Coletiva de mineiros é tipo exportação

Figura fragmentada (FOTO CLÁUDIO NADALIN)

O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP-Ibirapuera) abriga, a partir de quinta-feira, coletiva de 15 artistas mineiros que trafegam pelo tridimensional. A mostra, sob o título “O Tridimensional na Arte Contemporânea", tem nossa curadoria e integra o 40º aniversário de fundação do conceituado museu paulista.
Por que o Tridimensional na Arte Contemporânea? Porque reúne 15 artistas mineiros com obras inéditas que trafegam pelo tridimensional. São 100 obras, entre instalações, vídeo-instalações, objetos e esculturas. Utilizando materiais insólitos, as propostas englobam desde vergalhões, resíduos industriais, madeiras e chapas de aço, passando pelos aramados e até materiais orgânicos e inorgânicos.
Entre os artistas estão Fátima Santiago, que trafega por instalações de caráter minimalista, utilizando-se de inox, em interface com o que se cria em nível internacional.
George Hardy parte de suas pesquisas e experimentações do material sintético Corian, da Dupont, para criar esculturas de monta e efeito interativo. Em diferentes formatos e de diversas maneiras, elas podem ser montadas e remontadas pelo público.
Gilberto Lustosa, com seus “tótens", faz incisões em que o vazado sugere um desenho cavado a maçarico.
Helena Neto exopõe esculturas em aço inox, dando seqüência a pesquisa do produto e da forma, em parceria com o Centro Tecnológico de Minas Gerais e a empresa Acesita.
Leandro Gabriel oferece sua megainstalação “Ferro-Carvão", discutindo espacialidade versus visualidade, conjugada com ferro e resíduos industriais. A obra foi vista antes na Holanda e Alemanha.
Lúcia Neves, num desdobramento coerente, troca os fios telefônicos por ambientes construídos com elásticos que marcam espaços ou territórios.
Marcela Ferreira, partindo de cerâmicas que sugerem elementos fossilizados, ou então palhas e gravetos, vai além, com ingredientes orgânicos.
Marcos Palmeira, conjugando materiais como lata, prego e espelho, provoca à interatividade. Em maior ou menor grau, ele faz sua crítica social com miniaturas.
Mirian Scofield transporta suas gravras iniciais para móbiles e esculturas cilíndricas e suspensas, nas quais grava em chapa inox instalações agrupadas.
Paulo Coelho, com instalação em ferro, aço e madeira prensada, trafega pelas novas mídias e releituras neoconcretas.
Ricardo Carvão Levy refaz o caminho do concreto com esculturas coloridas, conforme a tradição iniciada pelo mestre Frans Weissmann. Carretéis de aço vazios de solda Mig servem de estrutura básica a todas as obras. Na maioria da vezes, ele emprega capa fina de metal cortada em tiras, de acordo com a intenção.
Rui Santana, com sua instalação sem título, usa e abusa dos rejeitos de pedra São Tomé e granito, nos remetendo à arte indígena e às civilizações antigas.
Tiago Fazito traz suas figuras fragmentadas, recém-chegadas de Alemanha, França e Itália. A partir de fotografias antigas, inclusive de membros da família, ele cria e se apropria de situações que são ao mesmo tempo cenários e instalações.
Valdelice Neves, multimídia, com sua vídeo-instalação “Imagens do Interativo", sintetiza toda sua obra: perfomance, balé, vídeo e cenário.
Valéria Delfin também explora a figura humana fragentada, com sua instalação em resina de fibra, autofagia ou processo autofágico, que engloba e critica a globalização.
Todos esses são artistas das gerações intermediária, nova e novíssima, que desafiam a linha divisória desses conceitos.
A exposição tem caráter itinerante. Depois de percorrer o Brasil até o início de março do próximo ano, viaja à França, Inglaterra e aos Estados Unidos _ cumprindo agenda, até 2005, que inclui série de conferências sobre a arte contemporânea na América Latina.

"O Tridimensional na Arte Contemporânea" _ Mostra de artistas mineiros no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP, no Parque do Ibirapuera, São Paulo-SP). A partir de quinta-feira, de terça a sexta, de dez às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, de dez às 16 horas. Até 7 de dezembro.

Morgan da Motta
06.10.2003