de Amanda Mei e Ana Angélica Costa e pintura com esmalte sintético brilhante, verniz naval e caneta retroprojetor de Daniel Nogueira. Enfim, novas mídias e jovens talentos.

Outra mostra _ de pinturas _ em destaque é de Jô Soares. Recentemente, presenciamos o que há de mais novo da produção do pintor Jô, no Museu da Escultura em São Paulo. A individual “Quadro de Luz" marcou seu retorno às artes plásticas, após 18 anos de ausência.
Na década de 70, participamos do júri da bienal em que Jô Soares foi presença polêmica. Para alguns jurados, ele ara apenas ator, comediante... O ofício de pintor ficou bastante tempo adormecido na vida do apresentador de TV, humorista e escritor.

Seu retorno às artes plásticas resultou numa individual de 53 telas, em que se vê a influência do universo pop do cinema e dos quadrinhos. Ele faz suas pinturas e desenhos sobre papel e depois os manipula em computador. O resultado é algo surpreendente em termos de técnica.

Encerrada em São Paulo no final de semana, a mostra deve ganhar caráter itinerante no próximo ano. Espero que Belo Horizonte seja incluída no roteiro.


Morgan da Motta
09.08.2004