Experimentação



FOTOS: DIVULGAÇÃO
Propostas de Paulo Coelho: esculturas, objetos e instalações



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Menu variado, tendências e técnicas diversificados, há de tudo um pouco esta semana. Haja fôlego para enfrentar tantos vernissages. A dupla Paulo Coelho e Fernando Campos estréia amanhã, na Galeria Agnus Dei. Ainda amanhã, também tem vernissage Jean Paulo. Paulo Coelho com esculturas, objetos e instalações fazendo contraponto com as acrílicas sobre tela do Fernando Campos.
Por sua vez, a estrela maior da chamada «geração intermediária» Fernando Pacheco foi o nome escolhido para inaugurar a mais nova Galeria de Arte da Biblioteca Padre Alberto Antoniazzi, na PUC, no Campus Coração Eucarístico, no dia 12. Quanto ao aquarelista Jean Paulo, também amanhã na Galeria da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Haja fôlego para checar tudo.
Da junção de duas individuais, a Agnus Dei realiza dupla mostra. Paulo Coelho, traz à cidade o que há de mais recente de sua produção: esculturas, objetos, relevos e instalações, resultado de suas pesquisas e experimentações na Itália, no Atelier Pietra Santa. Trata-se de uma síntese e desdobramento de fases anteriores. Entre 20 propostas, destacam-se as instalações, ainda sua principal opção. Uma das propostas mais instigantes é a instalação em madeira e aço inox.
Paulo Coelho tem formação artística pela Escola Guignard (UEMG) e iniciou suas atividades nas artes em curso na Escola Mineira de Joalheria, em Belo Horizonte. Coelho é engenheiro mecânico com extensão em eletroeletrônica, telecomunicações, economia, mas atualmente dedica-se integralmente à arte.
A característica principal de sua obra são as formas geométricas e construtivistas, recorrentes do minimalismo, em sua maioria de porte médio e grande, divididas em módulos sendo eles esculturas em bronze, esculturas e objetos em madeira, aço e mármore.
Durante dois anos ausente das galerias mineiras, Paulo Coelho fez oficina em esculturas em mármore, em Pietra Santa, e pesquisas em Florença, Veneza e outras cidades da Toscana, na Itália, em 2005.
Já no ano passado, além de pesquisas em cidade da Espanha, participou de congresso de esculturas, em Alicante. Amanhã, volta à cena mineira com novas propostas influenciadas por esses estudos e estágios.
Por sua vez, Fernando Campos apresenta 16 acrílicas sobre tela, basicamente releituras. As imagens são criadas a partir de fragmentos de pintura pré-existentes, que reorganizadas ao lado de uma cena capturada de um filme, de uma foto de jornal, ou mesmo sugerida pela letra de uma canção, ganham novas interpretações.
Lautrec, Rembrant, Vermee, Klint ou Manet coabitam espaços e possibilitam uma nova leitura de temas clássicos, como o nascimento da Vênus ou apenas um desenlace amoroso. Os personagens extraídos de um romance, de um filme ou mesmo de um outro quadro, se tornam atores de um novo show, onde a tela se transforma em palco, para que o pintor possa apresentar seu próprio repertório e, por extensão, espetáculo.
Campos mantém ateliê em Tiradentes há 12 anos. Aluno de Belas Artes da UFRJ nos anos 80, estudou com mestres como Kazuo Iha, Lígia Pape e Píndaro Castello Branco. Desde então participa de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Enfim, o lote de pinturas-releituras realizados no seu ateliê da cidade histórica de Tiradentes, surpreende e impressiona pela adaptação visual a partir de um filme, uma foto no jornal ou mesmo sugerida pela letra de uma canção.



FOTO: DIVULGAÇÃO
Obra de Fernando Campos


Dupla mostra Paulo Coelho e Fernando Campos. Galeria Agnus Dei (Rua Santa Catarina, 1155, Lourdes). Visitas até 5 de maio, de segunda a sexta, das 9 às 18 horas, e aos sábados, das 9 às 13 horas.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

09.04.2007