Imãs, irmã, irmãos


FOTOS:DIVULGAÇÃO


DESTAQUES: escultura (1) de Leandro Gabriel incorporada ao acervo da Câmara Municipal, escultura (2) de Mário Neves e gravura em metal (3) de Valdelice Neves




Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS

A programação artística cultural da Câmara Municipal de Belo Horizonte está encerrando seu calendário 2007, com atrações a partir do pátio, passando pela Galeria Espaço Henfil e alcançando o hall do segundo andar. Os artistas escolhidos pelo produtor Luiz Fernando foram Valdelice Neves e seu irmão Mário Neves.
Na solenidade da abertura, além da performance programada para o pátio onde estão esculturas-objetos acoplados sobre as árvores, no plenário foi exibido o vídeo “Fragmentos da Cidade”.
Mário Neves apresenta esculturas recentes no hall, e no Espaço Galeria Henfil estão propostas em termos de gravuras, matrizes e pinturas de Valdelice, com sabor de pequena retrospectiva, depois de expor apenas pinturas e desenhos por décadas.
A propósito, lado a lado com os “ninhos” de Valdelice estão uma escultura de Amílcar de Castro que faz parte do acervo desde a sua inauguração, e a récem-adquirida escultura de Leandro Gabriel, daquela série que ficou meses no Ponteio Lar Shopping.
O vídeo versus perfomance resulta num projeto de cunho social e educativo que sugere ao público reflexões sobre o comportamento do homem contemporâneo, enfocando a crise existencial que ora vivenciamos. Ao convidar diretamente os pichadores a sair do anonimato, apresentando seu talento de artista ao grande público, incentivam ao seu direito de cidadão e, conseqüentemente, preservam o meio ambiente e a paisagem urbana.
A autora pesquisou ruas das grandes e pequenas cidades do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos, com os gestos dos grafiteiros registrados através de frotagens, muros, paredes e fotografias.
A artista agregou outros recursos, como vídeos e a performance, fazendo com que outras linguagens e expressões estivessem a serviço das artes visuais, alcançando, assim, suas necessidades internas de discutir com mais propriedade sobre problemáticas que desde o início permearam sua expressão.
Enfim, o trabalho é um diálogo entre a pintura, a gravura em metal, ambos universos imagéticos estáticos, em movimento, dando vida à obra em nível de tridimensionalidade.
Por sua vez, as esculturas a partir de pesquisas que visam, antes de tudo, a preservação da ecologia tendo como referência o pássaro João-Congo, é fundamentada em pesquisa feita na Amazônia brasileira. O pássaro, que além da Amazônia existe em tamanho menor na Estrada Real, resulta em 49 espécies. Em todas as árvores que têm o ninho de João-Congo, há casas de marimbondos. O áudio instalado na intervenção urbana é de canto de pássaro - pelo fato de João-Congo imitar o canto de todos os outros pássaros.
Finalmente, no Espaço Henfil, estão desde monumentais pinturas, esculturas em porte menor, passando pelas matrizes de gravuras em metal e, encerrando, convidando ao Hall do segundo andar. Lá, esculturas construídas por Mário Neves com imãs, num processo frontalmente contrário às esculturas e objetos da irmã Valdelice, surpreendem pelas experimentações versus construções e desconstruções.
Propostas de Valdelice Neves e Mário Neves ficam em cartaz no pátio, na galeria espaço Henfil e no Hall do segundo andar, até o final do mês. Os espaços internos funcionam no mesmo horário da Câmara Municipal. Quanto aos ninhos nas árvores do pátio, poderão ser visitados qualquer dia e hora, pois estão no espaço externo.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte (ABCA-AICA).Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br

10.12.2007