Objetos, instalações, vídeos & muitas gravuras

FOTO: WILSONLEMOS/FOTOS DIVULGAÇÃO

1 - Objeto idealizado pelo irrequieto Mazzilli: usando e abusando, com muita criatividade, de peças curiosas como antigos utensílios típícos de nossas cozinhas

2 - Serigrafia da nova safra do artistae professor Eymard Brandão: no projeto “Gravura e “Serigrafia” àmostra na Escola Guignard, que reúne grandes nomes do gênero

3 - Detalhe de componente da instalação intitulada“Memórias Encaixotadas”, composta de rinta caixotes: mais uma criação de Severino Iabá, a ser apresentada no Centro Cultural de Contagem


Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


O Roteiro das Artes na Semana apresenta-se movimentado e diversificado.Partindo dos objetos bordados, série Mineiriana de Mazzilli, na Galeria Paulo Campos Guimarães, na Biblioteca Pública, passamos pelos objetos e vídeos de Severino Iabá, no Centro Cultural de Contagem e 5 Artistas na Agnus Dei, encerrando o ciclo com gravuras de Carybé no Sesc Minas Gerais e Projeto Gravuras de Professores da Escola Guignard, que ganha itinerância e acontece em São Paulo.Enfim, há de tudo um pouco para todos os bolsos e gostos.Daí, vamos ao Roteiro das Artes na Semana.


Mazzilli na Biblioteca

O irrequieto e experimtnal Mazzilli, desde o fim de semana está em display na Galeria Paulo Campos Guimarães, da Biblioteca Pública na Praça da Liberdade.Partindo do principio que comemos "Coisas Mortas", um pé de alface ou uma vaca que tem de ser assassinados segundo ele visando antes de tudo; nossa sobrevivência corresponde justamente tudo aquilo que queremos esquecer que Mazzili vem nos lembrar:alimentar é um gesto de violência.É quando um organismo tem que ingerir outro.Nesta série Mineirianas o expositor interdita, através do bordado, antigo utensílios de nossas cozinhas que ocorre o processamento.Objetos que trazem certa artesania na sua fatura ou que caíram em desuso..Ao bordar pérolas nestes objetos, cria outras significações, outros sentidos, quando os desloca e destitui de sua função original.Enfim, os deslocamentos envolvem desde raladores, tábuas de carne, passadores de tomate e espremedores de batata são alguns dos utinsílios que traduzem tal violência e simplificam todas propostas em termos de deslocamentos.Alem das pérolas, fios de lás, são outros elementos acrescidos e de efeitos interditadores.Além disso, os objetos furados como raladores, escumadeiras e espremedores de batata foram bordados e e os que não eram, caso dos latões de leite e dos penicos, foram perfurados para passar a agulha e a linha.Sem dúvida, esta foi descoberta dele enquanto que, tais descolocamentos foram os nossos.Duchamp, décadas depois, reaparece nas Minas Gerais, no Brasil, com Mazzilli trafegando pelas experimentações dosado de bastante humor.

Severino Iabá

Severino Iabá, um artista sempre em mutação sem se desligar das questões sociais, iniciou seu projeto Fome Nunca mais - Memórias de um Sacrifício desdobrado em Via Crúcis da fome e do desemprego, percorreu entre maio de 1999 e 2000, quase 13 mil quilômetros, passando em 15 cidades brasileiras de norte a sul do Brasil com sua cruz de pratos de alumínio.Passados dez anos, ele retoma seus registros, suas fotos, vídeos, depoimentos, memória, anotações e ressuscita, assim como seria um conjunto em termos de Ex-votos de Via Crucis propriamente dita.
A partir de de maio, na sexta feira, na Galeria do Centro Culturald e Contagem ele exibe exposição de reportagens da época e uma instalação intitulada "Memórias Encaixotadas", composta de 30 caixotes no estilo "box-form", contendo pratos de alumínios e imagens caputuradas pelo artistas em 1999 e 2000, à Rua Dr Cassiano, 130 - Centro de Contagem, onde pode ser visitada de segunda a sexta feira, das 9 às 17 horas.Outra mostra mais abrangente desse projeto com vídeo, instalação, objetos e depoimentos está prevista para acontecer num dos espaços culturais de Belo Horizonte, no segunde semestre deste ano e em outras cidades do Brasil, a partir de 2010.Mais informações sobre o projeto e o evento no blog do Iabá: www.portaldofomenuncamais.blogspot..com ou com Severino no ateliê dele (31)91711314).

