Raça Russa

01 - "Cristo na Glória", painel em têmpera de 1497;
02 - "Trabalhadores na Estação", de Viktor Popkov, pintura de 1960;
03 - "Mulher Desconhecida", de Ivan Kramskoy, produzida em 1883.

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


" Rússia”, coletiva ora em cartaz no Museu Guggenheim de Nova Iorque, corresponde à mais completa exposição de arte russa, iniciativa que envolve mais de uma dúzia de museus russos e quase o mesmo número de curadores dos Estados Unidos e da Rússia.

O que mais se perguntou, antes do vernissage, é como seria possível colocar, dentro de um único museu, 800 anos de pesquisa envolvendo o que há de mais representativo do império russo. Afinal, além obras de mestres de vários séculos, estão inclusos nomes da vanguarda das últimas seis décadas.

A exposição abriga desde “Cristo na Glória”, pintura na técnica têmpera, datada de 1497, até a escultura “Cosmonauta”, criada em 2003 por Oleg Kulik.

A partida da exposição teve início depois de um encontro do trio formado por Thomas Krens, principal diretor do museu nova-ioquino , o ministro da cultura da Rússia, Mikhail Shvydkoi, e o curador Robert Rosenblum, no teto do museu que abriga a coleção Guggenheim ( Museu Peggy Guggenheim de Veneza).

De saída, ficou decidido que seria distribuída em oito módulos: Ícones dos período medieval do século XIII até o século XVII, a Coleção Imperial dos séculos XVIII e dos primeiros anos do século XIX, As influências Européias dos séculos XVIII e XIX, A Idade de Ouro da arte russa na primeira metade do século XIX e preciosidades do século XIX nas coleções dos empresários russos Sergei Schuukin e Ivan Morozov, que incluíam desde impressionistas, Picasso e vanguardistas russos de todos os tempos.

Trata-se de obras de modernistas, raridades correspondentes ao simbolismo, cubismo, futurismo, suprematismo, construtivismo, o Realismo Soviético, bem como a arte soviética criada depois da morte de Stalin, antes da Guerra Fria. Há de tudo um pouco e, principalmente, a Arte Russa de Vanguarda de 1915 a 1932, e suas influências na arte contemporânea a partir de 1992.

Além de tesouros jamais saídos da Rússia, foi dada ênfase a preciosidades como pinturas e esculturas oriundas da Coleção Imperial, adquiridas na Europa por Pedro O Grande, Catarina e Nicolau I.

Paralelamente à exibição, estão sendo realizadas visitas guiadas e palestras que, na maioria das vezes, dão ênfase à vanguarda dos anos 30 aos 80, com destaque para Andrei Rublev, Dkioysii, Dmitrii Levitsky, Orest kiprensky, Karl Brillov, Alexandre Ivanaov, Ylia Repin, Ivan Kramskoy, Nikolai Ge, Mikhail Vrubel, Valentin Serov, Natalia Goncharova, Marc Chagall, Isaa Brodsky, Alexander Lationov, Gelii Koszahev, Ylia Kabokov, Vitaly Komar, e Alexander Melamid, Erik Bulatov, Oleg Kulig e Vadim Zakharov.

Finalmente, o excepcional catálogo “Rússia: Novecentos Anos de Obras-Primas”, com textos de especialistas da estatura de James Billington Mikhail Shwydkoi, Gerald Vazdornov, Mikhail Allenov, Evgenia Petrova, Lídia Iovleva, Albert Kostenevich, Sergei Androsov, Boris Groys, Ekaterina Degot, Valerie Hillings e Aklexander Borovsky...

Todos esses, renomados especialistas russos e norte-americanos elevados à categoria de curadores do primeiro time dos dois países.

A publicação tem 450 páginas, com 300 ilustrações em cores, ao preço de US$ 75 dólares , a capa dura, ou US$ 50.

Apresentada como maior atração do período outono–inverno do hemisfério Norte, a exposição “Rússia”, no Guggenheim (Quinta Avenida com Rua 89, em Nova Iorque), pode ser visitada até o dia 12. Adultos pagam US$ 18; estudantes, US$ 15. Recomendamos, com entusiasmo, para quem tiver a oportunidade de viajar aos Estados Unidos neste período de férias. Outra opção é conhecer as imagens no site “guggenheimmuseum.com”.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

09.01.2006