Feira moderna

Um dos destaques da mostra, `Camaleão', de Oscar Oiwa (foto FAMSP)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


De 27 de abril a 1º de maio, São Paulo, cidade responsável por 60% do mercado de arte do País, foi palco da primeira edição da ôSP Arte - Feira Internacional de Arte Moderna e Contemporânea". Inédita, a feira reuniu as mais importantes e representativas galerias e inseriu definitivamente o Brasil no circuito internacional.
Entre 41 prestigiosas galerias brasileiras, estavam as mineiras Murilo de Castro, Gesto Gráfico, Léo Bahia Arte Contemporânea e Manoel Macedo. As galerias paulistas e cariocas foram maioria, mas outras tantas, de cidades como Salvador, Porto Alegre e Curitiba, se fizeram presentes. As representantes mineiras ofereceram, antes da quantidade, a qualidade.

Alberto da Veiga Guignard
Retrato Portrait, 1955


Feiras do gênero, como a Arco, em Madri, e a de Basel, na Suíça, são rotina na Europa e nos Estados Unidos. As galerias brasileiras que expõem lá fora não tinham um espaço semelhantes aqui. É que o explica a advogada e colecionadora Fernanda Feitosa, organizadora do programa. Ela antecipa que o espaço da Pavilhão da Bienal está reservado para outra feira em 2006, e a idéia é incrementar a participação estrangeira.

Nos estandes, marcam presença artistas como Volpi, Guignard, Bruno Giorgi, Hélio Oiticica, Mira Schendel, Nuno Ramos, Waltércio Caldas, Gerchman e os estrangeiros Törres Garcia (Uruguai), Berni (Argentina), Julien Opie, Michael Craig Martin, Patrick Caufield (Inglaterra) e Jeong Sook (Coréia).

Rubens Gerchman
Bicicleta no coqueiral, 2005


Eis as galerias de destaque: Bolsa de Arte de Porto Alegre, reunindo raridades de Carlos Vergara, Mauro Fuke e Marta Penter; Dan Galeria, com Ascanio MMM e Lygia Clark; Edwin Leonard, apresentando Ismael Nery e Di Cavalcanti; Gabinete de Arte, com Raquel Arnaud; Bereneci Arvani, destacando-se com Tomie Ohtake, Carlos Cruz Diaz e Sacilotto. Portinari, José Gurvich e Torres Garcia estão no catálogo da Sur, do Uruguai; Cristiano Rennó, Carlito Carvalhosa e Pedro Motta, na Gesto Gráfico de Belo Horizonte; Orly Cogan e Frederico Motta, na Léo Bahia, outra de BH; Antonio Manoel, Cabelo e Artur Barrio na também mineira Manoel
Macedo...

Da Ricardo Camargo veio o retrato de Patrícia, filha da escritora Lúcia Machado de Almeida. O trabalho foi realizado quando Alberto da Veiga Guignard residiu oito meses com o casal em Belo Horizonte. Esse retrato e uma megaescultura de Paulo Laender foram especialmente admirados e vendidos logo no vernissage.
Pelos resultados alcançados em termos de vendas e pelo número de visitantes, muito além dos dez mil esperados entre quinta e domingo, a mais nova feira no gênero demonstra que está na rota certa, exibindo seu passaporte para o sucesso.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

09.05.2005