5 Artistas - uma exposição

A Agnus Dei Galeria de Arte, tem vernissaage na quinta feira, dia 14 da coletiva "5 Artistas - Uma Exposição.Cada um com seu estilo, sua linguagem e plasticidade própria, num cenário que há entre eles desde um fio condutor que os interliga, permitindo harmonia, interação e complementação à mostra, que poderá ser visitada, de 9 às 18 horas e, aos sábados das 9 às 12 horas, à Rua Santa Catarina, 1155, bairro de Lourdes.Alexandre Anastasia apresenta três propostas em óleo sobre tela, todos eles mostrando uma paisaggem segundo ele inventada, uma fusão entre o figurativo e o abstrato.Já o arquiteto e artista plástico Altino Barbosa Caldeira mistura telas e ojjetos, que nada mais são que uma verdadeira crônica sobre a paisagem urbana.Eloise Forta, que desde criança sempre teve uma grande paixão pelos cavalos, considera natural este tema, já que desde 1988, ela ssumiu a aadminsitração de uma fazende de café.Não era uma fazenda qualquer era fazend de seus bisavós.Dai, parte para novos objetos que não tem nada com suas fases anteriores, elaboradas com peneiras de café ultra usadas.Finalmente, Helena Campos cujas representações pictóricas recebem as influências do mundo contemporâneo globalizado, fazem "pendant" com Ricardo Bergmann que cria e trafega pelas esculturas em mármore.

A gravaura em questão

Hoje, segunda feira, a Galeria de Arte do Sesc/MG, apresenta a exposição "O Compadre de Ogun - Serigrafias de Carybé, que depois de percorrer várias cidades e espaços brasileiros chega a Belo Horizonte..Criadas pela Lithos, a partir das aquarelas criadas para a abertura da primeira versão da novela O Compadre de Ogun, originariamente episódios de Os Pastores da Noite, todas as 31 serigrafias foram assinadas e enumeradas por Carybé em 1997 e são do acervo da viuva do expositor, Nancy Bernabó.De 11 de maio até 15 de junho, as serigrafias poderão ser vistas à Rua Tupinambás, 956, de segunda a sexta, das 12,30 às 18,30 horas.Carybé o artista argentino naturalizado baiano onde sermpre viveu e o escritor Jorge Amado, na vida real também eram assim, companheiros na vida profissional e pessoal.Os dois compadres, nas artes plásticas e na liteuratura sempre estavam juntos, no olhar, no sentir, no criar e vivenciar, de maneria indissociáveis.

Mundando de gravuras

Por sua vez, o Projeto Gravura - Serigrafia, dos professores da Escola Guignard - Fundação Guignard UEMG, reúne propostas recentes em serigrafias de Ana Cristina Brandão, Benedikt Wiertz, Castâno, Carlos Wolney, Cláudia Renault, Edna Mourta, Eymard Brndão, Glória Lamounier e Giovani Fantauzzi, juntamente com Humberto Guimarães, Isaura Pena, Júnia Pena, Lorenqa D'Arc, Marco Túlio Resende, Mary Lane, Maria Emilia Campos, Nara Firme, Paulo Rioberto Lisboa e Setabvão Miguel.Finalmnete, Thais Helt, Thereza Portes, Lótus Lobo, Vilma Rabelo e Zenir Amorim, como se vê o primeiro time da gravura mineira no processo "silk-screen" (leia-se serigrafia)..Local da coletiva em São Paulo é Casa de Portugal, Av. Liberdade, 602, no Centro em São Paulo.Para aqueles que vão no período em São Paulo, a temporada é de 8 a 26 de maio.Recomendamos com entusiamos.
P.S.: Ainda nas Artes na Semana, teremos Pintura Digital de Evandro Rocha, com vernissage no dia 12 às 20 horas, na Galeria do BDMG Cultural e Mário Alex Rosa, dia 14, às 19 horas, na Galeria de Arte Copasa.Haja fôlego e rodinhas nos pés para encarar todas atrações em apenas uma semana.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


11.05.2009