VISUAIS

Maria Luiza no Museu Inimá de Paula



FOTOS: TIBÉRIO FRANÇA/DIVULGAÇÃO/PALÁCIO DOS LEILÕES


1 - Detalhe de uma das propostas de Maria Luiza

2 - Fotografias de Julio Hubner

3 - Pinturas de Lorenzato



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


São raras as ocasiões em que uma única mostra agrada a tudo e a todos. Estamos falando da individual de Maria Luiza Selmi Dei Falci (Jovem Natureza), ora em cartaz no Museu Inimá de Paula. Composta por um conjunto de aquarelas, ela trafega orquídeas, manacás, bromélias e por que não até por cipós de São João, flamboyants, romãs e até bambus. Utilizando-se da milenar técnica da aquarela, similares as de um nome internacional bem conhecido: Margaret Mee que no primeiro semestre deste ano nos ofereceu rara oportunidade com "Margaret Mee – 100 Anos de Vida e Obra", nas galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima, na Fundação Palácio das Artes. Daí, influenciada por Miss Magaret Mee, ela nos surpreende pelo uso criativo das cores e das formas, num conjunto de rara beleza e extrema delicadeza. Enfim, irmã da ceramista e pintora Lisete Meimberg e da escultora Leda Selmi Dei Gontijo, foi a partir de 1980 que ela optou pelas aquarelas e pela flora brasileira e, por extensão tropicalista. Por fim, se o leitor não viu a exposição de Miss Mee e nem da Maria Luiza no Museu Fundação Inimá de Paula ainda há bastante tempo. Inaugurada no dia 18 de novembro, fica em cartaz até o dia 30 de dezembro e sugerimos que devia continuar em cartaz até meados de janeiro. Mais detalhes pela temporada e horários é só acessar www.inima.org.br, ou então, telefonar para (31) 3213-4320, das terças aos domingos. Sem dúvida, recomendamos com entusiasmo Maria Luiza e suas aquarelas no período de férias que ora se inicia.


Lorenzato & Júlio Hubner na Galeria Palácio dos Leilões

A junção de duas individuais, Simplicidade do Olhar com pinturas de Lorenzato, e Verde que não te quero ver, fotografias do dublê de artista plástico e fotógrafo Júlio Hubner, fica em cartaz na Galeria de Arte do Palácio dos Leilões até o dia 18 de dezembro, em substituição ao Leilão do Natal. Lorenzato, o pintor de paredes transformado num ícone da pintura primitivista, ou seja, com desdobramentos em termos de arte construtivista dispensa apresentações. Por sua vez Júlio que é morador, pode-se dizer quase do entorno da Lagoa da Pampulha (leia-se ele vive e trabalha no Bairro Ouro Preto), conhece de perto os problemas da represa e, insatisfeito pelo descaso e tal poluição do mais belo cartão postal de BH, decidiu registrar de uma forma inusitada a realidade da lagoa, retratando de perto a poluição do lago, que mesmo sendo terrível ecológica e epidemologicamente falando foi transformado em beleza plástica. O maior problema da lagoa é o esgoto que não fica na superfície da água e sim uns dois milímetros abaixo, propiciando assim a existência do espelho d'água, que visto ao longe é deslumbrante, diz o artista. "Mas pelo lago se apresentar belo ao longe, a prefeitura e o governo fazem "vista grossa" diz ainda o expositor. Todas as imagens da exposição foram confeccionadas com a tiragem de apenas dez exemplares, mais única Prova do Artista – PA. Produzidas em formato digital, em alta resolução, posteriormente reveladas em papel fotográfico, no tamanho de 30 x 45 cm, e finalizadas com uma película plástica para proteção da camada pictórica, devem ser vistas sem falta. Enfim, Júlio ainda afirma que gostaria de fazer dois convites a população de Belo Horizonte: visitar a exposição para perceber a realidade e; dar uma volta completa em toda sua orla para ver "in loco", os dois lados e o grande contraste que é a Lagoa da Pampulha. Sem dúvida, uma maneira prática e objetiva e até certo uma contribuição crítica do jeito que anda o contraste entre a poluição da lagoa e a beleza arquitetônica em contraponto com a paisagista da orla, nos 113 anos da nossa BH comemorados no dia 12 de dezembro.


Bienal de São Paulo

Pois é, no domingo chegou ao seu encerramento final a 29ª Bienal Internacional de São Paulo. Depois do fiasco da anterior: a bienal do vazio esperava-se um senhor "upgrade" depois dos desmandos dos senhores Edemar (leia-se ex-presidente e banqueiro do Banco de Santos de triste memória...) e Manoel Pires da Costa, que deixou a presidência da Fundação com dúvidas e suspeita de desvio, enfim, crises financeiras, conceituais e até estéticas... Fala-se que desde os tempos do Júlio Landman, considerado o último presidente respeitado e dosado de grande credibilidade, que realizou uma bienal à altura do ex-prestígio do evento... o atual presidente, Heitor Martins, oferecia uma certa esperança. No entanto, por suas ligações e de sua mulher ao mercado de arte, bem como os curadores Moacir dos Anjos e Agnaldo Farias que pairam nos limites do oportunismo e da incompetência quase que total... ao que parece, um "upgrade" como aquele provocado na Bienal de Veneza pelo Robert Storr fica para a próxima(as)...
Enfim, eu que fui em todas as edições de Bienal de São Paulo e da Dokumenta de Kassel e mais de 35 das inúmeras edições da Bienal de Veneza e de todas edições da Bienal Jovem de Paris, incluso como delegado adjunto com o então presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte Antonio Bento em 1971, aos 30 anos de idade, torço para a Bienal de S.P. Por fim, dupla curadoria como a atual da dupla Anjos-Farias e um "bunch" de compadres e comadres que trocam favores e curadorias a última edição não vai a lugar nenhum...Que tal uma pré-bienal brasileira e uma latino americana, que tivemos o privilégio de integrar júris de seleção e de premiação, sem dúvida; seria o caminho mais curto para voltar a ser reabilitado o prestígio da bienal. Esqueçam a "Viver Juntos", aquela que terminou em divórcio e teve até assédio moral e sexual por parte de certa curadora.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco - Paris.
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E-mails: contato@morganmotta.com e mmotta@morganmotta.com

10.12.2010