Eymard além-mar


FOTOS: RAFAEL PERPÉTUO/DIVULGAÇÃO

DESTAQUES: Eymard Brandão (1) e exemplo de trabalho em técnica mista sobre madeira (2); paisagem em movimento (3) de Maneco Araújo e geometrismo “orgânico e populoso” (4) de André Burian




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

Eymard Brandão, artista plástico, professor e atual diretor da Escola Guignard, um dos campi da Universidade do Estado de Minas Gerais, expõe individualmente desde a semana passada em Portugal, na Cidade do Porto (Galeria Sargadelos), que está para lá como São Paulo para o Brasil.
Por causa do seu interesse pela simplificação das formas, Brandão costuma ser associado aos concretistas brasileiros e aos minimalistas dos Estados Unidos e da Europa. Atualmente, exibe relevos e pinturas geométricas, na sua maioria em técnica mista sobre cartão ou chassis.
Além disso, suas propostas resultam de cuidadoso planejamento privilegiando a simetria, a proporção e o equilíbrio. Por outro lado, a preferência por experimentações, em termos de estruturas geométricas, marca-se pela redução da pintura com seus espaços milimetricamente variados, bem como pela utilização de elementos aglutinantes, tais como areia, pigmentos e alumínio, dando significação no construir de novas linguagens. Enfim, delimita, com precisão, espaços estanques com o construir de novas situações.
Voltando a BH, a primeira individual de Maneco Araújo, na galeria de arte do Espaço Cultural do Pic-Cidade, apresenta conjunto de 15 propostas, ou seja, de formatos e técnicas variadas. A pintura que ilustra a matéria sintetiza sua produção e preocupação maior em relação a seus elementos essenciais: espaços estanques versus planos e cores.
Por outro lado, sua predileção pela paisagem, especialmente espaços urbanos, alia-se ao movimento que, pelos resultados alcançados, denota tendência expressionista e surrealista.
Maneco, autodidata e professor de pintura no seu ateliê da Floresta, por suas experimentações revela-se, antes de tudo, jovem artista cuja carreira está sempre em evolução.
Finalmente, o que há de mais recente de toda produção de Andrê Burian?
Ele fica em cartaz até o dia 23, na galeria de exposições temporárias, no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.
Seu geometrismo orgânico superpopuloso versus desenhos de números à primeira vista tudo subverte e embarallha a visão do espectador; no entanto, numa análise mais profunda e cuidadosa, salta aos olhos uma de suas fases mais instigantes.
De súbito, como visa o artista, uma vertigem. Aí nos deparamos com uma galáxia superpovoada, onde letras e cores brilhantes desenvolvem órbitas confusas... Círculos não-concêntricos, formas elipsoidais e esferóides que nos dão a sensação de estarmos também andando em círculos.
Pinturas de superfícies cobertas por alfabetos, desenhos repletos de números e sinais gráficos nos colocam numa relação direta com o caos. Tal insólita cartografia, a escrita imagética de André Burian tece tramas e redes que aludem à geometria das malhas urbanas. São perímetros de linguagem, quadras e avenidas de informações, verdadeiras “infovias” congestionadas de rotas indecifráveis. Sem dúvida, nos remetem aos excessos luminosos da «extravagante» Las Vegas....

Maneco Araújo - Na Galeria Pic-Cidade (Rua Cláudio Manoel, 1185, Funcionários), de 10 as 22 horas. Até 2 de outubro.
André Burian - No Museu da Inconfidência em Ouro Preto (Sala Manoel da Costa Athaíde, Anexo I), de terça a domingo, de 14 horas às 17h30. Até 23 de setembro.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

10.09.2007