Trinca de talentos

ACRÍLICA sobre tela (1) de Marcella Viglioni Terra, objeto em cobre e ferro (2) de Aluízio Figueiredo e acrílica sobre
tela (3) de Thereza Mussi


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Sob o título “Telavisão”, Marcella Terra vai apresentar o que há de mais recente de sua produção, em nível de fotografias e pinturas. Para ela, “muito se tem produzido nas artes visuais com o uso do aparelho de TV. Vídeos e instalações questionaram ou idolatraram este suporte, o que não deixa de ser uma nova forma de ver o aparelho de TV, principalmente na atualidade, que com seus novos formatos, quase transformaram num quadro de imagens em movimento”. A partir daí, Marcella parte da imagem saturada de uma TV para disparar o seu click crítico. De acordo com a artista, que se formou em Artes Plásticas na Fundação Escola Guignard, em 2003, com especialização em fotografia e escultura, “Telavisão” é uma mostra de fotografias que registra uma visão do mundo contemporâneo, onde a estética do simulacro, ou seja, aparência, fantasma e até mesmo a reprodução imperfeita, prevalecem.
Enfim, é um recorte de imagens da representação realizada pela televisão, através da máquina fotográfica que obtém a visão estática da tela e, conseqüentemente, transportada para outra tela, como da própria TV. Trata-se do objeto como imagem.
Na seqüência dos seus mais recentes experimentos, também são apresentadas telas em grandes formatos que retratam objetos-fetiche, ora inertes, ora provocativos, como pinturas pichadas e lavadas dos muros das cidade. São pinturas que surgem da água, da transparência, do inconsciente das cores primárias.
No Minas II, sob o título “Memórias”, Aluízio Figueiredo tem abertura de sua individual de 19h30 às 23 horas de amanhã.
Utilizando-se de ferro e cobre, ele, que foi destaque e sensação na última edição da Casa Cor Minas, reaparece em espaço cultural. Lá, da conjugação de suas flores de cobre “plantadas” sobre espaços estanques de ferro, por incrível que pareça agradou aos decoradores, críticos de arte e o público no geral.
Agora, em vez da parede do espaço de recepção - diga-se de passagem da Casa Cor - ocupa as paredes na galeria do alto da Serra.
Para uns, trata-se de arte, para outros, apenas artesanato. No entanto, no conjunto de tudo um pouco e acima de tudo, muito bem solucionados objetos, imagens na faixa da visualização versus espacialidade.
Por sua vez, a partir da mostra individual de Thereza Muzzi, a Galleria da Empada ganha um senhor up-grade: um grande L da Galleria da Empada passa a ser chamada de minigaleria Ronaldo Simões. Os curadores encarregados da programação são Cláudia Renault e Pedro Augusto. O espaço reúne o útil ao agradável: as melhores empadas da cidade, em plena Savassi, e as propostas artísticas.
Thereza Muzzi, ex-aluna da Escola Guignard, desenvolve seu trabalho no Ateliê Livre do Jambreiro em Nova Lima. É a segunda individual da artista, que trafega por acrílica sobre tela com sete propostas recentes, inéditas.
Ela oferece pinturas ligadas à figuração que tendem ao abstracionismo, revelando que seus quadros são como diários onde registra sentimentos e emoções. Além disso, dissolve a tinta e propositadamente deixa escrever sobre a tela, registrando assim a sensação de que nada é fixo ou definitivo.

“Telavisão” - De Marcella Terra. Na Galeria Sesc-MG (Rua Tupinambás, 956, Centro). Vernissage amanhã. Visitas de segunda a sexta, de 12h30 às 18h30. Até 4 de agosto. Aluízio Figueiredo - A partir de quarta-feira, no Minas II (Avenida Bandeirantes, 2323, Serra). Thereza Muzzi - Na Galeria Ronaldo Simões (popularmente conhecida como Galleria Empada, Rua Levindo Lopes, 303B, Savassi). Visitas de 9 às 19 horas, de segunda a sexta, e de 10 às 13 horas, aos sábados. Até o dia 15.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

10.07.2006