Exposição “Blow Up” abriga obras criativas e radicais


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Obra da série “Trans” (1) de Carlos Melo, Mao Berlim (2) de André Burian e "Gramática Expositiva do Chão" (3) de Luiz Flávio, que integram a exposição coletiva “Blow Up”, na Galeria Belizário.

Arasbescos em Branco (4) de Gertrude Altschul e Composição L (5) de Georges Radó, que integram a exposição "Modernismo na fotografia brasileira", no Museu Inimá de Paula.



Morgan da Motta (*)
CRÍTICO/ARTES VISUAIS


Duas exposição coletivas inauguradas no fim de semana movimentam e enriquecem a atual temporada de artes visuais em BH: “Modernismo na Fotografia Brasileira”, na Galeria de Mostras Temporárias, no Museu Inimá de Paula, e “Blow Up”, com os trabalhos de Mark Sink, André Burian, Luiz Flávio, Bruno Vieira e Carlos Melo, na Belizário Galeria de Arte. A primeira, com imagens em preto-e-branco, oferece um amplo painel do viés fotografia X fotoclubismo no Brasil. Como sugere o título, a segunda traz ampliações e explora outras possibilidades visuais.

Sob a curadoria do fotógrafo Iatã Canabrava, a galeria do 3º andar do Museu Inimá de Paula - que abriga as mostras temporárias - apresenta um elaborado recorte da fotografia moderna, emprestado do acervo da Galeria Bergamin de São Paulo, onde foi exibida inicialmente antes de sua itinerância pelas capitais brasileiras. Integram a mostra, cliques de Ademar Manarini (1920-1990), Álvaro Pereira Gomes (1941-2001), André Carneiro (1922), Chakib Jabour (1908-2007), Dalmo Teixeira Filho (1923-1981), Délcio Capistrano (1929), Eduardo Enfeldlt(1937-2004), Eduardo Salvatore (1914-2006), Francisco Quintas Júnior (1916), Gaspar Gasparian (1888-1966), Georges Radó (1907-1998), Geraldo de Barros (1923-1998), German Lorca (1922) e a única presença feminina do grupo, Gertude Altschul (1904-1962).
Integram, também a exposição, fotos de Guntter Schroder (1938), João da Neve Filho (1908-2001), José Yalenti (1895-1967), Lucílio Corrêa Leite Júnior (1915-1990), Osmar Peçanha (1926), Paulo Pires (1928), Roberto Yoshida, Ruben Scavone (1915), Thomas Farkas (1924) e Tufi Kanji (1906-1979).
O curador e fotógrafo Yatã se dedica há anos à pesquisa de imagens precursoras do modernismo e, especialmente a trajetória do fotoclubismo no Brasil, que desde a década de 20 se expande por toda São Paulo e algumas cidades do interior, como por exemplo São Carlos. A mostra realça as mais variadas tendências, como o figurativo, o abstracionismo e o notável núcleo do surrealismo - Roberto Yoshida, Tufi Kanji, Délcio Capistrano e Chakib Jaour. Vale ressaltar, também a importância no fotoclubismo de Scavone, um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirante.
A presente exposição contribui, assim, para difundir ainda mais essa vertente da nossa fotografia, valorizando e preservando estas obras que pairam nos limites das raridades-e-preciosidades.
Em cartaz na Galeria Belizário, sob a curadoria do fotógrafo e professor Luiz Flávio, que também faz parte do elenco dos expositores, a mostra “Bow Up” teve como ponto de partida, as propostas do nome maior da pop-art norte americana, Andy Warhol que, nos anos 60, começou a uitilizar-se de procedimentos fotográficos, desdobrando-se em gravuras pelo processo “silk-screen”, pinturas, instalações, vídeos e até filmes “underground”.
A Gramática Expositiva do Chão, homenagem a Manoel de Barros, é um projeto para “site specific”, de Luiz Felipe, que parte da observação da geometria do piso da galeria, para ativar poeticamente o espaço, por meio de registros fotográficos e magníficas interferências. Bruno Vieira comparece com cidades de gelo e de areia e cidade em chamas, e Carlos Melo com suas figuras “up-side-downs”, mulheres de quatro braços e quatro pernas. Por fim, chegamos aos efeitos eróticos de Mark Sinks e às propostas um tanto radicais e escatológicas de André Burian.
Trata-se de um conjunto bastante interessante em termos de fotografia enquanto arte contemporânea, pronto para ser exibido em qualquer espaço do país e do exterior.


“Modernismo na Fotografia Brasileira”
- Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201). Horários: terça, quarta e sexta-feira, de 10 às 19 horas; quinta-feira, de 10 às 21 horas; sábado, de 11 às 18 horas. Outras informações: www.inima.org.br. Até 6 de setembro.

“Blow Up” - Galeria Belizário (Rua Ceará, 999 - Funcionários). Até 13 de setembro. Horários: segunda a sexta, de 10 às 19 horas; sábado, de 10 às 13 horas.


(*) Morgan da Motta é jornalista e crítico de arte, membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte e da Associação Internacional de Críticos de Arte - Orgão da Unesco.
Home Page: www.morganmotta.com
E-mail: mmotta@hojeemdia.com.br


11.08.2008