Foto em foco

Diana, a caçadora, na visão de Léo Brizola (foto Quadrum)

Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


A junção de duas mostras de fotografias resulta em exposição a ser inaugurada nesta quarta-feira, na galeria do BDMG Cultural: “Instante", de Camila dos Reis, e “Fractais", de Sandra Arruda. Selecionadas por comissão de artistas plásticos e da crítica Celma Alvim, a dupla integra o Projeto Mostras BDMG 2005. Os dois ensaios fotográficos têm temática semelhante e por isso a exposição será conjunta.

“Fractais" de Sandra Arruda, oferece visão inusitada da natureza, nascida do encontro de um olhar oportuno com a luz do sol. As cores, as formas e a textura, de plantas e folhas, são realçadas por ângulos inusitados que ora revelam ora escondem o objeto fotografado. As fotos convidam o expectador ao novo olhar, a ir além da percepção ordinária e comum.

Em “Instantes", de Camila dos Reis, as imagens apresentadas, apesar de terem como referência vegetais, possuem forte ligação com a parte interna do organismo animal, o que sugere o fatiamento do corpo e a morte. Assim como Sandra, Camila trabalha com o volume e as cores nas fotografias.
Sandra Arruda nasceu em Ipatinga (MG), em 1971, e graduou-se em Ciências Econômicas pela PUC. Camila dos Reis é natural de Resplendor (MG) e aluna da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.
Por sua vez, Leonard Brizola, que antes assinava Léo Brizola, inaugura individual reunindo o que há de mais recente de sua produção pictórica. Será na quinta-feira, na Quadrum Galeria.
Graduado em Artes Plásticas pela Faculdade Escola Guignard (1981-1987), com especialização em Artes Plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (EBA-UFMG-1983-85), no final dos anos 90 Brizola passou a integrar o núcleo de conceituados artistas mineiros que trafegam pela pintura figurativa e contemporânea.
Nesta exposição, ele apresenta 18 telas produzidas entre 2003 e 2005. As propostas são em óleo sobre tela e têm dimensões entre 1,30 x 1,80 e 1,70 x 2,20 metros, formando painéis dípticos e trípticos. O artista se sente muito à vontade criando megatelas, verdadeiros protótipos para painéis.
No catálogo, assim escreve Paulo Pontes Correia Neves: “Com um completo domínio da arte da pintura, a obra explora as fronteiras indecisas entre o real e a sua representação através de uma poderosa atmosfera de abandono sensual, no tratamento da luz, moderno, contínuo e uniforme, sem projeção de sombras, sublinhando o mundo fantástico simbólico dos nossos valores".

Em São Paulo, a coletiva “Grabados e Gravuras", cartaz no Conjunto Cultural da Caixa, resulta num dos mais conceituados acervos de gravuras e gravadores latino-americanos. O painel é altamente didático. Com curadoria de Paulo Cheida Sans, a coletiva reúne 42 obras do acervo do Museu Olho Latino, agrupando artistas considerados referências nesta técnica, sendo que muitos deles são professores universitários na área da gravura, premiados em várias bienais internacionais.
A gravura brasileira está representada por Maria Bonomi, Joaquim Gimenes Salas, Henrique Spengler, Celina Carvalho e Paulo Cheida Sans (o casal Celina e Paulo Cheida criou o Museu de Arte Contemporânea).
A mostra pode ser conferida no Centro Cultural da Caixa Econômica Federal, na Praça da Sé, 111, em São Paulo (SP), de terça-feira a domingo, de 9 as 21 horas, até o dia 24, com entrada franca.

Sandra Arruda e Camila dos Reis _ Fotografias. A partir de quarta-feira, na Galeria de Arte do BDMG Cultural (Rua da Bahia, 1600). De segunda a sexta-feira, de 10 às 18 horas. Até o dia 29. Leonard Brizola _ Pinturas. A partir de quinta-feira, na Galeria Quadrum (Avenida Prudente de Morais, 70). De segunda a sexta-feira, de 12 às 19 horas, e aos sábados, de 10 às 14 horas. Até o dia 30.

(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte. Home Page: www.morganmotta.com. E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br)

11.04.2005