VISUAIS

Individual de Daniel Bilac na Galeria Cemig



FOTOS: DIVULGAÇÃO

1 - Proposta em técnica mista de Daniel Bilac

2 - Kurosawa, atração no Tomie Ohtake in Sampa.

3 - Cesar Romero, 40 anos de Pinturas, desde o fim de semana no Palacete de Arte Rodin, Sala Contemporânea, em Salvador – Bahia, onde fica em cartaz até final de dezembro, na rua da Graça, 284, em Salvador City



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Daniel expõe e propõe a dualidade do melhor amigo do homem

O que há de mais recente das propostas de Daniel Bilac está desde o fim de semana, na Galeria Cemig, do Espaço Cultural da entidade. Sob o título "Tudo o que tem dente morde" corresponde a um conjunto híbrido de colagens, pinturas e desenhos. Constituídos de papéis velhos, desgastados ou ordinários, segundo o expositor, as obras têm ainda outra marca comum: o cão. "Sempre estáticas e, a princípio, ocupadas unicamente em apontar a palavra que as representa, as cinco imagens de cães se repetem alternadamente; sendo este o ponto de partida", afirma. Segundo o artista, cada trabalho da mostra aposta na empatia que podemos desenvolver esse "personagem", na capacidade que temos de nos colocar no lugar do cão, a partilhar dos pequenos dramas e ambigüidade que atribuímos a ele: sua docilidade e sua agressividade; sua segurança e seu perigo; sua fidelidade e sua promiscuidade, nosso apreço e nosso desprezo. "Gosto das ideias a respeito de cão, do imaginário a respeito. O cão, com seus elementos dramáticos somados à natural empatia que desperta na maior parte das pessoas, está muito apto a representar-nos" reafirma Daniel.

Enfim, as raças foram escolhidas ao acaso em um dicionário ilustrado do artista. Daí, ele encontrou os cinco cães com que iria trabalhar: um dálmata, um boxer, um dinamarquês, um pastor alemão e um pointer. Por sua vez, Daniel explica que não houve nenhum pensamento especial nesse sentido senão o cuidado de selecionar dentro da página os cães cuja figura parecesse mais interessante e que estivessem completamente isolados dos outros. Nascido em Belo Horizonte, Daniel Bilac é graduando em Artes Visuais com habilitação em Pintura pela Escola de Belas artes da UFMG. Dentre as exposições, das quais ele integrou destacam-se: Bienal Zero (2010) e Varal (2009), bem como Eu não sou feito de ouro (2008) na Galeria da Copasa e A arte da palavra (2009), na Faculdade de Letras da UFMG, e Diverso-Adverso (2009), na Galeria de Arte Cemig. Como se vê ele gosta e trafega sempre por títulos insólitos e o título poderia ter sido outro, como por exemplo, Cão que late não morde (leia-se dog who barks doesn't bites).

Fica em cartaz na Galeria Cemig até o dia 26 de dezembro, à Avenida Barbacena, 1200, Santo Agostinho, com visitas das 8 às 19 horas, todos os dias da semana, incluso nos domingos e feriados.

Mudando de assunto: desde o dia 3 de novembro, estão abertas as inscrições para a 20ª Concorrência de Talentos que irá resultar no calendário de exposições da Galeria de Arte Cemig, no ano que vem. O regulamento e a ficha de inscrição encontram-se disponíveis no endereço eletrônico www.cemig.com.br/concorrenciadetalentos. Por fim, recomendamos com entusiasmo a exposição do Daniel, bem como a iniciativa Concorrência de Talentos. O único senão a comissão curadora que poderia variar de dois em dois anos, como ocorria na antiga Telemar que serviu de modelo para outras entidades incluso Copasa e Cemig. Fica aí a sugestão construtiva e a crítica...

Artes na semana

Bronzeadas, de Nazareth Pacheco, estão desde o fim de semana na Murilo Castro Galeria de Arte, no Jardim Canadá, até o dia 13 de dezembro de 2010. A partir de quarta-feira, na Livro Objeto, a 48ª Edição da Coleção Circuito Atelier, tendo como foco central o papa do vídeo e do vídeo instalação, Eder Santos. Vai ser a partir das 20 horas, na Avenida Guarapari, 464, na Pampulha. No mesmo dia 10, quarta-feira, individual de Paulo Amaral – Pinturas de 2000 a 2010, na Manoel Macedo Galeria de Arte, a partir das 20 horas na Rua Lima Duarte, 158, no Carlos Prates. Não se esqueçam: a partir do dia 20 de novembro, na Lemos de Sá Galeria de Arte, Avenida Canadá, 147, no Jardim Canadá, tríplice mostra do trio: Rodrigo de Castro, Manfredo de Souzanett e Marcos Coelho Benjamin. No sábado, dia 20 das 11 às 16 horas, abertura para convidados. Fica à disposição do público ate 20 de janeiro de 2011. Vai ser a exposição 2 X Minas X 2...Vale a pena ver de novo... Por fim, para aqueles que vão ver a insonsa e mais uma vez fraca Bienal Internacional de São Paulo recomendamos: Akira Kurosawa – Criando Imagens para Cinema, comemorativa do centenário de Kurosawa, no Instituto Tomie Ohtake, numa iniciativa paralela ao Festival de Cinema de São Paulo. A propósito, Teruyo Nogami, assistente do diretor, lançou À Espera do Tempo, por sinal filmado com Kurosawa. Fica até o dia 28 de novembro. Voltando a nossa BH, Mazzilli, com sala de estar – sala de viver, amanhã, terça feira, na Galeria de Arte Paulo Campos Guimarães, da Biblioteca pública Luiz de Bessa, na Praça da Liberdade, 21. Mazzilli, o incansável, realiza de três a seis exposições individuais por ano... Ainda bem que ele não se repete para bem de todos e de toda a nação criativa em termos de arte contemporânea das Minas Gerais. Eu hein???...


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco - Paris.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

A partir de 5 de novembro aguardem outro e-mail e, em breve, aguardem MM no TWITTER


08.11.2010