Cio bento

ALGUMAS PROPOSTAS: cobras em espiral, pássaro e corpos de cães da série “Cio" (Fotos Daniel Coury)

Em “Obras Recentes", cartaz da Celma Albuquerque Galeria de Arte, José Bento deixa de lado aquela série de árvores em formato médio ou grande, o que era “politicamente incorreto".
Agora sim, ele inova, com suas espirais agrupadas, objetos em forma de almofadas em cobre e suas observações da natureza.
Trata-se dum must, em termos de obras recentes, parafraseando o nome da mostra dividida em três módulos.

O artista de fato ousa, e surpreende, depois de copiar a si mesmo com aquelas esculturas de árvores criadas ad-infinitum. Melhor ter deixado de lado essa série, que pode ser bem comercial, mas incipiente, do ponto de vista da contemporaneidade artística.
Outra boa opção da semana é Cláudio Bonichi, que depois de encerrar mostra na Feira de Antiquários da Hebraica, em São Paulo (SP), emenda sua individual com exibição no Murilo de Castro Escritório de Arte.
Bonichi começou a expor aos 20 anos, em 1964, na Quadrienal de Roma. Nos anos 70, participou da Bienal Internacional de Veneza, escolhido por Luigi Carluccio, na época presidente da mais antiga bienal internacional.

Ele paira nos limites da transvanguarda italiana e do surrealismo, sendo sua característica principal a eliminação total do espaço dentro da tela e o circundamento dos objetos, o que coloca seu trabalho no território da dita vanguarda contemporânea; com certeza, a mais próxima de um Fontana que de Morandi. Depois da invenção metafísica de De Chiriro, alguns críticos consideram a pintura de Bonichi como episódio inédito.
Além de produzir suas pinturas, ele tem ilustrado vários livros de poesia e ficção, e criado afrescos entre Turim e Gênova.
Uma curiosidade: sua filha Benedetta está apresentando fotografias e instalações no MAC-USP Ibirapuera, em São Paulo, desde quinta-feira, na coletiva “O Tridimensional na Arte Contemporânea", sob nossa curadoria (e tema desta página na segunda-feira passada).

José Bento _ Na Celma Albuquerque Galeria de Arte (Rua Antônio de Albuquerque, 885, Savassi), de segunda a sexta, de 9 às 19 horas, e aos sábados, de 9 às 13 horas. Até o dia 25. Cláudio Bonichi _ Na galeria Murilo Castro Escritório de Arte (Rua Paraíba, 1221, Savassi), de segunda a sexta, de 10 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 13 horas. Até o dia 30.

Morgan da Motta
13.10.2003